Morreu a atriz alemã Susanne Lothar, que se destacou em papeis recorrentes na filmografia do cineasta Michael Haneke (“A Fita Branca”) e era considerada uma das melhores atrizes alemãs em atividade. Um advogado da família divulgou a notícia de sua morte sem revelar a causa, segundo ele por “questões compreensíveis”. A atriz tinha apenas 51 anos.
Nascida em 15 de novembro de 1960, Susanne sempre teve incentivos artísticos por parte de seus pais, os atores Hanns Lothar (“O Cupido Não Tem Bandeira”) e Ingrid Andree (“Nachts ging das Telefon”). Ela cursou artes dramáticas na Escola de Teatro e Música de Hamburgo e fez parte da companhia Deutsches Schauspielhaus em Hamburgo por muitos anos, ganhando destaque em peças como “O Espírito da Terra” e “A Caixa de Pandora”, ambas baseadas na obra do lendário dramaturgo alemão do século 19 Frank Wedekind.
Lulu
Seu primeiro filme foi “Strange Fruits” (Eisenhans), do diretor Tankred Dorst, em 1983, cujo papel lhe rendeu o prêmio de Melhor Atriz Iniciante no German Film Awards. A partir de então, passou a estrelar produções televisivas, como o telefilme “Lulu”, também baseado na obra de mesmo nome de Wedekind. Participou também por cinco vezes, em diferentes papéis, da duradoura e popular série policial alemã “Tartot”, entre 1993 e 2008, e nas minisséries italianas “Il Giovane Mussolini” e “L’Ispettore Sarti”, ambas de 1993. Ela também fez vários telefilmes, entre eles “Die Jüdin von Toledo” (1991), no qual contracenou com o ator Ulrich Muhe, iniciando a parceria mais importante de sua vida.
Mas não abandonou o cinema. No ano anterior, ela estrelou o filme “The Mountain” (Der Berg), de Marcus Imhoof, exibido no Festival de Berlim. E manteve-se ativa em obras de menor repercussão.
The Mountain
Susanne colaborou pela primeira vez com o diretor Michael Haneke no filme “O Castelo” (Das Schloß, 1997), adaptado da obra do autor Franz Kafka. Na trama, ela trabalha na taberna de uma cidadezinha remota, servindo o ator Ulrich Muhe, que se torna fascinado por um misterioso castelo que não consegue visitar, apesar de suas muitas tentativas. Embora tenha recebido pouco destaque em sua estreia, “O Castelo” iniciou uma parceria duradoura entre a atriz e o cineasta.
Uma das razões pelas quais “O Castelo” teve pouca repercussão se deve ao lançamento quase simultâneo de outro filme de Haneke, estrelado pelo mesmo casal de atores, e que se tornou um dos grandes destaques daquele ano. Susanne e Ulrich interpretaram marido e mulher no transgressor “Violência Gratuita” (Funny Games, 1997), em que são torturados física e psicologicamente por uma dupla de rapazes perversos. A família, que inclui o filho pequeno do casal, é submetida a jogos doentios, torturada e morta. O impacto é amplificado pela performance desesperadora da atriz, que ajudou “Violência Gratuita” a ser aclamado em diversos festivais, inclusive Cannes.
O Castelo
No mesmo ano, Susanne e Ulrich voltariam a se juntar novamente. Desta vez no altar. Os dois se casaram entre as filmagens dos projetos de Hanneke, estabelecendo uma parceria dentro e fora da tela, que superaria, inclusive, a morte.
A atriz voltou a trabalhar com o diretor em “A Professora de Piano” (Le Pianiste, 2000), onde falava francês, e “A Fita Branca” (Das Weiße Band, 2009), que rendeu ao cineasta sua primeira Palma de Ouro em Cannes. Por “A Fita Branca”, Susanne também recebeu sua última indicação ao German Film Awards, dessa vez na categoria de Melhor Atriz.
Violência Gratuita
Entre outros projetos de destaque, estão sua colaboração com o mestre Costa Gavras no filme “Amém” (Amen, 2002), que foi exibido no Festival Berlim, e o filme indicado ao Oscar “O Leitor” (The Reader, 2009), do inglês Stephen Daldry Ambos eram estudos controversos sobre o impacto do nazismo.
Entre seus últimos trabalhos, destaca-se ainda “Se Não Nós, Quem?” (Wer Wenn Nicht Wir, 2011), de Andres Veiel, sobre o grupo terrorista alemão Baader-Meinhof.
A Fita Branca
Seu marido, Muhe, também teve uma carreira de sucesso, mas poucos meses após ser aclamado pelo filme “A Vida dos Outros” (Das Leben der Anderen, 2006), vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, ele faleceu de câncer. Pode-se dizer que o relacionamento do casal superou a morte, pois ambos voltaram a aparecer juntos na tela três anos depois, como protagonistas de “Nemesis” (2010)
Susanne também deixa dois filmes póstumos: “Anna Karenina”, experiência dramática do diretor Joe Wright (“Orgulho e Preconceito”), e “Inner Amok”, do estreante Peter Brunner.
Susanne Lothar

































