Filmes sobre alienígenas e criaturas ameaçadoras existem por aí aos montes. Mas poucos tem a honra de contar com a assinatura de dois grandes fãs de ficção científica como Steven Spielberg e J.J. Abrams, na produção e direção respectivamente.
Spielberg, que dispensa apresentações, é reverenciado por “E.T. – O Extraterrestre” (1982), “Contatos Imediatos do Terceiro Grau” (1977) e “Tubarão” (1975). Abrams produziu “Cloverfield – Monstro” (2008), trouxe-nos o reboot de “Star Trek” (2009) e deixou milhares de espectadores intrigados durante seis anos com os enigmas da série “Lost”. “Super 8″, bem que poderia se chamar “Quando os Geeks se Encontram”.
A história, que se passa em 1979, começa com um drama familiar: o garoto Joe Lamb (Joel Courtney) vê-se subitamente atirado num mundo sem ânimo depois que sua mãe morre num acidente na fábrica onde trabalha. Sem saber lidar com esta terrível perda e a falta de conexão emocional com o pai (Kyle Chandler), ele recorre a turma do colégio que, liderados pelo seu melhor amigo Charles (Riley Griffiths), está fazendo um curta-metragem amador sobre zumbis e conspiração governamental.
É aí que Joe conhece e se apaixona por Alice Dainard (Elle Fanning, excepcional), mesmo sabendo da inimizade entre seu pai (um policial) e o dela (um colega de trabalho da falecida mãe).
Quando as crianças decidem gravar uma cena numa estação de trem abandonada, acabam testemunhando (e registrando com sua câmera super-8) uma catastrófica colisão noturna entre um caminhonete e um trem de carga. A partir desse momento, coisas estranhas começam a acontecer na pacata cidade: pessoas desaparecem a um ritmo alarmante, casas e fios de eletricidade são destruídos, e, diante da presença do exército no local, percebe-se que algo muito errado está se passando.
O elenco infantil é notável. A química entre eles funciona tão bem que nem parece que estão atuando.
Além dos já mencionados, merecem destaque Ryan Lee, o moleque fascinado por fogos de artifícios e explosões, Zach Mills, o contra-regra/figurante do filme mambembe que está sendo rodado, e Gabriel Basso, o “herói” do filminho.
O grupo, uma combinação dos aventureiros de “Os Goonies” (produzido por Spielberg) com os pré-adolescentes curiosos de “Conta Comigo” (baseado num conto de Stephen King), garante os momentos mais divertidos e envolventes – inclusive durante os créditos, quando o curta de horror que eles gravaram é exibido na íntegra.
A obra de Abrams é uma grande e nostálgica homenagem aos anos 1980, a uma visão de mundo que não existe mais e, obviamente, a Steven Spielberg.
O diretor e roteirista entupiu o longa com trocentas referências aos trabalhos do seu ídolo (desde os títulos já citados como também “Guerra dos Mundos” e “Jurassic Park”) bem como utilizou o “banco de dados” spielberguiano (bicicletas, espelhos, lanternas) e até curiosidades sobre sua infância (o cineasta tinha fixação por trens e adorava juntar os amigos para fazer filmes amadores).
“Super 8″ não traz nada de inovador ou original. Mas nem por isso é menos interessante e agradável de se assistir. A sci-fi rende honras ao ofício cinematográfico ao mesmo tempo que retrata com sensibilidade o universo infanto-juvenil – o amadurecimento precoce, a aceitação da morte, o primeiro amor, a interação com o mundo adulto – por meio de metáforas e simbolismos.
Talvez não comova as gerações novas, mas vai agradar bastante aos pais destas platéias juvenis, cinéfilos que outrora jogaram Atari, tiveram walkman, usaram caneta de dez cores, leram a série Vagalume e chuparam balas Soft.
Super 8
(EUA, 2011)
Lançamento em DVD e Blu-ray





































