Boi Neon é o grande vencedor do Festival do Rio

Boi Neon é o grande vencedor do Festival do Rio

 

O filme “Boi Neon”, do diretor pernambucano Gabriel Mascaro, foi o grande vencedor da mostra Première Brasil do 17º Festival do Rio. Além da premiação de Melhor Filme, o longa recebeu os troféus de Melhor Roteiro (assinado por Mascaro), Fotografia (Diego Garcia) e Atriz Coadjuvante (Alyne Santana, que dividiu a premiação com Julia Bernat, de “Aspirantes”).

“Boi Neon” já havia sido premiado nos festivais de Veneza e Toronto, e o diretor não pôde comparecer à premiação justamente porque estaria a caminho de outro festival internacional, conforme informou a produtora Rachel Ellis, que recebeu os prêmios em seu lugar. “O Gabriel está num avião, neste momento, em algum lugar entre a Inglaterra e a Austrália, para participar de um festival”, disse a produtora na cerimônia realizada na noite de terça-feira (13/10), no Espaço BNDES.

A trama traz Juliano Cazarré (“Serra Pelada”) e Maeve Jinkings (“O Som ao Redor”) como integrantes de um grupo que viaja pelo sertão nordestino para trabalhar em vaquejadas. Enquanto prepara o gado para competir nos torneios, o cowboy caboclo vivido por Cazarré alimenta o sonho de se tornar um estilista de sucesso.

A premiação também destacou o longa “Aspirantes”, um dos mais aplaudidos pelo público durante o festival, com três troféus Redentor. Além do prêmio de Atriz Coadjuvante, o filme de Ives Rosenfeld teve reconhecimento nas categorias de Melhor Direção (também dividida, desta vez com Anita Rocha da Silveira de “Mate-me por Favor”) e Ator (Ariclenes Barroso). Sua trama acompanha os dilemas de um jogador de futebol de um pequeno time da Baixada Fluminense, vivido por Barroso.

Além de dividir o prêmio de Melhor Direção, o suspense carioca “Mate-me Por Favor” também rendeu o Redentor de Melhor Atriz para Valentina Herszage, uma hipnótica e jovem revelação de 17 anos em seu primeiro longa-metragem.

Por sinal, os vencedores dos prêmios de interpretação pertencem todos a uma nova geração, como Alyne Santana (“Boi Neon”) e Caio Horowicz (“Califórnia”), também em seus primeiros longa-metragens. Veterana desta turma, Julia Bernat (“Aspirantes”) tem apenas 25 anos de idade e somente quatro longas no currículo – com metade dessa filmografia exibida agora no Festival do Rio. Contando com um filme a mais no currículo, o “experiente” Ariclenes Barroso (“Aspirantes”), de 23 anos, foi sincero ao receber seu troféu de Melhor Ator: “Ainda estou aprendendo a fazer cinema”. Que não aprenda muito, pois a consagração dessa geração se deve justamente à ausência dos vícios e maneirismos dos intérpretes renomados, já contaminados pelos exageros inerentes à TV e ao teatro.

“Olmo e a Gaivota”, de Petra Costa, foi escolhido o Melhor Documentário. A diretora, que tinha sido premiada por seu documentário anterior, “Elena”, no Festival de Brasília de 2012, apresentou a história de dois atores do Théâtre du Soleil, em Paris, que enfrentam os desafios impostos por uma gravidez.

Entre os 16 troféus distribuídos na premiação, ainda se destacaram o Prêmio Especial do Júri para “Quase Memória”, do veterano cineasta Ruy Guerra, além dos Prêmios do Público para “Nise — Coração da Loucura”, dirigido por Roberto Berliner, e o documentário “Betinho — A Esperança Equilibrista”, de Victor Lopes.

Para completar, o filme “Beira-Mar”, de Filipe Matzembacher e Marcio Reolon, foi escolhido o Melhor Filme da mostra paralela Novos Rumos. Em seu discurso, Reolon destacou a importância do tema apresentado. “‘Beira-Mar’ fala sobre juventude, e os atores carregam o filme. Os meninos se doaram muito. Esse trabalho é sobre dois meninos que criam uma relação e receber esse prêmio é significativo porque eu e o (codiretor) Felipe completamos sete anos de namoro hoje”.

PREMIAÇÃO DO FESTIVAL DO RIO 2015

MOSTRA PREMIÈRE BRASIL

Melhor Filme
“Boi Neon”, de Gabriel Mascaro
Melhor Direção
Ives Rosenfeld (“Aspirantes”) e Anita Rocha da Silveira (“Mate-me por Favor”)
Melhor Ator
Ariclenes Barroso (“Aspirantes”)
Melhor Atriz
Valentina Herszage (“Mate-me por favor”)
Melhor Ator Coadjuvante
Caio Horowicz (“Califórnia”)
Melhor Atriz Coadjuvante
Julia Bernat (“Aspirantes”) e Alyne Santana (“Boi Neon”)
Melhor Roteiro
Gabriel Mascaro (“Boi Neon”)
Melhor Fotografia
Diego Garcia (“Boi Neon”)
Melhor Montagem
Sérgio Mekler (“Campo Grande”)
Melhor Filme de Documentário
“Olmo e a Gaivota”, de Petra Costa
Melhor Direção de Documentário
Maria Augusta Ramos (“Futuro Junho”)
Melhor Curta
“Pele de Pássaro”, de Clara Peltier
Prêmio Especial do Júri
Quase Memória”, de Ruy Guerra

MOSTRA NOVOS RUMOS

Melhor Filme
“Beira-Mar”, de Filipe Matzembacher e Marcio Reolon
Melhor Curta
“Outubro Acabou”, de Karen Akerman e Miguel Seabra Lopes
Prêmio Especial de Júri
“Jonas”, de Lô Politi

PRÊMIO DO PÚBLICO

Melhor Filme
“Nise – O Coração da Loucura”, de Roberto Berliner
Melhor Documentário
“Betinho – A Esperança Equilibrista”, de Victor Lopes (“crítica”)
Melhor Curta
“Até a China”, de Marão

PRÊMIO DA CRÍTICA INTERNACIONAL

Melhor Filme Latino-Americano
“Te Prometo Anarquia”, de Julio Hernández Cordón

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Marcel Plasse é jornalista, participou da geração histórica da revista de música Bizz, editou as primeiras graphic novels lançadas no Brasil, criou a revista Set de cinema, foi crítico na Folha, Estadão e Valor Econômico, escreveu na Playboy, assinou colunas na Superinteressante e DVD News, produziu discos indies e é criador e editor do site Pipoca Moderna