Zelito Viana resgata a importância do teatro de Augusto Boal

CINE-PE O cineasta Zelito Viana, que aos 72 anos está sendo homenageado pelo Cine PE, enxerga com simpatia e também com um certo cinismo a reverência proposta pelo festival. “Essa cerimônia me faz pensar em dois pontos”, explica o diretor, em conversa no saguão do Hotel Palace, onde está hospedado. “Por um lado é positivo porque o Cine PE tem o diferencial do público, com sessões com mais ou menos duas mil pessoas. Por outro você lembra que está ficando mais velho”, comenta Zelito, que trabalha com cinema desde os anos 1960 e é pai do ator Marcos Palmeira.

Nesta segunda (2/5), o realizador apresenta o longa-metragem fora de competição “Augusto Boal e o Teatro do Oprimido”, dentro da programação oficial do evento, além de ser personagem do livro “Zelito Viana: Histórias e Causos do Cinema Brasileiro”, de Betse de Paula.

Augusto Boal e o Teatro do Oprimido

O filme é um documentário clássico, atento ao que o personagem tem a dizer sobre arte, teatro e política. “Boal é pouco conhecido no Brasil, mas o método de representação que ele criou nos anos 1970 é muito pesquisado no mundo, assim como o de Stanislavski e Brecht”, opina o diretor.

“Augusto Boal e o Teatro do Oprimido” representa a ideia de registro de resgate, o documentário como uma operação que ressalta a importância de uma pessoa com um pensamento influente para novas gerações. “Esse tipo de filme é importante como a revelação de um retrato de um artista que se perpetua na imagem”, conceitua o realizador, que avisa que o filme tem distribuição nacional garantida pela empresa Polifilmes e também pelo Canal Brasil.

Augusto Boal e o Teatro do Oprimido

Zelito também apresentou na noite de abertura do festival o curta-metragem “Sons da Esperança”, trecho de um filme que será finalizado neste ano e irá integrar a programação do próximo ano do Cine PE. O filme fala sobre a orquestra do Coque e a participação do maestro Cussy de Almeida, que morreu em 2010, como professor.

“Quando conheci a orquestra, me impressionou a qualidade da música desses jovens. Não é só um projeto social, é também uma possibilidade de profissionalização”, analisa Zelito. O ponto central da narrativa será a filmagem de um espetáculo da orquestra no dia 31 deste mês, no Teatro de Santa Isabel.

O cineasta Zelito Viana

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+ Luiz Joaquim

Luiz Joaquim é jornalista e crítico de cinema desde 1999. Mestre em comunicação, escreve para a Folha de Pernambuco e edita o site Cinema Escrito. Além de coordenar o Cinema da Fundação Joaquim Nabuco (Recife), realizou os curtas-metragens "Eiffel" (2008) e a animação "O Homem Dela" (2010).

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