MOSTRA A estreia de Xavier Dolan na direção de longas-metragens – aos 19 anos de idade, com “Eu Matei Minha Mãe”, também roteirizado e protagonizado por ele – foi tão promissora que saiu do Festival de Cannes não com uma, mas com três distinções (o filme, aliás, ainda está em exibição em São Paulo e outras localidades). É sintomático, portanto, que seu projeto seguinte, “Os Amores Imaginários” tenha sido aguardado com antecipação.
E muito do que deu certo no primeiro filme se repete aqui. Dolan, franco-canadense assumido como homossexual desde muito novo, é craque em condensar na tela situações que vivenciou. Essa habilidade cria uma conexão instantânea com a plateia, que tende a se identificar com tudo aquilo que possui resquícios auto-biográficos (afinal, por mais que nossos problemas pareçam únicos e exclusivos, nada mais são que uma variante dos conflitos internos que cada um experimenta).
Se no filme anterior ele desenhava o relacionamento de amor e ódio com a mãe, agora essa figura é abstraída para a trama enfocar um vínculo mais carnal. Basicamente, trata-se da história de um triângulo amoroso formado por dois amigos – uma jovem interpretada pela ótima Monia Chokri (“A Era da Inocência “) e um rapaz gay vivido pelo próprio Xavier Dolan – e um charmoso terceiro elemento que se aproxima deles (Niels Schneider, também de “Eu Matei Minha Mãe”).
Como o sujeito lança sinais dúbios, não há como definir se ele é gay ou hétero – ou, o que é mais provável, que jogue nos dois times. A partir daí, os amigos iniciam uma competição disfarçada pelo coração do homem de seus sonhos.
Na vida real, todos já devem ter passado por caso semelhante: cair de amores por alguém que atira para todos os lados, aprecia a atenção que recebe e faz pouco caso dos sentimentos que angaria. Superar essa paixonite, como vocês também devem saber, é coisa que só pode ser resolvida com o tempo – e o filme convida a confrontar sensações que nunca serão totalmente resolvidas.
Seus méritos cinematográficos, entretanto, não correspondem às expectativa criada pelo próprio diretor. Sua propensão em abusar da câmera lenta realmente atinge o excessivo, assim como não são tão felizes os depoimentos (simulados) intercalados à trama – apesar de um deles, de uma garota que desenvolve tudo que é forma de relacionamento pela internet, render boas risadas.
Um pouco cansativo e nem sempre capaz de ir direto ao ponto, “Os Amores Imaginários” já não impressiona como “Eu Matei Minha Mãe” – mas, comparações à parte, Xavier Dolan permanece um nome a se observar com atenção e respeito. Dos mais interessantes de sua geração de cineastas.
Amores Imaginários
(Les Amours Imaginaires, Canadá, 2010)


































