Crítica: Evereste é um filme de desastre sem surpresas

 

“Evereste” é aquele tipo de filme que todo mundo vai assistir sabendo o que vai encontrar. Situações limites, angústia e algum melodrama. Um produto calculado e realizado para despertar estes sentimentos em pessoas que querem passar por isso.

O filme tem todos os clichês esperados do subgênero dos filmes de desastre. Estão lá o personagem irresponsável e o ultrarresponsável, os que ficam em casa e sustentam momentos piegas, além das inevitáveis decisões esdrúxulas.

Na trama, um alpinista experiente transformou sua paixão em um negócio lucrativo. Jason Clarke (“O Exterminador do Futuro: Gênesis”) interpreta o dono de uma empresa especializada em conduzir escaladas pelo monte Evereste e acaba de juntar equipe e clientes para mais uma expedição. Só que uma tempestade inesperada acontece na metade da travessia, levando todos ao desespero.

O elenco também inclui Jake Gyllenhall (“O Abutre”), Josh Brolin (“Os Caça-Fantasmas 3”), Keira Knightley (“O Jogo da Imitação”), Sam Worthington (“Fúria de Titãs”), John Hawkes (“As Sessões”) e Robin Wright (série “House of Cards”), entre outros. Mas isso acaba não fazendo muita diferença, porque, no meio do caos e sob camadas e mais camadas de roupa e neve, pouca gente consegue ser reconhecida. Além disso, a trama não exige grandes atuações. Poderiam ter convidado todo mundo que fez “Pânico na Floresta 13” que daria no mesmo.

Mas se os clichês negativos estão presentes, há também bons momentos de tensão em travessias vertiginosas. Tanto que, para os não adeptos daquele modo de vida, é difícil entender porque alguém se sujeitaria a algo tão extremo.

Outro destaque positivo do longa-metragem, a construção do Evereste e de seus perigos é impressionante. A fotografia, bastante auxiliada pelas locações, somada ao trabalho de efeitos visuais e de som, confere realismo ao filme.

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Cecilia Barroso é jornalista cultural, cinéfila e editora do Cenas de Cinema.