Visual de Avatar arrebata e supera clichês do roteiro

Ver “Avatar” é uma experiência fascinante, única. Logo nos primeiros minutos de filme o espectador já se dá conta do olhar visionário de Cameron. O filme estreiou em 612 salas em todo o País – 500 em 35 mm, 110 em 3D e duas IMAX. É bom que o leitor opte pagar um pouco mais caro para curtir o filme nas salas de três dimensões. Não há como se arrepender.

O filme é deslumbrante como experiência visual, mesmo que force a barra com rasos discursos ecológicos e abuse dos clichês narrativos. Mas já era de se esperar. O diretor de “Titanic”, “O Segredo do Abismo” e “O Exterminador do Futuro” estoura orçamentos para dar vida ao seu imaginário, por isso compensa exagerando em romantismo e maniqueísmo para que seu filme fale a todos os tipo de público.

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12 anos depois do fenômeno “Titanic”, Cameron volta à ampliar as fronteiras tecnológicas do cinema, quebrando todos os recordes de orçamento – especula-se que o filme custou entre US$ 380 e US$ 500 milhões – para dar realidade a um mundo fascinante, além da imaginação, como não se via nas telas desde a trilogia “O Senhor dos Anéis”.

O ano é 2154. O planeta Terra encontra na lua de Pandora um mineral raríssimo (“unobtainium”) que pode solucionar os problemas de falta de energia. O problema do governo americano e dos empresários é que a comunidade nativa, os Na’vis, não estão nem um pouco interessados em ver suas terras sagradas serem devastadas por interesses mercadológicos.

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Na tentativa de estabelecer um melhor contato com os nativos, é criado o Avatar do título. Trata-se de uma mistura de DNA humano com o dos Na’vis, criaturas com mais três metros de altura, corpo azul e olhos dourados. O fuzileiro naval Jake Scully (o musculoso Sam Worthinghton) é um dos escolhidos para viver “dentro” desses corpos. Mas o que deveria ser uma missão militar transforma-se numa jornada de transformação de consciência. Em sua primeira descida à Pandora, Jake perde-se de seu grupo e tem a oportunidade de conhecer a fundo a cultura e mitologia dos Na’vis.

Naityri (Zoe Saldanha) é a fêmea que guia Jake em seu aprendizado. Filha do líder da tribo, ensina-o a dominar seu corpo, a caçar e, principalmente, compreender a relação simbiôntica que seu povo tem com a floresta que os cerca. Assim como Kevin Costner em “Dança com Lobos”, Jake fará da cultura alheia a sua própria, renegando seus vícios antigos em troca de harmonia interior e a paixão pela bela Naityri.

AVATAR

“Avatar”, com algum esforço, sugere algumas leituras, mas a história é uma sequência interminável de clichês bobinhos, embasando um discurso anti-militarista batidíssimo. A leitura mais rasa remete ao imperialismo norte americano. “Terror luta-se com o terror”, diz um truculento general antes da última investida contra os Na’vis. Quem está no centro das decisões sobre o destino da comunidade de Pandora não gasta tempo compreendendo suas razões e especificidades. Ignorância e preconceito regem suas ações assim como foram os anos Bush.

Um filme suntuoso, envolvente mais pelo seu visual do que seu “conteúdo”. Mas que entrará para a história como um marco no desenvolvimento de efeitos especiais e do cinema 3D. James Cameron deixou claro em entrevistas que pretende continuar fazendo filmes usando a tecnologia. Agora é esperar se demorará mais 12 anos para a estreia de seu próximo projeto.

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Leia também a crítica de Luciano Ramos:
Avatar é divisor de águas na grande aventura do cinema

Imagem de Amostra do You Tube

Avatar (EUA. 2009)

 ★★★½☆ 

+ Josafá Veloso

Historiador em formação pela Universidade de São Paulo (USP) é também músico e estudante de cinema.

1 Comentário

  • rodrigoavNo Gravatar
    27 de janeiro de 2010 | Permalink | Responder

    É muito, muito muito, mas muito lamentável mesmo que digam: “a história é uma sequência interminável de clichês bobinhos, embasando um discurso anti-militarista batidíssimo.”, pois não foi isso que eu vi:

    Avatar é uma grande viagem em nosso próprio ser, depende de quem vê, uma declaração desta não pode valer pra todos, acho que sua declaração está um pouco desinformada, nem todo mundo gostou de bastardos inglórios também, houve muita contradição em Crash, um filme maravilhoso, já disseram que Titanic era um filme cheio de clichês e muito meloso apesar da produção magnífica, no entanto o filme ganhou 11 oscars(não me importo com esse)+ globos de ouro e prêmios da crítica especializada e mais não sei quantos prêmios. Cada um tem a sua opinião, agora acertas críticas não passam da casca por puro preconceito, por isso só vêem “o conteúdo fraco”, porque não enxergam a polpa do filme. Por favor não sejam superficiais , pelo amor de deus!, não sei se vcs estão acostumados a fazer isso, me desculpem! mas olhem o filme com mais profundidade e criatividade!, o filme não é só aparência, é também rico em Sabedoria , talvez o que mais falta ao ser humano atualmente, o filme merece todos esses prêmios não é á toa.

    Se isso que vou falar é uma leitura rasa então é porque as pessoas não entendem o que se passa no enredo do filme. Esqueceram de desembaçar o óculos 3D. Quanto mais um filme se contradiz, mais rico ele é. O que as pessoas tem contra os 60 % do filme feito em computador?, só elas sabem, nos outros 40% temos os atores e cenas reais, mas o que importa? Stars Wars já não é grande coisa comparado com Avatar, mas a religião JEDI está ai até hj, não é? Ah é claro, a história, é isso o que importa!, um enredo emocionante!, mas aqueles que criticam e acham o filme sem conteúdo viram alguma coisa?, acho que não! Eu vi:

    Avatar é uma manifestação corporal de um ser imortal segundo a religião hindu, por vezes até do Ser Supremo, significa “Aquele que descende de Deus, que vem em missão de Deus”, ou simplesmente “Encarnação”. Qualquer espírito que ocupe um corpo de carne. “A mente de Jake” ou seu “espírito”, que no filme é transferido de corpo para corpo através de tecnologia humana(que ainda não é possível), já representa uma manifestação divina na Terra. Todos descendem do reinado de Deus pela criação e manutenção de sua manifestação em um corpo material. Um Avatar é uma forma encarnada de um Ser Supremo ou daquele que descende ou é discípulo dele, e tais incontáveis formas divinas residem em um plano espiritual até encarnarem em um corpo ou Avatar.
    Quando essa forma impersonalizada de Deus, esta descendência, vêm daquela dimensão elevada para o plano material do mundo quer dizer que ele está em missão, que é a causa desta forma ter saído de sua originalidade, então, neste plano material, um Avatar precisará transcender-se pelo seu corpo para que reencontre o caminho da luz, redescobrindo a sua verdadeira essência espiritual, que é o seu verdadeiro ser, exatamente como nós aqui no planeta Terra, que temos que fugir da futilidade, da superficialidade de não enxergar nada num filme tão bom, da ganância, e superar a pobreza espiritual e dos pecados, todos inúteis a evolução da alma. A partir deste ponto percebo então que “a missão” de Jake em seu corpo Terrestre(um Avatar tabm) parece ter se destinado ao caos e a melancolia com sua paraplegia(que vem provavelmente de uma guerra inútil na terra), seu personagem parece estático também em mente com sua aparente crença em coisa alguma, mas seu Avatar Na’vi, sua nova matéria e seu novo modo de vida em Pandora, lhe adicionarão um poder a mais á sua essência espiritual e seu verdadeiro caráter, a ser aproveitado em seu pequeno passeio turbulento em Pandora. Este “passeio” revela-se uma missão muito mais especial do que ele imagina. Esta missão é revelada á Na´vi Neyttiri quando ela está prestes a matar Jake com uma poderosa flechada quando aparece uma pequena flor branca, um espírito puro! Que a impede de matá-lo, então a missão Divina de liderança dada á Jake começa a projetar-se em Pandora, que com a ajuda de Neyttiri, mensageira do espírito puro, vai ficando ainda mais clara á medida que o Avatar dele vai se adaptando perfeitamente naquele novo mundo. Jake Sully é os Corpos Na’vi e Terrestre, e estes somados a seu espírito quase puro e consciente libertam seu lado guerreiro na luta contra os militares.

    Este “Novo Mundo” que aparece no subtítulo do filme, cada um descobre do jeito que quer, este “Novo mundo” de Avatar transcende a nós mesmos, como pessoas reais, dependendo do que conhecemos e o que somos na nossa vida real. O subtítulo do filme diz “Descubra um novo mundo”, mas não é muito claro, é quase como uma mensagem subliminar. Este “novo mundo” não é somente Pandora e os habitantes Na’vi e ele não está dizendo somente para nós espectadores irem ao cinema e ver o Avatar de Jake Sully se divertir em Pandora por puro e simples Marketing. Algumas pessoas parecem ter feito isso, nãosaíram de seus mundinhos fechados e outras como eu, não, por isso as contradições de opiniões aparecem. O subtítulo quer dizer: “descubra você mesmo sua própria Pandora” ou o que você pode fazer com o seu Avatar(seu corpo ) vendo o Avatar de Jake fazer o que ele fez, quero dizer, o que você pode aprender ou não com o filme Avatar pela pureza de sua consciência em seu corpo(seu Avatar) dentro do cinema. Pois é isso que se deve fazer e é isso que Jake Sully faz, ele descobre quem realmente ele é em outro corpo, e o que ele pode fazer com seu novo Avatar Na’vi com seu livre-arbítrio. Ele sabe que não é só um corpo, ele pode achar-se em quantos corpos quiser, mas seu caráter não muda, sua consciência é sempre a mesma e sua mente só se corrompe se ele quiser, ele supera toda a materialidade e ganância. Ele e alguns de seus amigos descobrem o outro lado da vida que a muito esqueceram e se deixam levar pelas suas transcedências espirituais como se elevassem ao reino do céus, redescobrindo a verdadeira consciência do seres imateriais e que com nossos atos imortais trazemos paz e harmonia ao universo.
    Acho que alguns não fizeram isso, talvez porque não podem ou não querem ser profundos consigo mesmos. Não há Avatar que os tire da inércia.

    SPOILER:
    No Final do filme, Jake parece conseguir superar toda a tecnologia humana de transferência mental e passa a transferir seu espírito consciente para o corpo de seu Avatar diante do maior poder anti-materialista de pandora, a árvore-mãe Tree of Souls, provando mais do que nunca que materialidade nenhuma supera o poder natural das ordens puras que ajudam os Na’vi no final como se fosse um milagre, provando que o ditado bíblico “Dê o outro lado do rosto para bater “ na verdade quer dizer, “não reaja se puder , mas não estique a cabeça para o oponente COVARDE arrancá-la”, Diante dos muito covardes(o E xército de Quaritch) é preciso realmente fazer guerra para estabelecer a paz daqueles que são puros de coração ou será que você deixaria te matarem sem fazer nada. A escolha de Cameron por Pandora ser uma lua é outra mensagem que posso tirar. Normalmente é o planeta que é mais enriquecido que o(s) seu(s) satélites, ou habitável. Lá acontece ao contrário. O planeta do satélite, Polyphemus, é que é a “lua desabitada”. Polyphemus é conhecido na mitologia grega como o nome de um Ciclope ignorante, aquele que tem um olho só. E o que seria o olho de Polyphemus?: Pandora, um globo que sobrepõe outro globo, ou seja a “visão espiritualista e pura de Pandora” que sobrepõe a “mente ignorante de Polyphemus”, é a espiritualidade contra a materialidade, é como se a Terra fosse o lixo da Lua , e o que parece ser para mim, talvez seja. Nesta lua, o vilão do filme tenta estabelecer os seguintes aspectos: A troca do espiritualismo pelo materialismo, a ganância e a descrença dos homens em relação as coisas sagradas, o rebaixamento do caráter, a destruição da mãe natureza em troca de recursos temporários e a desunião dos povos por egoísmo e preconceito, todos eles estão lá, ligados e descritos para todo mundo perceber, mas será que todos perceberam? O que se deve perceber não é só o que aparece no filme, mas o que é o filme e o que ele quer passar para o público, então se não fizermos isso poderemos achar que o filme é realmente uma farsa, um engodo, mas quem sai perdendo é Quaritch e aqueles que não entendem a moral da história, porque perdem um filme digno de aplausos. Se não conseguirmos ver nenhuma dessas coisas, então o que somos? Somos parecidos com o vilão do filme? Um pouco exagerado né?Talvez, ele parece não acreditar muito em Pandora e toda essa “besteira” de salvar o mundo, esses clichês bobinhos. Salvar pessoas no Haiti tbm é um clichê bobinho?, então poderemos “achar” que o filme é realmente uma farsa e só vemos o lado superficial dele, se é que tem algum, mas quem está sendo falso então?
    Um filme simples, parecendo superficial, nem por isso menos poderoso como Avatar pode gerar muita confusão e contradição, no entanto não quer dizer que seja ruim, assim como Deus. No entanto a opinião é só minha, ninguém precisa aceitar, cada um acredita no que quiser. Eu acredito nas coisas espirituais e belas da vida e em Avatar tbm.

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