A primeira coisa que se lê nos créditos iniciais de “Incontrolável” é o aviso: baseado em fatos reais. Como a alertar o público – principalmente aqueles que não vivem nos EUA, de que o que virá a seguir, por mais que pareça absurdo, trata-se de eventos inacreditavelmente verdadeiros.
Um trem sem condutor, programado para ganhar velocidade, transporta em seu comboio material químico capaz de causar um acidente de proporções catastróficas. A empresa ferroviária, a polícia e entidades governamentais se mobilizam para evitar a tragédia, enquanto a mídia vorazmente registra tudo ao vivo para deleite do povo ávido (e aterrorizado) por um desastre. Mas serão dois meros funcionários – um engenheiro e um maquinista – que irão salvar o dia.
O final é feliz, todos sabem. O que conta nesta aventura dirigida por Tony Scott (“Déjà Vu”) é a adrenalina, liberada em ritmo acelerado durante aproximadamente 90 minutos de projeção.
Por causa do descuido de um funcionário e da negligência de outro, o trem parte da estação com velocidade crescente. Graças a artimanhas políticas dos responsáveis pela empresa – que temiam prejuízo – , o comboio não é parado em tempo hábil por métodos racionais, sugeridos pela chefe de operações (Rosario Dawson, de “O Balconista 2″). Impossibilitado de ser detido, o trem avança por cidades deixando pelo caminho o medo e a apreensão de todos que o acompanham.
Editado com um suspense típico dos telejornais da tarde, “Incontrolável” segue anunciando sua desgraça e apresentando seus personagens. Quase 50 minutos se passam até que os protagonistas, interpretados por Denzel Washington (“Déjà Vu”) e Chris Pine (“Star Trek”), consigam a chance de bancarem os heróis. Mas pela meia hora a seguir a ação ininterrupta deixará o público preso à poltrona em estado de alerta. É até engraçado como uma montagem frenética e efeitos sonoros competentes levam multidões a torcer por algo que sabem exatamente como terminará.
Quem procurar algo de substancial em “Incontrolável” se decepcionará. Típica fita de ação dos anos 80, a produção apenas sai do raso quando promove uma passageira reflexão sobre o impacto da mídia e a velocidade da informação nos dias atuais. Boa parte das cenas são vistas pela platéia pelas câmeras de televisão, que reportam em tempo real a ação transcorrida.
Com um roteiro fraco e completamente previsível – os dois heróis possuem dramas familiares que servirão de base para a motivação de seus atos – coube ao diretor Tony Scott apostar na ação para garantir a atenção do espectador. É assombrosa sua competência para filmar o trem em disparada. Tomadas de tirar o fôlego garantem o suspense que facilmente envolverá a platéia.
“Incontrolável” é, como perdão do trocadilho, um filme de ação desenfreada. Tony Scott consegue cumprir o que seu longa promete: diverte bastante sem exigir esforço mental da platéia.
Apesar de possuir títulos cultuados em seu currículo, como “Fome De Viver”, “Top Gun – Ases Indomáveis” e “Amor à Queima-Roupa”, Scott (que acumula funções de produtor, roteirista e até mesmo ator), fez seu nome em Hollywood com um leque considerável de fitas de ação. São dele por exemplo, “Chamas da Vingança” (2004), “Déjà Vu” (2006) e “O Sequestro do Metrô 123″ (2009), só para citar os mais recentes estrelados por seu ator favorito, Denzel Washington.
Aqui ele deixa de lado a direção de atores para se concentrar num verdadeiro vilão de ferro. Seu trem não causa a mesma aflição que aquele ônibus dirigido por Keanu Reeves em 1994, mas consegue ser bem mais eficiente que o navio comandado por Sandra Bullock na desastrosa continuação de “Velocidade Máxima”. Pode-se culpar o diretor por reciclar fórmulas e desgastar ainda mais a imagem de seu protagonista como herói, mas nunca por deixar seu público entediado.
Incontrolável
(Unstoppable, EUA, 2010)



































