Há seis anos, desde “Scoop – O Grande Furo” (2006), Woody Allen não participava como ator nos filmes que dirigia. Até este “Para Roma com Amor”, que pertence à série atual em que ele escolhe uma metrópole européia para ambientar determinado projeto, como “Meia-Noite em Paris” (2011) e “Vicky Cristina Barcelona” (2008).
Qualquer comparação entre os três títulos leva a colocar o mais recente bem abaixo dos demais. Talvez isso explique a decisão de fazer parte do elenco e, assim, oferecer um atrativo a mais para compensar as deficiências do roteiro.
Em vez de trabalhar com um tema central e nele aprofundar tanto o drama quanto a comicidade, desta vez Allen junta diversas histórias, amarradas apenas pelas locações romanas. Essa estratégia poderia ser considerada uma referência à tradição italiana de filmes em episódios, se ele não misturasse as diversas narrativas meio aleatoriamente.
O fato é que todas as histórias se mostram de médio a pequeno alcance, especialmente aquela em que ele atua, interpretando um produtor de ópera que descobre um novo talento vocal. Como o tenor só consegue soltar a voz tomando banho, os espetáculos são montados com o cantor atuando debaixo de um chuveiro montado no palco – uma piadinha visual, que desmerece o humorismo ferino próprio do estilo de Woody Allen.
Em determinadas passagens, vemos esquemas tão gastos, que já foram usados até em antigas chanchadas brasileiras. Por exemplo, o rapaz que precisa apresentar a esposa para os parentes ricos, mas, como ela se perde na cidade, ele pede que uma garota de programa (Penélope Cruz) tome o seu lugar – assim como em “Cala a Boca Etelvina” (1958), com Dercy Gonçalves. Em outra sequencia, um obscuro funcionário (Roberto Benigni) é tratado como celebridade de uma hora para outra, igualzinho ao protagonista de “Tudo Azul” (1951), de Moacyr Fenelon.
A única passagem que mostra certa ambigüidade é a que traz Alec Baldwin dando palpites no relacionamento entre Jesse Eisenberg e Ellen Page. Não se sabe se Eisenberg imagina as falas de Baldwin, ou se este está se lembrando de si mesmo quando jovem. O pior é que não fica claro se Allen está sugerindo uma desajeitada e inoportuna linha de mistério, ou se está apenas com preguiça de explicar melhor as coisas.
Para Roma com Amor
(To Rome with Love, EUA/Itália, 2012)
Lançamento em DVD e Blu-ray



































1 Comentário
Achei seu comentário interessante, mas impreciso. Deixou de notar que Mr.Allen “destroi” a mídia em coisa de 5 minutos, mas permeia o filme com as imbecilidades tipicas de jornalistas televisivos, mostrando por outro lado o perigo que representa para todos nos pessoas do povo, os fantoches mediaticos, seja quem for, um idiota da rua, um pequeno ator burgues, um jogador de football perna de pau e etc….