
Divulgação/Disney
Disney contratou especialista para monitorar atriz de “Branca de Neve” após crise com postagens políticas
Rachel Zegler irritou estúdio com declarações sobre Trump, Israel e Palestina
Publicações geraram crise
A Disney contratou um especialista em redes sociais para monitorar publicações de Rachel Zegler após sucessivos episódios polêmicos relacionados à campanha de “Branca de Neve”, revelou a revista Variety numa reportagem sobre os bastidores da produção. As medidas foram tomadas depois que a atriz misturou conteúdos promocionais com posicionamentos políticos, gerando insatisfação dentro do estúdio.
Em 12 de agosto de 2024, três dias após apresentar o trailer do filme no evento D23, Zegler publicou no X: “e sempre se lembrem, Palestina livre”. A frase, postada logo após agradecer pelos 120 milhões de visualizações do teaser, viralizou com 8,8 milhões de acessos — quase quatro vezes mais que a publicação original. A repercussão provocou surpresa entre executivos da Disney, que viram na declaração uma interferência no marketing de um projeto de US$ 270 milhões.
Recusa em apagar post
Nos bastidores, a tensão aumentou com a multiplicação de ameaças de morte direcionadas à colega de elenco Gal Gadot, 39, israelense e intérprete da Rainha Má. A Disney teve que reforçar a segurança da atriz, que é mãe de quatro filhos.
O produtor Marc Platt viajou até Nova York para conversar pessoalmente com Zegler e pedir a remoção da publicação. A atriz, no entanto, se recusou a deletá-la. “Ela não entendia as repercussões de suas ações no que diz respeito ao que isso significava para o filme, para Gal, para qualquer um”, afirmou uma fonte à revista Variety.
h2>Postagens contra Trump agravaram situação
Três meses depois, após a eleição presidencial norte-americana, Zegler voltou a causar controvérsia com novas postagens. Em sua conta no Instagram, ela escreveu: “F*da-se Donald Trump” e “Que os apoiadores de Trump… nunca conheçam a paz”.
Executivos da Disney consideraram que a atriz estava afastando metade do público potencial de um filme já marcado por controvérsias e refilmagens. Platt voltou a intervir e, após discussões, Zegler passou a trabalhar com um consultor de redes sociais contratado pelo estúdio para revisar suas publicações até a estreia do filme, em 21 de março.
Críticas ao estúdio e ao filme original
A relação entre Zegler e a Disney já apresentava desgaste desde 2022. Durante a campanha de premiações de “Amor, Sublime Amor”, a atriz reclamou publicamente de não ter sido convidada para o Oscar, mesmo sendo protagonista do filme indicado a Melhor Filme. A Academia acabou cedendo um convite após o episódio. Fontes afirmaram que o estúdio se irritou com a exposição, e que ela já havia iniciado as filmagens de “Branca de Neve” em Londres quando fez as queixas.
Em outra ocasião, durante o D23, Zegler criticou o filme original de 1937, dizendo que o príncipe “literalmente a persegue”. Segundo um agente ouvido pela Variety, “foi naquele momento que a Disney permitiu que Zegler controlasse a narrativa. A primeira vez que ela fala algo fora do tom, você corta pela raiz”.
Gadot manteve distância de temas políticos
Gal Gadot, por sua vez, diminuiu seus posicionamentos com a divulgação do filme. Entretanto, após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, ela expressou publicamente seu apoio a Israel e às vítimas israelenses, chegando a organizar uma exibição do filme “Bearing Witness” sobre a violência do Hamas, para aumentar a conscientização sobre a situação dos reféns israelenses.
Apesar das opiniões divergentes e tensões na campanha promocional, fontes próximas à produção negaram desentendimentos entre as duas atrizes. Branca de Neve e a Rainha Má se deram bem nas filmagens, mas foram mantidas afastadas na fase de divulgação. Durante a première no El Capitan Theatre, em Los Angeles, Zegler foi posicionada duas fileiras à frente de Gadot e sua família. As entrevistas no tapete vermelho foram canceladas e substituídas por sessões de fotos.
Em uma interação no Instagram, após uma apresentação conjunta no Oscar, Zegler se referiu a Gadot como “uma rainha de concursos profissional” — termo interpretado como depreciativo por parte do público.
Desempenho decepcionante nas bilheterias
O live-action arrecadou US$ 87 milhões mundialmente em seu primeiro fim de semana, resultado abaixo do mínimo projetado pelo estúdio. Nos Estados Unidos, a bilheteria foi de US$ 43 milhões, inferior à previsão mais pessimista, que variava entre US$ 45 milhões e US$ 55 milhões.
“Você não pode dizer que um remake live-action do filme mais icônico do acervo, que custou US$ 270 milhões e foi refilmado várias vezes, estrear com US$ 50 milhões é aceitável. A matemática não fecha. Esse filme deveria ser de um bilhão de dólares”, declarou um executivo de um estúdio concorrente em off para a Variety.