Os filmes de zumbi têm basicamente a mesma premissa apocalíptica desde “A Noite dos Mortos Vivos”, de 1968, quando George A. Romero reinventou o monstro, tirando-o do folclore vudu. Assim, “Zumbilândia” não perde tempo para contar como os EUA se tornaram uma terra devastada – a terra dos zumbis do título. Já abre na correria e mantém o pique até o fim.
A trama acompanha um adolescente nerd, que conseguiu sobreviver graças a algumas regras que desenvolveu, observando filmes de zumbis – uma autoironia ao estilo da trilogia “Pânico”. Ele descobre que todo mundo está virando morto-vivo no dia em que uma garota gostosa decide querer comê-lo.
Apesar de algumas cenas tensas e violentas, o tom prevalescente é de humor. O próprio Romero contribuiu para a transformação dos zumbis em criaturas cômicas, a partir da sátira social de “Despertar dos Mortos” (1978), que colocava os mortos-vivos num shopping center. A iniciativa gerou um subgênero dentro do subgênero: as comédias de zumbis – que começam com o pioneiro “A Volta dos Mortos-Vivos” (1985) e chegam aos mais recentes “Canibais” (2003), “Todo Mundo Quase Morto” (2004) e “Fido” (2006).
“Zumbilândia” se encaixa nessa tradição do terrir, em que o humor negro faz rir de monstros, mas não dispensa o sangue escorrendo pela tela. Bem feitinho, tem uma edição ágil, ritmo ligeiro, personagens simpáticos, situações que despertam o interesse e algumas piadas que compensam as demais.
A história engata quando o protagonista, vivido por Jesse Eisenberg (“Férias Frustradas de Verão”), encontra um caipira valentão, interpretado por Woody Harrelson (“2012”). O matuto não quer saber de nomes, pois acredita ser mais fácil matar quem não se conhece direito, se uma criatura o contaminar. Assim, eles passam a se referir um ao outro pelos lugares de onde vêm – Columbus (Eisenberg) e Tallahassee (Harrelson).
Como os caipirões do final de “A Noite dos Mortos Vivos”, Tallahassee adora explodir as fuças dos zumbis que encontra. É sua maior diversão, sempre inventando modos criativos de estourar miolos. Mais que o nerd, que narra a história com suas regras, o personagem é quem melhor representa o espírito anárquico do filme, em momentos evocativos dos cartoons de “Looney Tunes” – além de ser mais um malucaço beleza na filmografia do ator de “Assassinos por Natureza”.
Em clima de road movie, a dupla roda por estradas desertas, postos abandonados e supermercados com zumbis e comida enlatada. Entre cenas de pastelão e sustos, encontram duas irmãs adolescentes, vividas por Emma Stone (de “Superbad – É Hoje”) e Abigail Breslin (a já crescidinha “A Pequena Miss Sunshine”), que conseguiram sobreviver agindo como golpistas e se aproveitando de quem as confunde com meninas frágeis.
A segunda parte do filme estaciona em busca de um porto seguro. No lugar do shopping clássico, a ilusão de segurança é materializada numa mansão de Beverly Hills, bairro das estrelas de Hollywood. É lá que encontram Bill Murray. Ele mesmo, o personagem interpretado pelo ator de mesmo nome.
Mas a história não fica parada por muito tempo. A conclusão se dá em plena correria, num parque de diversões, com direito a tiro ao alvo zumbi e outras atrações de parque temático que justificam o título “Zumbilândia”.
A locação ainda serve de analogia para a diversão imatura pretendida pelo diretor Ruben Fleitcher, que teve inclusive o cuidado de evitar os closes de zumbis aterradores. Com maquiagem simples, eles assustam menos que os palhaços dos pesadelos de infância de Columbus. Para os crianções assistirem sem medo.
Zumbilândia
(Zombieland, EUA, 2009)
Lançamento em DVD





































3 Comentários
é muito legal esse filme vale apena acistir
O filme está “show”, é uma comédia muito sangrenta mesmo, em alguns momentos de “lutas” homem x Zumbi, lembra-se o estilo Tarantino .O melhor do filme são as regras de sobrevivência, muito bom mesmo.
Fantástico Filme !