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Gunnar Hansen (1947 – 2015)

 

Morreu o ator Gunnar Hansen, que ficou conhecido por interpretar o canibal Leatherface no clássico de terror “O Massacre da Serra Elétrica” (1974). Ele faleceu no sábado (7/11) de um câncer no pâncreas, em sua casa, no estado americano do Maine, aos 68 anos de idade.

Gunnar Hansen nasceu em 4 de março de 1947 em Reykjavik, capital da Islândia, e se mudou para os EUA com a família quando ainda era criança. Ele passou a maior parte de sua juventude no Texas e estava fazendo pós-gradução em literatura na faculdade, visando virar poeta, quando soube de filmagens na região. Como precisava de dinheiro, procurou o diretor Tobe Hooper e acabou contratado para interpretar o psicopata canibal da motosserra, seu primeiro papel.

O teste para viver o personagem foi uma curta entrevista. Em seu livro de memórias, Hansen recorda que o diretor explicou rapidamente o personagem, dizendo que ele tinha problemas mentais e, apesar de parecer aterrador, sofria abusos de sua própria família insana. As sequelas traumáticas de sua infância impediram seu desenvolvimento, a ponto de ele não conseguir falar, apenas grunhir como um porco. “Se eu sei grunhir como um porco? Eu posso aprender”, ele escreveu. “Só mais tarde descobri que não fui contratado pelos meus grunhidos, mas porque eu era o homem mais alto e forte que tinha se candidatado ao papel”.

Mesmo assim, Hansen se empenhou para interpretar o monstro, visitando escolas de crianças especiais, para determiner os maneirismos de Leatherface, o assassino que usava uma máscara feita da pele de suas vítimas, como o notório serial killer Ed Gain.

Integrante mais assustador de uma família de canibais, ele perseguia com sua motosserra um grupo de amigos, que entrara na estrada errada no interior do Texas. Suas cenas se tornaram antológicas graças à improvisação do ator, que passou a brandir a motosserra de forma perigosa para sua própria segurança. Em busca de realismo, Tobe Hooper filmou até sangue real, quando a atriz Marilyn Burns se cortou inteira ao esbarrar em arbustos durante a perseguição mais famosa da trama, com Leatherface tocando o terror em seu encalço.

Em 1999, a revista Entertainment Weekly elegeu “O Massacre da Serra Elétrica” como o segundo filme mais assustador de todos os tempos, atrás apenas de “O Exorcista” (1973). Mas na época em que foi lançado, o filme perturbou muito mais que a superprodução do diabo, sendo proibido em diversos países. No Reino Unido e na Escandinávia, por exemplo, só foi liberado, justamente, em 1999!

Após a repercussão de sua estreia, Hansen apareceu em outro terror, “Demon Lover” (1977), num pequeno papel, mas a produção era tão trash que ele decidiu que não valia a pena investir na carreira de ator de filmes de horror. Em vez disso, decidiu seguir seu plano original de se tornar escritor.

Hansen se mudou para o Maine e se dedicou a escrever, rejeitando, inclusive, a oferta de um papel em outro clássico, “Quadrilha de Sádicos” (1977), de Wes Craven.

Sem sucesso literário, acabou voltando ao cinema em 1988, numa comédia trash de terror rodada em menos de uma semana: “Hollywood Chainsaw Hookers”. Parodiando seu personagem clássico, ele interpretava o líder de um culto de prostitutas adoradoras de motosserras.

Desde então, Hansen filmou mais de 20 terrores baratos, alguns feitos diretamente para vídeo e a maioria jamais lançada no Brasil. Sem o pudor de se envolver novamente com motosserras, como em “Chainsaw Sally” (2004) ou em produções intituladas “massacre”, ele enfrentou psicopatas até em sua terra natal, no terror de sobrevivência marítima “Reykjavik Whale Watching Massacre” (2009).

Em meio à pilha de lançamentos trash, vale citar ainda “Mosquito” (1995), no qual Gunnar enfrentava mosquitos gigantes com sua motosserra, e “Brutal Massacre: A Comedy” (2007), história de um diretor de terror decadente que tenta realizar sua última obra. Esta produção reuniu o ator com outras lendas do terror, como David Naughton (“Um Lobisomem Americano em Londres”), Ken Foree (“O Despertar dos Mortos”), Mick Harris (criador da série “Masters of Horror”), Ellen Sandweiss e Betsy Baker (ambas de “A Morte do Demônio”).

Sua última aparição no cinema acabou sendo, apropriadamente, em “O Massacre da Serra Elétrica 3D – A Lenda Continua” (2013). Ele fez uma pequena participação na sequência, ao lado da colega de elenco Marilyn Burns, além de surgir em cenas extraídas do filme original, usadas como flashback, como o próprio ícone da franquia, o monstro Leatherface.

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Marcel Plasse é jornalista, participou da geração histórica da revista de música Bizz, editou as primeiras graphic novels lançadas no Brasil, criou a revista Set de cinema, foi crítico na Folha, Estadão e Valor Econômico, escreveu na Playboy, assinou colunas na Superinteressante e DVD News, produziu discos indies e é criador e editor do site Pipoca Moderna