Crítica: Boneco do Mal brinca com clichês de terror à moda antiga

 

“Boneco do Mal” é a produção de maior orçamento do diretor William Brent Bell. Para se ter ideia, custou US$ 10 milhões. Boa parte de seus filmes anteriores – já está no quinto – saiu direto em DVD. A exceção foi “Filha do Mal” (2012), filme de found footage estrelado pela paulista Fernanda Andrade, que teve aceitação razoável entre o público, mas rejeição completa da crítica.

Seu novo filme tampouco caiu nas graças da crítica americana, mas conta pela primeira vez com uma protagonista conhecida, Lauren Cohan, a Maggie da série “The Walking Dead”, que serve de chamariz de público.

Ela interpreta Greta Evans, uma americana de passagem pela Inglaterra, que arranja emprego de babá em uma mansão afastada. Seu trabalho consiste em cuidar de um menino que tem uma característica bem peculiar: na verdade, é um boneco, que os pais tratam como se fosse uma criança de verdade. Assim que chega, ela pensa se tratar de uma brincadeira, mas percebe que o casal de velhinhos não está brincando. Até deixa uma série de regras que ela precisa seguir – o que lembra “Gremlins” (1984), de Joe Dante, embora a semelhança pare por aí.

Com a saída do casal, Greta se vê sozinha naquela casa com aquele misterioso boneco, que pelo menos não é tão feio quanto a boneca Annabelle, do filme homônimo. Mas não deixa de ser assustador o modo como o boneco muda de lugar misteriosamente, além de tentar sabotar o encontro romântico que ela tem com um rapaz do vilarejo (o simpático Rupert Evans, da série “The Man in the High Castle”), entre outras coisas que acontecem.

Apesar dos problemas da narrativa, há que se dar crédito para o modo como Bell consegue transformar uma história claramente limitada em uma trama envolvente, que brinca com desenvoltura com os clichês do gênero, sem precisar apelar para sustos fáceis ou baldes de sangue. Com direito a final inesperado e bom aproveitamento de sua atriz carismática, “Boneco do Mal” funciona bem como um filme B à moda antiga, desde que não se espere mais que isso.

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Ailton Monteiro é professor e vai ao cinema com frequência desde os 16 anos de idade. Mantém o blog Diário de um Cinéfilo, premiado com o Quepe do Comodoro de melhor blog de cinema em 2004.