Fezes de cavalo caem em primeiro plano, sujando o chão do salão do Trono de Ferro e dando uma mensagem clara ao telespectador: neste universo, qualquer pureza é borrada pelo sacrilégio e pelo poder. O último capítulo da 2ª temporada de “Game of Thrones” foi exibido há apenas uma semana, no domingo (3/6), mas parece que faz uma eternidade, ao deixar claro mais uma vez que ninguém está seguro em Westeros, não importa em qual ponta da espada se esteja. E o pior nem começou ainda, como revelou a cena final, com os zumbis Caminhantes Brancos em formação de guerra.
O capítulo final, “Valar Morghulis”, concluiu a temporada exatamente como uma emissora deseja: deixando o seu público ansioso por mais episódios e batendo recordes de audiência: 4,2 milhões de espectadores nos Estados Unidos, transformando a série no 3º programa mais visto de seu canal, HBO. Em média, os episódios têm registrado uma audiência bruta (somando todas as visualizações, como o sistema de gravação DVR e o canal da internet HBO Go) de 10,3 milhões de telespectadores, um número digno de uma emissora aberta.
Mas o sucesso é mundial, a ponto de a HBO realizar a transmissão simultânea desta 2ª temporada para diversos países, inclusive o Brasil e em versão dublada. “Game of Thrones” já se tornou uma referência da cultura pop, com imitações no humorístico “Saturday Night Live” e citações nas animações “South Park” (o professor Garrison ministrou aos seus alunos uma palestra sobre “política de Westeros”) e “Os Simpsons” (cuja abertura parodiou o formato da série, com as construções dos pontos turísticos de Springfield – o trono de ferro é, claro, o sofá de Homer).
Em abril, os atores Kit Harington e Richard Madden estiveram por aqui (e em outros países da América Latina) para divulgar a série e o intérprete de Robb Stark ficou encantado com a quantidade de fãs estrangeiros. “Eles conhecem o programa muito bem, é esmagador. Para mim, é um reconhecimento ao nosso trabalho duro”, o ator contou ao Los Angeles Times na volta.
Para o escocês, a popularização mundial de “Game of Thrones” vem dos elementos universais da série. “Ela é sobre os seres humanos em sua forma mais crua. Estamos num mundo de fantasia, mas é só um artifício utilizado por George (R. R. Martin, criador dos livros originais), porque se trata de um drama político”.
O personagem de Madden foi responsável pelos momentos românticos desta temporada – aliás, sobrou amor e visivelmente houve menos cenas de sexo este ano –, o que deve tê-lo feito um dos preferidos do grande público. Com certeza, não foi o mesmo destino de Alfie Allen, intérprete de Theon Greyjoy. O herdeiro das Ilhas de Ferro tomou uma série de decisões erradas desde que voltou para sua terra natal, transformando-se num sujeito frio a ponto de assassinar crianças inocentes para tentar mostrar coragem ao seu pai, Balon Greyjoy (Patrick Malahide).
“Theon é um dos personagens mais humanos da série e definitivamente se tornou mais fácil interpretá-lo”, contou o irmão da cantora Lily Allen. “Muitas pessoas podem se relacionar com ele na vida real porque é um tema universal: todos procuram a aprovação dos pais”, teorizou, também em entrevista ao Los Angeles Times.
Por falar nisso, Alfie Allen teve o privilégio de saber do próprio escritor George R. R. Martin um dos maiores segredos da série literária “As Crônicas de Gelo e Fogo”, na qual “Game of Thrones” é baseada: a identidade da mãe de Jon Snow – um mistério que aparentemente foi para o túmulo quando a cabeça de Ned Stark foi separada de seu corpo. “Não posso dizer quem é, mas tem um pouco da situação de Luke Skywalker (personagem da franquia ‘Star Wars’)”.
Mas se os fãs passaram a enxergar Theon Greyjoy como um vilão, com certeza há outro personagem que eles odeiam ainda mais: o mimado e covarde rei adolescente Joffrey Baratheon. No entanto, quem conhece o jovem Jack Gleeson garante que ele é mais dócil que o garotinho que ganha um brinde do próprio Homem-Morcego em “Batman Begins” (2005), filme que ele estrelou quando tinha 12 anos.
“Esse fervor ‘anti-Joffrey’ é uma prova da competência de Jack como ator, porque ele é um dos meninos mais doces que eu já conheci”, elogiou o produtor David Benioff ao Entertainment Weekly. “Por ele ser tão bondoso, talvez interpretar Joffrey lhe permita descarregar todos os seus impulsos malignos. Mas ele é tão diferente do personagem que às vezes eu até tenho medo de um fã perturbado encontrá-lo numa livraria e lhe dar um soco”, brincou o produtor.
Sophie Turner também defende o colega – e sua personagem, a meiga Sansa, é a que mais sofre na mão do reizinho sádico. “Eu queria que ele desse mais entrevistas na televisão para as pessoas poderem conhecê-lo melhor, porque elas odeiam Joffrey e eu me sinto uma protetora de Jack agora”, contou a atriz. Gleeson, de fato, deu poucas entrevistas, mas uma delas foi à revista GQ, e foi reveladora.
O jovem irlandês é um estudante universitário de Dublin e sua maior inspiração na hora de interpretar Joffrey é Commodus, o personagem de Joaquin Phoenix em “Gladiador” (2000). “Às vezes, quando estou sentado no meu trono, eu penso nele com aquele sorriso no rosto”, contou. Gleeson disse que não é muito difícil entrar no personagem, já que o clima é favorecido pelo cenário e figurino, especialmente quando está com a coroa na testa. “Ela me tira completamente da vida real. Quando eu a coloco, sinto que todo o mundo me é subserviente.”
Uma das grandes adições desta temporada foi o misterioso Jaqen H’ghar, interpretado pelo alemão Tom Wlaschiha. Seu personagem é cheio de truques mágicos – um deles, revelado no capítulo final, é mudar completamente seu rosto instantaneamente –, mas uma das grandes características é sua forma de falar, sempre na terceira pessoa. “Eu recebi um monte de e-mails e recados no Facebook com pessoas me elogiando na terceira pessoa”, confessou o ator ao site Access Hollywood.
Seu personagem interagiu com uma das preferidas dos fãs da série, a menina Arya Stark (Maisie Williams), oferecendo à garota seus serviços de assassino como agradecimento por salvar sua vida, mas ele próprio tornou-se um dos prediletos do público. Wlaschiha deve ficar de fora da próxima temporada, mas poderá ser visto pelo grande público no ano que vem no longa-metragem “Rush”, dirigido por Ron Howard (“Anjos e Demônios”), com Daniel Brühl (“Adeus, Lênin”), Olivia Wilde (da série “House”) e Chris Hemsworth (“Os Vingadores”).
A 3ª temporada de “Game of Thrones”, que tem previsão de estreia apenas para abril de 2013, irá trazer mais personagens e já há uma lista prévia sugerindo alguns nomes – três deles já citados pela série. É o caso de Lady Selise, os rebeldes da Irmandade sem Bandeiras e Mance Rayder. Lady Selyse Florent é a esposa de Stannis Baratheon, um dos candidatos ao Trono de Ferro; Beric Dondarrion é o cavaleiro líder dos foras-da-lei da Irmandade sem Bandeiras, citados durante a reunião do conselho militar de Tywin Lannister; e Mance Rayder é o líder dos selvagens do Norte, um ex-membro da Patrulha da Noite.
Outro nome que surgirá na trama é o de Tormund Giantsbane, um dos tenentes dos selvagens que vivem além da Muralha. Dois membros da família de Catelyn Stark devem ganhar rostos: o irmão imprudente Edmure Tully e seu tio Brynden Tully, a ovelha negra da família. No núcleo de Daenerys Targaryen, deve surgir o guerreiro Daario Naharis, no livro descrito como cheio de adendos (cabelos coloridos, dentes de ouro…).
A língua afiada de Olenna Redwyne, avó da candidata à rainha Margaery Tyrell, deve render risos frios. Calafrios também poderão ser provocados pelos irmãos Jojen e Meera Reed, que possuem alguns poderes sobrenaturais – se fosse para seguir fielmente o livro “A Fúria dos Reis”, esses dois personagens deveriam ter aparecido nesta 2ª temporada. E por falar em poderes, mais um seguidor do “Deus Vermelho” deve dar as caras: Thoros of Myr, um sacerdote que utiliza uma espada flamejante.
No entanto, ainda não há muitas informações oficiais e apenas uma atriz foi confirmada até o momento entre os novos personagens. Kerry Ingram, atualmente em filmagens do musical “Os Miseráveis”, deve dar vida à Shireen Baratheon, filha de Stannis. “Eu nunca fiz nada como isso antes, então estou um pouco nervosa”, a atriz acabou confirmando no Twitter, após ser parabenizada pelo papel.
Muitos personagens do terceiro livro, no entanto, deverão ficar de fora da 3ª temporada, o que poderá provocar ondas de indignação dos fãs mais ardorosos. Mas o produtor David Benioff, em entrevista ao Entertainment Weekly, já começa a conscientizar a ala mais radical. “É importante ressaltar que temos o maior elenco da televisão já reunido até agora. Nós introduzimos dezenas de novos personagens na 2ª temporada e, se lançarmos mais 300 personagens para o público, a história entra em colapso sob tantos rostos, nomes e subtramas”, explicou o produtor, lembrando que nem todos leram os livros.
E não adianta ficar bravo com as dissidências entre a série televisiva e a obra literária, porque a adaptação é feita sob o aval do próprio George R. R. Martin, que é um dos produtores e colabora com os roteiros.
Para se ter uma ideia, o penúltimo episódio, “Blackwater”, sobre a grande batalha nos portões de Porto Real, é completamente diferente de como é narrada no livro “A Fúria dos Reis”, porém o episódio foi roteirizado pelo próprio escritor.
A 3ª temporada, por sinal, poderá ser bem menos fiel que sua origem literária, afinal o terceiro volume da saga “As Crônicas de Gelo e Fogo”, o livro “A Tormenta de Espadas”, também servirá de base para a 4ª temporada – que já foi confirmada. A estratégia é óbvia: frear o avanço da série televisiva em relação ao seu material de origem. Isso porque a gigantesca história criada por Martin tem previsão para ser concluída no sétimo livro, porém apenas cinco foram publicados – o autor é perfeccionista e demora vários anos para concluir cada obra.
E o autor faz questão de deixar claro que não tem qualquer previsão para concluir a história de Westeros, para desespero dos leitores e espectadores. “Minha preocupação principal não é cumprir prazos ou publicar um livro por ano, mas saber o quanto os livros serão bons”, disparou o escritor, em entrevista ao site de fãs Thronesblog.
“Quando estiver morto e enterrado, assim como Tolkien (autor de “O Senhor dos Anéis”), espero que as pessoas olhem para trás, leiam os livros e ainda possam se perguntar: ‘Foi bom ou foi ruim?’ e não ‘Ele os entregou no prazo ou não?’. Eu não sei quanto tempo Shakespeare levou para escrever cada peça, mas, em última análise, é o trabalho o que importa”, decretou. Enquanto os outros livros não saem, uma coisa é certa: abril de 2013 parece muito distante.








































3 Comentários
Sempre gostei de filmes medievais, até acho que nasci no século erado, por ser realmente apaixonado por esse tipo de filmes. Senhor dos Anéis ótimo filme, Coração de Dragão, maravilhoso e os efeitos especiais ótimos, e ouras tantas obras primas do cinema mundial. Mas é com grande satisfação que parabenizo o autor dos livros e diretores desta magnifica obra de arte que é GAME OF THRONES, a história, a trama, a realidade como as coisas eram vividas na época e a magia que da o retoque final. Só tenho a dizer parabéns e maravilhoso trabalho e expectativa pelos novos capítulos que estão por vir.
amo essa serie e nao vejo a hora de assistir a 3 temporada ..estou anciosa !!! Párabens pela serie ….
Muito bom tudo que vc colocou aqui sobre game of thrones. Estou lendo o terceiro livro das cronicas de gelo e fogo e muitas coisas me surpreenderam!!!
Aguardando ansiosa a terceira tempora!