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    Helmut Berger, astro dos filmes de Visconti, morre aos 78 anos

    18 de maio de 2023 /

    O austríaco Helmut Berger, um dos mais famosos atores do cinema europeu na década de 1960 graças a colaborações marcantes com o diretor Luchino Visconti, morreu de maneira inesperada” na madrugada desta quinta-feira (18/5), aos 78 anos. Ele estava em casa, em Salzburg, e faleceu por volta das 4h (hora local). A notícia foi anunciada pelo agente do ator, que escreveu que ele faleceu “pacificamente, mas ainda assim inesperadamente” no site de sua empresa de gerenciamento. Nascido na Áustria em 1944, Berger mudou-se para Roma e começou a seguir uma carreira de ator depois de expressar desinteresse em seguir os passos de seus pais na indústria hoteleira. Inicialmente, ele conseguiu trabalho como figurante antes de conhecer Visconti em 1964. O diretor de “Rocco e Seus Irmãos” deu a Berger um pequeno papel em seu filme de 1967, “As Bruxas”, uma antologia também dirigida por mestres como Vittorio De Sica e Pier Paolo Pasolini. A partir dali, Berger e Visconti iniciaram uma relação profissional – e também romântica – que acabou impactando o cenário do cinema europeu na década seguinte. Os papéis mais significativos de Berger vieram em dois dos projetos seguintes de Visconti: “Os Deuses Malditos” (1969) e “Ludwig: A Paixão de um Rei” (1973). No filme de 1969, Berger interpretou um herdeiro fictício desequilibrado de um império siderúrgico na Alemanha nazista, disposto a dobrar seus princípios morais e fazer negócios com Hitler para satisfazer seus desejos por dinheiro e poder (entre outras coisas). Três anos depois, ele retratou o infame “rei cisne”, Ludwig II da Baviera, em um filme que explorava a obsessão do monarca tardio pela extravagância e pelo estilo de vida opulento que acabou levando-o a ser declarado insano. Ambos os filmes mostraram Berger interpretando homens poderosos com sexualidades ambíguas, o que o ajudou a estabelecer-se como um dos símbolos sexuais mais notáveis de sua época – época da explosão do glam rock e do visual andrógino. Ele voltou a colaborar com Visconti em “Violência e Paixão” (1974), como o homem mais jovem por quem Burt Lancaster, no papel de um professor envelhecido, desenvolve um relacionamento próximo. Muitos interpretaram o projeto como uma alegoria para o relacionamento próximo que Visconti e Berger desenvolveram ao longo de uma década de trabalho juntos. Foi o penúltimo filme de Visconti antes de sua morte em 1976 e o último projeto em que os dois trabalharam juntos. O ator também trabalhou com Vittorio De Sica no clássico “O Jardim dos Finzi Contini” (1970), sobre uma família judia que vê seu estilo de vida milionário transformado em pesadelo com a chegada do nazismo. Estrelou ainda a melhor adaptação do clássico de Oscar Wilde, “O Retrato de Dorian Gray” (1970), dirigida por Massimo Dallamano, e o giallo sangrento “Uma Borboleta com as Asas Ensanguentadas” (1971), de Duccio Tessari, antes de estrear em produções de língua inglesa. Berger contracenou com Elizabeth Taylor no suspense “Meu Corpo em Tuas Mãos” (1973) e com Glenda Jackson na comédia “A Inglesa Romântica” (1976), além de ter desempenhado um papel importante em “O Poderoso Chefão III” (1990), de Francis Ford Coppola, como um banqueiro do Vaticano que tenta dar um golpe na família Corleone. Também fez filmes em francês e alemão, e após uma série de problemas de saúde, anunciou sua aposentadoria em novembro de 2019. Considerado um dos homens mais bonitos de seu tempo, ele foi abertamente bissexual e manteve relacionamentos estáveis com Visconti e a atriz Marisa Berenson. Entre outros, relacionou-se também com Rudolf Nureyev, Britt Ekland, Ursula Andress, Nathalie Delon, Tab Hunter, Florinda Bolkan, Elizabeth Taylor, Marisa Mell, Anita Pallenberg, Marilu Tolo, Jerry Hall e o casal Bianca e Mick Jagger, até se casar com a escritora italiana Francesca Guidato em 19 de novembro de 1994. O agente de Berger disse que “ele desfrutou de seu lema ‘La Dolce Vita’ ao máximo durante toda a vida”. Ele citou o ator, ao lembrar o que ele lhe disse há muitos anos: “Vivi três vidas e em quatro idiomas! Je ne pesarte rien!”. Traduzindo: “Tô leve”.

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    Silvana Pampanini (1925 – 2016)

    6 de janeiro de 2016 /

    Morreu a atriz Silvana Pampanini, a “Bela de Roma”, musa do cinema italiano do pós-guerra. Desde outubro, a atriz vinha sofrendo com problemas de saúde e estava internada no Hospital Gemelli, em Roma, em terapia intensiva, após passar por uma cirurgia abdominal de urgência. Ela faleceu nesta quarta-feira (6/1), aos 90 anos de idade. Pampanini nasceu em Roma em 25 de setembro de 1925 e se tornou conhecida no concurso Miss Itália de 1946, quando sua derrota virou comoção nacional. A popularidade conquistada lhe valeu convites para o cinema, onde sua beleza marcou época. Ela estreou como figurante em “Apocalipse” (1947), de Giuseppe Scotese, mas logo em seguida protagonizou seu primeiro longa, “O Segredo de Don Juan” (1947). Ela estrelou vários romances e comédias, como “Até a Vista Papai” (1948), “Messalina e o Bombeiro” (1949), “Vulcão de Paixões” (1949) e “O Homem da Caixinha” (1950), vindo a explodir como sex symbol em 1950, ao aparecer de topless e visual pin-up em “O 13º Homem”, de Mario Mattoli. A reputação de sedutora voltou a ser explorada em “Bellezze in Bicicletta” (1951), de Carlo Campogalliani, “O.K. Nero!” (1951), de Mario Soldati, “Mercado de Mulheres” (1952), de Luigi Comencini – que tinha Sophia Loren como figurante! – e principalmente “A Mulher que Inventou o Amor” (1952), de Ferruccio Cerio, repleto de cenas de Pampanini em roupas íntimas. O sucesso dos papeis sedutores a tornou assediadíssima, levando-a a recusar muitos trabalhos. Mesmo assim, nos três anos seguintes, ela apareceu em nada menos que 20 filmes – praticamente um quarto de sua filmografia completa – , entre eles “Coração de Mulher” (1953), do mestre Giuseppe De Santis, “Nós, Os Canibais” (1953), de Antonio Leonviola, “Adorável Inimiga” (1953), ao lado de Buster Keaton, “Voragem” (1953) e “Escrava!” (1954), ambos de Raffaello Matarazzo, “A Princesa das Canárias” (1954), de Paolo Moffa e Carlos Serrano de Osma, “A Pecadora da Ilha” (1954), de Sergio Corbucci, “A Torre do Prazer” (1955), de Abel Gance, e “A Bela de Roma” (1955), novamente com Comencini. O detalhe é que, em cada obra, ela se mostrava ainda mais sensual. Não por acaso, virou a cabeça de muitos colegas. A fofoca mais famosa pôs fim ao casamento do comediante Totó, que se derreteu pela atriz durante as filmagens de “O Homem da Caixinha”. Ela também contracenou com Vittorio De Sica, Vittorio Gassman, Marcello Mastroianni e Alberto Sordi, além de cruzar fronteiras em sua carreira internacional, tornando-se conhecida como “Ninì Pampan” na França, onde coestrelou produções com Jean Gabin e Henry Vidal. No Japão, o imperador Hirohito a presentou com bonecas e samurais. Foi assediada até por Hollywood, mas se viu obrigada a recusar os convites para estrelar filmes americanos por não falar inglês. O frenesi, porém, tinha data de validade. Ao se aproximar dos 40 anos de idade, durante a década de 1960, as ofertas de papéis diminuíram. Ela ainda fez algumas comédias sexuais de sucesso no período, como “O Caradura” (1964), de Dino Rissi, antes de ser eclipsada pela nova geração de musas italianas, mais jovens e ainda mais provocantes. Até seu último filme, em 1971, ela apareceu em mais de 60 longas, celebrizando-se como precursora de uma geração de atrizes italianas que incendiaram o mundo por sua beleza e talento.

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    Maria Schneider (1952 – 2011)

    3 de fevereiro de 2011 /

    A atriz francesa Maria Schneider morreu nesta quarta (3/2) em Paris, de câncer, aos 58 anos. Ela ficou internacionalmente conhecida por seu papel no drama “O Último Tango em Paris” (1972), que a transformou em ícone sexual dos anos 70. Nascida Marie Christine Gélin em Paris, Maria Schneider era filha de uma modelo de origem romena e do ator Daniel Gélin, que nunca a reconheceu, e fez pequenos papéis num punhado de filmes, antes de estourar em “O Último Tango em Paris”. Maria só conheceu o pai aos 15 anos, quando fugiu de casa, mas a filiação a ajudou a conseguir emprego no cinema, como figurante, aos 17 anos. Ela estreou sem receber créditos no filme “Les Femmes” (1969). Seu nome não apareceu nas telas, mas foi reconhecido por Brigitte Bardot, a estrela do filme, que era amiga de seu pai. Sabendo de sua história, a estrela a convidou morar em sua mansão. Graças a Brigitte, Maria conheceu diversas personalidades da indústria cinematográfica. Warren Beatty a apresentou à agência de talentos William Morris, que fez subir seu status: de figurante sem falas, tornou-se coadjuvante sem nome em “Madly” (1970), estrelado por Alain Delon, e finalmente uma adolescente sexy e rebelde em “Les Jambes en l’Air” (1971) – praticamente, uma jovem Brigitte Bardot. Ela estava empolgada em fazer um novo filme com Delon, então o maior galã da França, quando veio a oferta para estrelar “O Último Tango em Paris”. Seu primeiro impulso, ao ler o roteiro, foi recusar o papel, mas a agência William Morris lhe aconselhou o contrário: “É um papel de protagonista ao lado de Marlon Brando — você não pode recusar.” A atriz foi selecionada pelo cineasta Bernardo Bertolucci aos 19 anos, após vê-la na casa de Brigitte Bardot. Bertolucci se encantou com aquela jovem ainda desconhecida, que circulava com intimidade pelos quartos da maior estrela da França, acreditando que possuía uma beleza angelical capaz de incendiar o mundo. E tratou de despir seu corpo, para contar uma história tórrida, sobre uma adolescente e um viúvo americano de passagem por Paris, que transam sem se conhecer. Foi um escândalo. Por conta das cenas de nudez frontal e uma sequência picante, envolvendo manteiga e sodomia, o maior sucesso de Maria Schneider se tornou também um dos mais filmes polêmicos de sua época. Não por acaso, “O Último Tanto em Paris” ficou proibido de ser exibido no Brasil por quase uma década, censurado pela ditadura militar. A fama do filme também pesou sobre a carreira da atriz, que passou a receber sempre ofertas de papéis de devassa. Dizendo-se manipulada por Bertolucci e traumatizada pelas cenas mais violentas – o estupro com manteiga não estava originalmente no roteiro e foi improvisado por Brando – , ela jurou nunca mais tirar as roupas no cinema e evitou falar sobre “O Último Tanto em Paris” por boa parte de sua vida. Quando voltou a falar do filme, não teve palavras gentis. Em 2007, ela revelou, numa entrevista: “Marlon me disse na ocasião da cena com a manteiga: ‘Maria, não se preocupe, é apenas um filme’. Mas durante a cena, ainda que não fosse real, eu chorei lágrimas verdadeiras. Eu me senti humilhada e, para ser honesta, um pouco estuprada por Brando e por Bertolucci. Eu devia ter chamado meu agente ou um advogado, porque não sabia se devia fazer uma cena que não estava no roteiro. E, depois da cena, Marlon não me consolou nem se desculpou. Felizmente, tudo durou apenas um take”. Sem tirar as roupas, ela estrelou outra produção importante de mais um proeminente cineasta italiano: “Profissão: Repórter” (1975), de Michelangelo Antonioni, em que atuou ao lado de Jack Nicholson. Obra de fotografia sublime, “Profissão: Repórter” deveria ter estabelecido Maria Schneider como uma das maiores estrelas da Europa. Mas Nicholson, que era um dos produtores, não quis que o filme tivesse um grande lançamento comercial, controlando sua distribuição para garantir que ele fosse apreciado como um “filme de arte”. A atriz também estrelou “La Baby Sitter” (1975), último filme do mestre francês René Clément, que infelizmente fracassou nas bilheterias, uma maldição que acompanhou todo o resto de sua carreira. Ela se envolveu com drogas, passou a ter comportamento errático e desenvolver fama de excêntrica. Em 1975, declarou-se bissexual. Escalada para viver uma das personagens principais de “Caligula” (1979), o épico erótico mais caro do cinema, deu chilique, disse que não tiraria a roupa nas filmagens e acabou demitida. Saiu dos sets de filmagem diretamente para uma clínica psiquiátrica em Roma, onde passou vários dias acompanhada por uma mulher descrita como sua amante. Sua recusa em fazer cenas de nudez também a levou a ser despedida do clássico “Esse Obscuro Objeto do Desejo” (1977), de Luis Buñuel. E houve também uma passagem escandalosa pelo Brasil, em que ela veio filmar no Rio, com a diretora Ana Carolina, surtou e largou a produção antes mesmo de começarem as filmagens. Numa entrevista dada mais tarde, Maria assumiu ter “perdido sete anos” da sua vida, entre o vício em heroína, overdoses, uma tentativa de suicídio e um internamento psiquiátrico. Ao se recusar a mostrar o corpo, ela acabou por enveredar pelo nascente cinema feminista. Auxiliou o despertar sexual de uma dona de casa oprimida em “Io Solo Mia” (1978), drama pioneiro por ter uma equipe técnica composta só por mulheres, da diretora Sofia Scandurra à assistente de iluminação. Assumiu um romance lésbico com a holandesa Monique van de Ven no avançado “Een vrouw als Eva” (1979), um dos primeiros a mostrar de forma positiva um casal de lésbicas. Interpretou ainda uma prostituta sofrida em “La Dérobade” (1979), que lhe rendeu uma indicação ao César (o Oscar francês). Mas, paradoxalmente, encerrou sua década de glória como vítima de “Mama Dracula” (1980), uma vampira que precisava do sangue de jovens virgens, numa das piores interpretações de sua filmografia. O despertar feminista teria sido motivado pelo grande amor de sua vida, a quem ela mencionava apenas como “meu anjo”, sem entrar na polêmica do sexo do anjos – embora as colunas de fofoca apontassem ser a herdeira americana Joan “Joey” Townsend. Maria Schneider continuou a aparecer no cinema e na TV até 2008, quase sempre em papéis secundários – entre eles, o da esposa insana de Edward Rochester na versão de Franco Zeffirelli para o romance gótico “Jane Eyre” (1996). Zeffirelli também lhe ofereceu o papel de Maria em sua minissérie “Jesus de Nazaré” (1977), mas ela recusou, prevendo a polêmica – uma decisão da qual ela se arrependeu. Embora seja sempre lembrada pelo escândalo de “O Último Tanto em Paris”, a atriz emplacou outros cults em sua filmografia. Além dos dramas feministas já citados, fez o suspense surreal “Merry-Go-Round” (1981), do mestre francês Jacques Rivette, e a sci-fi “Bunker Palace Hotel” (1989), do autor de quadrinhos Enki Bilal, um dos fundadores da revista “Metal Hurlant” (“Heavy Metal” nos EUA e resto do mundo). Seu último filme foi “Cliente” (2008), de Josiane Balasko. Na ocasião, lhe perguntaram que conselho daria para as jovens atrizes que estavam começando. “Nunca tire as roupas para velhos safados que dizem que isso é arte”, foi sua resposta.

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