O que caracteriza a comédia “Um Divã para Dois” é a ausência de pretensões e de afetação. Trata-se de um filme pequeno, no sentido de ser uma produção modesta, apenas com um fio de história que, além de tudo, se mostra banal e corriqueira.
Com mais de 60 anos de idade, um casal americano de classe média percebe que a base afetiva de seu casamento já caducara. Ao se dar conta disso, a esposa obriga o marido a largar a firma de contabilidade durante uma semana para que ambos experimentem uma vivência com um terapeuta de casais em outra cidade. É só isso, ou seja, o roteiro coincide passo a passo com as etapas desse tratamento.
Pode ser que a roteirista Vanessa Taylor (das séries “Alias”, “Everwood” e “Game of Thrones”), acostumada a redigir séries para a TV, tenha enfrentado dificuldades em convencer o diretor David Frankell (de “O Diabo Veste Prada”) a aceitar o projeto, ou vice versa. No entanto, os protagonistas Meryl Streep (“A Dama de Ferro”) e Tommy Lee Jones (franquia “Homens de Preto”) se mostram dispostos a provar aqui que fazer o papel de gente comum pode ser mais complicado e difícil do que interpretar personagens de grande porte, como primeiras ministras ou agentes secretos.
Imaginem a dificuldade de exprimir e dar vida a figuras que passam a maior parte do filme travadas, praticamente mudas diante de um psicólogo.
No papel do psicólogo, Steve Carell (“Amor a Toda Prova”) lhes bombardeia com perguntas das mais embaraçosas, como qual foi a última ocasião em que transaram, ou o por que se considera um homem casado. Ao que o marido responde “porque tenho uma certidão e pago as despesas da casa”.
É incrível, mas essa dupla de atores não só da conta do recado como nos obriga a recomendar o filme pela excelência de seu trabalho.
Um Divã para Dois
(Hope Springs, EUA, 2012)
Lançamento em DVD e Blu-ray


































