Candidato brasileiro ao Oscar, Pequeno Segredo é melodrama convencional
Membro da família de velejadores Schurmann, David Schurmann já havia se prontificado a levar para os cinemas detalhes de suas expedições com o documentário “O Mundo em Duas Voltas” (2007). Em “Pequeno Segredo”, escolhido para representar o Brasil na busca por uma indicação ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira, o diretor volta a resgatar as memórias de sua família, especialmente de sua irmã adotiva, desta vez como ficção. Mas em vez de suas aventuras marítimas pelo mundo, foca um drama particular narrado por sua mãe Heloisa no livro “Pequeno Segredo – As Lições de Kat para Família Schurmann”. Mesmo o mais desinformado dos espectadores sabe que o centro da trama é a enfermidade carregada por Kat (Mariana Goulart), pré-adolescente que acredita ingerir vitaminas para controlar uma hepatite. Adotada por Heloisa (Julia Lemmertz) e Vilfredo (Marcello Antony), Kat tem os detalhes de sua concepção recriados aos poucos em “Pequeno Segredo”. Graduado em cinema e televisão na Nova Zelândia, David Schurmann sugere ter grande afeto por filmes corais, aqueles em que alguns personagens desconhecidos entre si se conectam em uma narrativa não linear. É um desafio gerenciar indivíduos de personalidades distintas em linhas temporais diversas e, mesmo que Schurmann tenha a facilidade de lidar com apenas dois núcleos familiares, há uma regra sagrada não respeitada em “Pequeno Segredo”: o fator surpresa. Fracassando ao pretender que o “pequeno segredo” nos seja revelado na mesma altura em que Kat descobre o que condenará a sua existência (uma pista jogada no primeiro ato trata de destruir qualquer apreensão que esse mistério provocaria), a condução de Schurmann se sabota na tentativa de respeitar as regras mais básicas da cartilha do melodrama. É um filme que não tem vergonha de admitir que foi feito para emocionar, mas que não sabe até onde apelar para fazê-lo. Além da estrutura, dessas que ainda lidam com dados do passado já descortinados pelo presente, outro problema no filme vem a ser a construção de personagens. O senso de desprendimento dos Schurmann foi substituído por um novo estilo de vida em que Kat é uma prioridade 24 horas por dia. Já os pais biológicos da garota (interpretados por Maria Flor e Erroll Shand) contam com preocupações como o bem-estar próprio e alheio, assim como os dilemas de abandonar ou se manter em seus locais de origem. Mas são logo descartados quando os Schurmann assumem um protagonismo mais evidente. Lamentavelmente, o trabalho mais ingrato recai justamente nos ombros da irlandesa Fionnula Flanagan, excelente veterana, mais conhecida por filmes como “Mães em Luta” e “Os Outros”, bem como por sua participação especial no seriado “Lost”. No papel da avó biológica de Kat, a atriz precisa se virar com falas desprezíveis e ainda é submetida a uma redenção a partir de um monólogo sobre o que é amar, que jamais compramos. É preciso coragem para tornar pública uma história dolorosa e privada e David Schurmann busca compartilhar a de sua irmã com carinho e ênfase em valores, que deseja que o público carregue consigo após a sessão. No entanto, também é preciso um amadurecimento profissional que nenhuma credencial para tentar uma vaga no Oscar é capaz de substituir. Talvez fosse melhor ter repassado a história de Kat para outro diretor que não se preocupasse tanto em higienizar a tela e enfeitá-la com borboletas.
Pequeno Segredo estreia apenas numa cidade gaúcha para cumprir regra do Oscar
Escolhido para representar o Brasil no Oscar 2017, na disputa por uma vanga na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, “Pequeno Segredo” será lançado nesta quinta-feira (22/9) com exclusividade na cidade de Novo Hamburgo, próxima a Porto Alegre, mantendo uma sessão diária na rede Cinespaço, no shopping Bourbon. Desta forma, o longa dirigido por David Schurmann conseguirá cumprir uma regra obrigatória para se qualificar ao Oscar, de estrear em pelo menos uma sala do circuito comercial do país até o dia 30 de setembro deste ano. Aparentemente, não há nenhum motivo específico para Novo Hamburgo ter sido a cidade escolhida para receber essa estreia antecipada, já que a história da família Shurmann, retratada na tela, tem ligação mais forte com Florianópolis. Com isso, a estreia em grande circuito fica mantida para 10 de novembro. Antes, porém, o filme será exibido na mostra não-competitiva do Festival do Rio. Esta não é a primeira vez que um filme escolhido como representante do Brasil no Oscar adota essa estratégia. “Tropa de Elite”, em 2007, e “Última Parada 174”, em 2008, também fizeram o mesmo. Veja o trailer e saiba mais sobre “Pequeno Segredo” aqui.
Pequeno Segredo: Veja o trailer e 22 fotos do candidato brasileiro à vaga no Oscar 2017
A Diamond Filmes divulgou o trailer, o pôster oficial e as fotos de “Pequeno Segredo”, que vai representar o Brasil na disputa por uma vaga na categoria de Melhor Filme de Língua Estrangeira do Oscar 2017. A prévia chama atenção pela plasticidade da direção de fotografia do peruano Inti Briones, que já foi premiado no Festival de Veneza por seu trabalho em “Las Niñas Quispe” (2013), e também aponta um cuidado na apresentação da trama, evitando a manipulação habitual dos melodramas de doença. O filme é um projeto bastante pessoal do diretor David Schurmann, pois se baseia numa história verídica de sua família, conhecida por navegar o mundo. A trama gira em torno da garotinha Kat, filha adotiva de Heloisa e Vilfredo Schurmann. Ao adotá-la, o casal convive com a delicada escolha de manter ou não um segredo que vai além da adoção. A história inspirou também o livro best-seller “Pequeno Segredo: A Lição de Vida de Kat para a Família Schurmann” (2012), escrito por Heloisa, a mãe do diretor. O diretor catarinense já tinha registrado as aventuras mundiais de sua família em dois documentários e numa série do “Fantástico”. Seu novo filme, porém, é um drama de ficção e possui um elenco internacional, formado por Julia Lemmertz (“Meu Nome não é Johnny”), Marcello Antony (“A Partilha”), Maria Flor (“360”), a irlandesa Fionnula Flanagan (“Divinos Segredos”) e o neozelandês Erroll Shand (“Meu Monstro de Estimação”), além de marcar a estreia da menina Mariana Goulart, no papel de Kat Schurmann. Já a equipe de produção traz, além de Briones, os premiados Antonio Pinto (que assinou a trilha do documentário vencedor do Oscar em 2016, “Amy”) na trilha sonora e Brigitte Broch (vencedora do Oscar por “Moulin Rouge”) na direção de arte. O roteiro é assinado por Victor Atherino (“Faroeste Caboclo”), Marcos Bernstein (“Central do Brasil”) e pelo próprio diretor. A estreia está marcada para 10 de novembro, mas terá que ser adiantada para no máximo 23 de setembro, visando cumprir as regras da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, sob o risco de o filme ser desqualificado.
Quatro Vidas de um Cachorro: Drama metafísico canino ganha trailer legendado
A Universal Pictures divulgou o cartaz nacional e o trailer legendado do filme “A Dog’s Purpose”, que ganhou o título em português “Quatro Vidas de um Cachorro”. A prévia é a mesma disponibilizada no mercado americano, que, basicamente, dispensa o espectador de ver o filme, já que conta a história completa. O material de imprensa nacional ainda inclui uma desinformação, ao destacar que a voz do cachorro é feita por Bradley Cooper. Mas ele foi substituído na produção por Josh Gad (“Pixels”), bastante cotado como dublador – ele deu voz ao boneco de neve Olaf na animação “Frozen – Uma Aventura Congelante” e ao passarinho Chuck em “Angry Birds – O Filme” (2016). A trama acompanha a vida de um homem chamado Ethan, da infância à meia idade, pelo ponto de vista de seu simpático cachorrinho, que pensa em voz alta, travando vários diálogos existenciais consigo mesmo. A ideia, por sinal, soa estranhamente como o cruzamento da narrativa metafísica de “A Árvore da Vida” (2011) com o dilema do cachorro de “Lembranças de Outra Vida” (1995). Trata-se de uma drama metafísico canino, que acompanha o cachorro por, como diz o título nacional, quatro vidas. Isto mesmo. O filme mostra o cachorro renascendo cada vez como uma raça diferente, mas sempre como um espécime da canina e sem perder suas memórias, para que, um dia, encontre seu propósito, enquanto segue fazendo diferença na vida dos mais diversos humanos. O final feliz se dá com seu reencontro com o menino do começo do filme, que virou um adulto de meia idade após tantos anos. Está tudo ali no trailer, o filme completo, com direito a cenas do primeiro namoro de Ethan, ainda adolescente, e o reencontro com a amada muitos anos depois, sempre com o auxílio do cachorro-cupido. O curioso é que, apesar dessa descrição, a história não parece exatamente uma comédia infantil/produção espírita, embora a prévia apresente trechos divertidos/espirituais. Na verdade, algumas cenas marejam os olhos, evocando momentos dramáticos dignos de “Marley e Eu” (2008). O elenco destaca Bryce Gheisar (série “Walk the Prank”), K.J. Apa (o Archie da vindoura série “Riverdale”) e Dennis Quaid (“Conspiração e Poder”) como o protagonista em três fases diferentes da história, enquanto Britt Robertson (“Tomorrowland”) e Peggy Lipton (“Quando em Roma”) vivem sua paixão na trama. A direção é do sueco Lasse Hallström que, por coincidência, tornou-se internacionalmente conhecido com um filme chamado “Minha Vida de Cachorro” (1985). Detalhe: aquele filme (belíssimo, por sinal) não tinha cachorro nenhum. A estreia de “Quatro Vidas de um Cachorro” está marcada para 26 de janeiro no Brasil, um dia antes do lançamento nos EUA.
A Dog’s Purpose: Veja o inacreditável trailer de drama metafísico canino que conta toda a história do filme
A Universal Pictures divulgou o pôster, quatro fotos e o primeiro trailer do filme “A Dog’s Purpose”, que, basicamente, dispensa o espectador de ver o filme, já que conta a história completa. A prévia soa estranhamente como o resultado do cruzamento da narrativa metafísica de “A Árvore da Vida” (2011) com o dilema do cachorro de “Lembranças de Outra Vida” (1995). Trata-se de uma drama metafísico canino. Exatamente. A trama acompanha a vida de um homem chamado Ethan, da infância à meia idade, pelo ponto de vista de seu simpático cachorrinho, que pensa em voz alta, travando vários diálogos existenciais consigo mesmo. Claro que cachorros não viram filósofos, muito menos vivem tanto assim, mas a trama resolve o segundo problema interrompendo a convivência por várias reencarnações. Isto mesmo. O bichinho vive outras vidas, renascendo cada vez como uma raça diferente, mas sempre como cachorro e sem perder suas memórias, para que, um dia, encontre seu propósito. E, no meio tempo, segue fazendo diferença na vida dos mais diversos humanos. Até reencontrar o menino do começo do filme, já como um adulto de meia idade. The end. Está tudo ali no trailer, o filme completo, com direito ao primeiro encontro romântico do dono, então adolescente, o namoro e o reencontro com a amada muitos anos depois, sempre com o auxílio do cachorro-cupido. O curioso é que, apesar dessa descrição, a história não parece exatamente uma comédia infantil/produção espírita, embora a prévia apresente trechos divertidos/espirituais. Na verdade, algumas cenas marejam os olhos, evocando momentos dramáticos dignos de “Marley e Eu” (2008). O elenco destaca Bryce Gheisar (série “Walk the Prank”), K.J. Apa (o Archie da vindoura série “Riverdale”) e Dennis Quaid (“Conspiração e Poder”) como o protagonista em três fases diferentes da história, enquanto Britt Robertson (“Tomorrowland”) e Peggy Lipton (“Quando em Roma”) vivem sua paixão na trama. O cachorro, por sua vez, é dublado por Josh Gad (que também foi o voz original de Olaf, na animação “Frozen”). A direção é do sueco Lasse Hallström que, por coincidência, tornou-se internacionalmente conhecido com um filme chamado “Minha Vida de Cachorro” (1985). Detalhe: aquele filme (belíssimo, por sinal) não tinha cachorro nenhum. A estreia de “A Dog’s Purpose” está marcada para 26 de janeiro no Brasil, um dia antes do lançamento nos EUA.



