Vírus contagia com bom elenco e tensão apocalíptica

A premissa do filme “Vírus”, dos curtametragistas Alex e David Pastor (jovens e com a certeza de uma longa carreira pela frente), parece não procurar fugir dos clichês dos vírus mortais de rápida propagação, que levam ao caos, criam cidade fantasmas e rendem animadas cenas com zumbis. Porém, a assustadora realidade fora dos cinemas ajudou a tornar sua história contagiante. Seu lançamento veio precedido por um burburinho na internet, na época em que os aumentos nos casos de gripe suína apontavam para uma pandemia sem proporções.

“Vírus” não desaponta os fãs de sci-fi apocalípticas. A trama não perde tempo com a fase da descoberta do tal vírus, o início da epidemia, os sustos, as pesquisas e uma desesperada busca pela cura da doença. A morte em larga escala é uma realidade há anos no ambiente dirigido pelos irmãos Pastor.

Quando a história começa, somos jogados num carro com quatro jovens, correndo pelas estradas americanas munidos de comida, bebida, armas, alvejantes e máscaras com o objetivo de chegar em uma praia deserta, supostamente isolada e segura, em que dois deles (os irmãos Danny e Brian) passavam as férias na infância.

Chris Pine, que vive o irmão mais velho, claramente lidera o elenco. Numa história em que os personagens possuem poucas camadas e em que não se exige muito talento dos atores, ele transmite a mesma segurança mostrada em “Star Trek”, onde viveu o carismático Capitão Kirk. Nas poucas cenas que trazem um viés mais dramático, ele demonstra toda a sua intensidade.

Seu irmão é vivido por Lou Taylor Pucci, que venceu o Urso de Ouro em Berlim e o Festival de Sundance como melhor ator por “Impulsividade”. Sempre que o filme lhe exige ele também corresponde, vendendo bem o papel de irmão mais novo que, supomos, sempre admirou o mais velho, mas se cansou de acatar todas as suas ordens.

Completa o quarteto a rodada Piper Perabo (“Coyote Ugly”), que esconde que está infectada para não ser abandonada pelo grupo, e Emily VanCamp (da série “Brothers & Sisters”), que pouca acrescenta – mas não prejudica em nada.

O suspense com clima de road-movie está longe de ser uma novidade, mas “Vírus” se revela, até de maneira surpreendente, um bom thriller.

Os irmãos Pastor tratam o espectador com respeito e não abusam de sua inteligência. Entregam uma história bem definida, conduzida e realizada. Curta (pouco mais de 80 minutos), sem explorar todo o seu potencial e com uma conclusão apenas correta, mas mesmo assim longe de ser mais uma das grandes besteiras que Hollywood costuma fazer com o tema dos jovens em fuga de zumbis e vírus mortais.

Imagem de Amostra do You Tube
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Vírus

(Carriers, EUA, 2009)

Lançamento em DVD

 ★★★☆☆ 

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+ Jorge Cruz Jr.

Jorge Cruz Jr. é carioca, formado em Direito com alma de cinéfilo. É dono do Blog do JJ.

1 Comentário

  • Iza Identicon Icon Iza
    3 de março de 2011 | Permalink | Responder

    Assisti ‘Virus’ umas 2 ou 3 vezes, pois comprei o DVD. E, acreditem, a partir da segunda vez foi apenas por não querer desperdiçar meu dinheiro ou fugir dos jornais de esportes que passam a tarde. O filme tinha um ótimo potencial por ser mais ‘realista’ do que outros longas onde qualquer doença transforma uma pessoa em zumbi, mas acabou sendo patético. Um filme curto, sem grandes emoções e chega a dar sono. Um final bobo, algumas partes sem sentido e onde a unica coisa que se tira é ‘quando disserem para não fazer algo, não faça’. Pelo menos quando o mundo estiver a mercê de uma pândemia. E se você pensar mais um pouco, você se questiona onde então estão todos os corpos que não foram queimados ou enterrados, ou o resto das pessoas vivas. O que te faz, entre risos, pensar que viraram sim, todos zumbis.

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