True Blood: ainda mais sexo e monstros

COMIC-CON O criador de “True Blood”, Alan Ball, compareceu ao painel da série na Comic-Con acompanhado do elenco. Elenco, no caso, não é figura de linguagem. Estiveram presentes Anna Paquin, Stephen Moyer, Alexander Skarsgard, Ryan Kwanten, Rutina Wesley, Nelsan Ellis, Deborah Ann Woll, Kristin Bauer von Straten e Kevin Alejandro.

Mas não é de agora que “True Blood” é uma das sensações da convenção. Desde antes da estreia da série, nos remotos 2008, a HBO já investia pesado na convenção: naquele ano, foi uma das patrocinadoras da Comic-Con – mas não sob o nome do canal, e sim sob o nome do produto (fictício) Tru Blood, garrafas de sangue sintético que permitem que os vampiros saiam da clandestinidade e assumam seus papeis como membros produtivos da sociedade.

Trata-se de um argumento criativo para retrabalhar o mito dos vampiros, adaptado por Ball (Oscar de Melhor Roteiro por “Beleza Americana” e criador da série “A Sete Palmos”) dos livros de Charlaine Harris. Foi um sucesso instantâneo. Contudo, ainda que a audiência seja espantosa para as proporções do canal, “True Blood” chegou à sua 4ª temporada bombardeado de críticas. Os fãs estão mais viciados que nunca, mas, aos especialistas, o enredo descambou em uma 3ª temporada. Os novos episódios chegam com o desafio de reparar esses pontos e recobrar a reputação impecável.

As novidades da temporada começam pela amnésia do vampiro Eric (Skarsgaard), enfeitiçado por um culto de bruxas liderado pela excêntrica Marnie (Fiona Shaw). O novo Eric finalmente cai nas graças de Sookie (Paquin), a garçonete com sangue de fada que, pelo menos na 4ª temporada, terá cortado os vínculos com o ex, o vampiro Bill (Moyer).

O estado catatônico do personagem – e o fato do ator jamais vestir uma camisa – foi debatido no animado bate-papo entre a equipe da série e os fãs e jornalistas presentes.

“Sookie encontra Eric na floresta e ele está nu, e na casa dela só tem umas roupas de panaca, que talvez tenham pertencido ao Hoyt”, explica Skarsgaard sobre sua nova mania de andar descamisado e de bermudão como um lobisomem da “Saga Crepúsculo”.

“Acho que se traduzirmos do latim o feitiço que foi lançado contra o Eric, terá uma parte que o faz andar sem camisa e ficar insanamente sexy”, brincou Alan Ball, que além de criador da série, é seu principal produtor executivo.

Falando em sexy, os fãs podem esperar em breve uma cena de Eric e Sookie juntos debaixo do chuveiro. A pergunta foi ocasionada porque, nos livros de Harris, a cena acontece, e Ball costuma ser fiel à sua fonte de inspiração. “Teremos Eric e Sookie no chuveiro. Pode não ser exatamente como nos livros. Pode ser bem mais esquisito e sacana”, sugeriu o produtor.

Essa revelação foi apenas secundária frente às várias outras que surgiram na mesa. Como, por exemplo, a renovação quase certa para a 5ª temporada. A 4ª já foi inteirinha rodada, e Ball aproveita o hiato para desenvolver as histórias da seguinte. Ele antecipou que, no próximo ano, os fãs verão como Eric criou Pam (Bauer von Straten), sua vampira de estimação e eterna protegida.

A trama ganhará também um novo cenário – uma espécie de clube de striptease do submundo, onde criaturas não-humanas tiram a roupa por dinheiro! Nos livros, esse estabelecimento se chama Hooligans, como as torcidas organizadas e violentíssimas do futebol inglês. “Podemos não conservar o mesmo nome, mas certamente teremos esse lugar em que pessoas de ambos os sexos tirarão as roupas por um tipo de propósito sobrenatural”, garantiu Ball.

Mas nem precisa esperar tanto para encontrar novos personagens e situações. A 4ª temporada também tem sua cota de revelações. Como, por exemplo, a natureza de Sookie.

Ao falar sobre a personagem, Paquin concorda com uma declaração feita por Eric em um dos episódios – que o gene herdado das fadas, que permite a Sookie ouvir pensamentos e outras coisas, cria um conflito com a personalidade da moça. “De um lado ela é doce e inocente, mas outra parte dela quer sexo pervertido com vampiros em bases constantes – e possivelmente com mais de um vampiro”, sugeriu Paquin.

A separação de Sookie e Bill e a eventual aproximação dela e Eric significa, também, que Paquin não mais protagonizará cenas picantes apenas com Stephen Moyer, seu marido na vida real. Mas nem o casal, nem Skarsgaard, que se “intrometeu” entre eles na ficção, parecem preocupados com isso.

Paquin atestou que a reunião de Sookie e Bill não pode ser imediata, considerando que, ao final da 3ª temporada, a moça descobriu que o vampiro a estava espionando às ordens da Rainha de Nova Orleans (Evan Rachel Wood). “Muito se passou. Será uma estrada tortuosa até eles se acertarem”, disse a atriz.

“Até lá, há várias garçonetes telepatas no Sul dos EUA, vou só partir para a próxima”, brincou Moyer, com a esposa sentada ao lado.

Na tela, ela já deu o troco: em uma cena que já foi ao ar, Sookie aparece literalmente entre Eric, que está nadando pelado no rio, e o lobisomem Alcide (Joe Manganiello), que retornou à forma humana sem as roupas. “Foi uma festa de salsicha”, definiu a atriz. “Sou baixinha e Joe é bem mais alto que eu, então, em termos de proporção, quando eu me virava pra encará-lo… Digamos que foi bem esquisito, profissionalmente falando”, disse Paquin.

Além do trio principal, muita coisa interessante está se desenrolando também. A começar pela atração da vampira Jessica (Woll) e Jason (Kwanten), desde que ela curou os ferimentos do rapaz lhe dando o próprio sangue para beber. “Nós sabemos o que acontece quando alguém bebe sangue de vampiro”, disse Woll, referindo-se à atração física e aos delírios sexuais que se seguem à “transfusão”. “Mas estou mais interessada ainda em ver o que acontece quando o efeito do sangue passa”, completou a atriz.

Dos outros enredos, um dos mais intrigantes tem envolvido nada além de um bebê – o fruto de Arlene e Rene, o psicopata 1ª temporada, que tem dado indícios de ser uma legítima cria do capeta. Ball, porém, confirmou que o Mau parte não da criança, mas de uma horripilante boneca, que os fãs sabem muito bem qual é. “Nós vamos descobrir o que há naquela boneca que a torna tão sinistra. E, garanto, é muito sinistro mesmo”, disse o produtor, enigmático. Uma solução ideal para essa trama ao estilo “O Bebê de Rosemary”.

Com mais descontração, conversaram sobre a possibilidade de Tara (Wesley), que está explorando o lesbianismo, engrenar um caso com Pam, que também joga para os dois times. Infelizmente, Ball parece não ter cogitado essa direção.

Perguntaram ainda a Nelsan Ellis, o Lafayette, quem dos gostosões de “True Blood” o personagem – gay e espalhafatoso – escolheria. “Acho que Lafayette está muito feliz com Jesus (Alejandro) nesse momento”, respondeu Ellis. “Mas ah, quer saber, pegaria todos os quatro”, emendou o ator, bem humorado. “Isso é o que veremos na 6ª temporada”, completou Ball, entrando no clima.

Expandir a sua mitologia para agregar mais e mais bizarrices é algo que nunca foi problema para “True Blood” – e a série nem chegou perto de onde pretende ir. “Acredito que nós veremos espíritos sem corpos, quer vocês os chamem de fantasmas ou não”, adiantou Ball sobre o futuro.

“Também veremos relances de uma criatura, meio demônio meio qualquer coisa, algo com que o público vai se familiarizar ainda esse ano. E também abriremos terreno para muitas esquisitices na temporada seguinte”, garantiu. Pois é. Há muito tempo, “True Blood” não é mais sobre vampiros, preconceito social e sangue sintético. Agora, é tudo isso e muito – muito – mais.

+ Louis Vidovix

Louis Vidovix é publicitário, leitor voraz, cinéfilo incorrigível e fã das séries de TV. Expõe suas opiniões no blog Acho Melhor Não Ler

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