O Bom Dinossauro deve se tornar o primeiro fracasso da Pixar

O Bom Dinossauro deve se tornar o primeiro fracasso da Pixar

 

A animação “O Bom Dinossauro” encaminha-se para se tornar o primeiro fracasso da parceria Disney-Pixar. Com rendimentos de US$ 76,4 milhões em 20 dias de exibição, o longa só supera as bilheterias iniciais dos dois primeiros lançamentos do estúdio, “Toy Story” (1995) e “Vida de Inseto” (1998), quando os preços dos ingressos eram bem mais baixos.

Especula-se que seu orçamento tenha ultrapassado os US$ 350 milhões (US$ 200 milhões de produção, somados a US$ 150 milhões de marketing). É um custo insano, mas a Disney geralmente consegue quitar. Também lançado este ano, “Divertida Mente” fez US$ 851 milhões.

“O Bom Dinossauro” teve problemas desde a concepção, chegando a ser paralisado. A dificuldade de encontrar o tom ainda levou à demissão do diretor Bob Peterson (“Up – Altas Aventuras”), que foi substituído pelo co-diretor original, Peter Sohn (curta “Parcialmente Nublado”). Este tipo de problema, porém, já tinha acontecido antes em produções da Pixar, como, notoriamente, em “Valente” (2012).

A diferença é que “O Bom Dinossauro” não está tendo a mesma repercussão dos filmes anteriores da Pixar. Alguns críticos apontam que a produção parece mais Disney que Pixar, no sentido de que não traz muita inovação e prega uma mensagem muito evidente, do tipo “moral da história”, sem a sutileza das obras anteriores do estúdio.

O fracasso nos EUA ainda pode ser revertido no mercado internacional. A animação ainda vai estrear em vários países, inclusive no Brasil, onde só chega em 7 de janeiro. Mesmo assim, somente a China poderia salvar o filme do fiasco comercial – e não há previsão de lançamento no país, que tem uma cota limitada para a exibição de filmes estrangeiros.

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Marcel Plasse é jornalista, participou da geração histórica da revista de música Bizz, editou as primeiras graphic novels lançadas no Brasil, criou a revista Set de cinema, foi crítico na Folha, Estadão e Valor Econômico, escreveu na Playboy, assinou colunas na Superinteressante e DVD News, produziu discos indies e é criador e editor do site Pipoca Moderna