Warner define diretor da biografia do pai da informática

A biografia do matemático Alan Turing, considerado o pai da informática, ganhou diretor. A Variety revelou que J. Blakeson (“The Disappearance of Alice Creed”) assinou contrato com a Warner Bros para dirigir “The Imitation Game”, baseado no roteiro de Graham Moore, que estava na black list de 2011 – as lista dos melhores roteiros não produzidos.

Isto representa uma grande mudança de expectativa para o projeto, adquirido em outubro pela Warner Bros. por US$ 1 milhão. O estúdio chegou a imaginar o astro Leonardo DiCaprio (“J. Edgar”) como protagonista e o diretor Peter Yates, da franquia “Harry Potter”, para comandá-lo. Ron Howard (“O Código Da Vinci”) era outro nome vinculado a uma suposta fila de interessados em dirigir o projeto. O escolhido, porém, é claramente de outro nível, tendo apenas um thriller B, um roteiro de uma sequência de terror (“O Abismo do Medo 2″) e um par de curtas no currículo.

O enredo de “The Imitation Game” é inspirado na vida de Alan Turing, que ajudou a decodificar códigos de mensagens secretas nazistas durante a 2ª Guerra Mundial, numa ação que determinou a vitória dos aliados, e após o conflito se tornou um dos pais da ciência da computação, dando início ao que hoje se chama de informática. Seria motivo de orgulho nacional no Reino Unido, não fosse o preconceito.

Turing, que era homossexual, foi também conhecido por sua personalidade excêntrica. Como homossexualidade era considerado crime no Reino Unido, o herói secreto da guerra aceitou ser castrado quimicamente para evitar a prisão. Pouco depois, cometeu suicídio ao estilo de Branca de Neve, ao comer uma maça com cianureto. Tinha só 42 anos e um mundo de invenções pela frente.

Em 10 de setembro de 2009, após uma campanha de internet, o primeiro-ministro britânico Gordon Brown fez um pedido oficial de desculpas, em nome do governo, pela maneira em que Turing foi tratado após a guerra.

A história, como se vê, é rica em melodrama e se presta bem às premiações de cinema.

+ Marcel Plasse

Marcel Plasse é jornalista, participou da geração histórica da revista de música Bizz, editou as primeiras graphic novels lançadas no Brasil, criou a revista Set de cinema, foi crítico na Folha, Estadão e Valor Econômico, escreveu na Playboy, assinou colunas na Superinteressante e DVD News e é o editor do site Pipoca Moderna

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