Cineasta iraniano é condenado a 6 anos de prisão e 223 chibatadas por seus filmes

Cineasta iraniano é condenado a 6 anos de prisão e 223 chibatadas por seus filmes

 

O cinema iraniano é um dos mais criativos e premiados do mundo. Mas o Irã também é um dos países que pior trata seus cineastas, que volta e meia são condenados à prisão pelo regime do país, quando não são sujeitos à chibatadas.

A mais nova vítima da intolerância do governo iraniano é o diretor Keywan Karimi, conhecido por abordar temas como as dificuldades da vida moderna e a expressão política. Ele foi condenado a 6 anos de prisão e 223 chibatadas por causa de seus filmes, considerado culpado de “insultar santidades”.

Entre as obras pelas quais Karimi foi condenado está o filme “Escritos na Cidade”, que retrata as manifestações políticas no Irã através do grafite, tanto na Revolução Islâmica de 1979 quanto nas contestadas eleições de 2009. Filmado em 2012, o filme foi censurado. Mas o curta documental “Fronteira Fechada” também pode ter provocado a ira das autoridades, por abordar a questão do contrabando da gasolina subsidiada no país.

A imprensa estatal e as autoridades iranianas nem sequer comentaram a condenação do cineasta, que ainda permanece em liberdade, enquanto seu advogado recorre da decisão.

O caso mais conhecido de repressão à expressão artística no Irã é a condenação do premiado cineasta Jafar Panahi. Detido em prisão domiciliar e proibido de trabalhar como diretor de cinema por 20 anos, ele realizou seus três últimos filmes de forma ilegal. O documentário “Isto Não É um Filme” (2011), que retrata seu cotidiano sob as restrições do governo, foi levado para o Festival de Cannes em 2011 dentro de um bolo de aniversário. “Cortinas Fechadas” também teve que ser contrabandeado para fora do país. Em ambos os casos, ele filmou dentro dos limites de sua prisão domiciliar. Mas, em enfrentamento declarado, foi às ruas disfarçado para rodar “Táxi”, vendedor do Urso de Ouro do Festival de Berlim de 2015.

Entretanto, não são apenas as críticas ao governo que incomodam as autoridades iranianas. Qualquer comportamento considerado impróprio pode render dura repressão. Em maio de 2014, a polícia prendeu homens e mulheres que gravaram um vídeo em que dançavam a música “Happy”, de Pharrell Williams. Apesar da repercussão internacional, inclusive com apelo do músico, os detidos foram condenados a seis meses de prisão e 91 chicotadas.

 

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Marcel Plasse é jornalista, participou da geração histórica da revista de música Bizz, editou as primeiras graphic novels lançadas no Brasil, criou a revista Set de cinema, foi crítico na Folha, Estadão e Valor Econômico, escreveu na Playboy, assinou colunas na Superinteressante e DVD News, produziu discos indies e é criador e editor do site Pipoca Moderna

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