Zhang Yimou assume-se fã do cinema dos irmãos Coen

BERLIM: Zhang Yimou criou uma comédia negra com cores berrantes, em torno de uma loja de massas no deserto. Inspirando-se no filme “Gosto de Sangue”, que lançou a carreira dos irmãos Coen no cinema independente americano em 1984, “A Woman, a Gun and a Noodle Shop” (uma mulher, uma arma e uma loja de massas) representa uma grande ruptura na filmografia do diretor, caracterizada por sérios dramas de época e épicos de kung fu.

“Foi um risco, uma aventura”, disse o diretor de 58 anos, durante a entrevista coletiva do Festival de Berlim.

Como foi trazer um novo olhar para o filme dos Coen?

Foi um pouco difícil, porque eu estava tentando um novo gênero e buscando atrair o público com isso. Outra questão foi a necessidade que eu tinha de fazer o filme em sete dias, o que não foi fácil.

Por que a ênfase nas cores, que são muito vivas nas cenas?

Cores são sempre importantes no processo de criação. No momento em que as cores ficam mais gritantes é porque era ano-novo na China, data muito comemorada. As que são vistas nas colinas são naturais, as montanhas do oeste da China são assim. É uma paisagem única no mundo e merece uma visita de vocês.

No filme quase não há música. Foi intencional?

É verdade, quase não há música. Eu acho que um filme sem música é uma idéia interessante. Mas a paisagem é tão incomum que não precisa música.

Qual a origem do interesse no trabalho dos Coen?

Eu sempre gostei muito deles e adoro “Gosto de Sangue”. Eu vi o filme em Cannes, não havia tradução, mas as imagens diziam tudo. É um filme cool, mas eu não queria copiá-lo e, sim, transcrevê-lo num outro gênero. Uma versão chinesa, com um estilo humorístico e tradicional, com um extremismo visual.

O senhor já esteve com os Coen?

Não conheço os irmãos Coen pessoalmente. Certamente, já devemos ter estado em um mesmo festival e não nos encontramos. Mas eles mandaram um e-mail dizendo que gostaram do filme e ficaram impressionados com a fábrica de massa (noodles). Eles disseram que amaram como eu mudei e tratei a história original.

O que o senhor diria sobre o cinema na China hoje?

Os filmes chineses hoje são vistos no mundo inteiro, mas o cinema chinês mudou muito. Há 20 anos, o nosso cinema era mais restrito, mas agora é mais fácil fazer cinema. Acho que hoje na China há muitos gêneros procurando descobrir um caminho nosso. Talvez sur­ja um novo gênero, não sei o que acontecerá no futuro.

Como o seu filme será recebido no Ocidente?

Sinceramente, não tenho idéia, mas já estou envolvido com outro projeto. Vou começar um filme em março, com a Revolução Cultural como background. É uma história de amor entre dois jovens.

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+ Cris Thomas

Chris Thomas é uma cinéfila brasileira em Paris, que canta e dança quando começam os festivais europeus.

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