MOSTRA “Um Pouco Mais Perto” abre com uma cena banal do cotidiano: o irmão mais velho movendo a estante de lugar para instalar novas caixas de som, enquanto, entediado, o irmão mais novo grita pela mãe cada vez que o outro recusa sua ajuda. Vencido pela cansaço (e por ameaças da mãe), Marc deixa o pequeno Stephen ajudá-lo com a furadeira, e, por acidente, acaba atingindo o olho do irmão com o instrumento.
Contrariando o que se espera, o evento incial não se estende pelo resto da trama, e a partir daí “Um Pouco Mais Perto” (A Little Closer) passa a se revelar.
A mãe solteira Sheryl não tem tempo para mimar o filho, tendo que trabalhar redobrado para pagar os cuidados médicos, no mesmo passo que Marc, de apenas 15 anos, faz bicos para ajudar no orçamento da família. Quase não há diálogo entre os três, cada um em seu mundo particular habitando o mesmo ambiente.
O diretor estreante Matthew Petock (editor do documentário “Shine a Light”, de Martin Scorsese sobre os Rolling Stones) adota um estilo minimalista que ecoa pelas ótimas e naturais performances e pela caracterização, tanto nos figurinos como nos ambientes.
A produção, que beira o amadorismo, apresenta uma abordagem muito pouco explorada pelo cinema americano. Petock renega os artificialismos tradicionais para falar de processos naturais, tais como amadurecimento, descoberta da sexualidade, problemas financeiros. São coisas que o cinema americano aprendeu a problematizar, vistas aqui como de fato se dão na vida real.
Tamanha naturalidade intensifica a ternura da tomada final, que, sem acompanhamento sonoro ou explosões dramáticas, retratam o amor genuíno entre pessoas de verdade.






























