COMIC-CON Esses caras nunca colecionaram quadrinhos. Eles batiam nos caras que colecionavam quadrinhos. E tiravam sarro de quem se vestia como seu personagem favorito. Eles são machões. A ironia é que parecem heróis de quadrinhos. E alguns fãs de quadrinhos se vestem como eles em seus papéis mais famosos do cinema. Seus músculos viraram ícones. Sua trajetória, lenda. São os últimos heróis de ação de Hollywood, uma linhagem nobre, mas em extinção, como os mutantes ou os Jedi.
É raro vê-los juntos. Mas, ainda que não tenham vindo todos, sua presença causa pressão. Nunca tanta testosterona foi exalada ao mesmo tempo num painel da Comic-Con, com Terry Crews, Steve Austin, Dolph Lundgren, Randy Couture, Bruce Willis e Sylvester Stallone flexionando músculos, fazendo quedas de braço, rasgando camisas, apontando feridas e falando grosso. Todos reunidos para promover o novo filme escrito, dirigido e protagonizado por Stallone, “Os Mercenários”.
Crews (da série “Todo Mundo Odeia o Chris”) era um dos mais animados. Pulou na mesa, rasgou a camisa, mostrou os músculos, sempre com seu humor conhecido. Bruce Williis apareceu rapidamente e revelou que foi sua a ideia de colocar ele, Arnold Schwarzenegger e Sylvester Stallone na mesma cena.
Todos disseram que aceitaram participar do filme no primeiro convite. “Ele me conquistou no ‘oi’”, brincou Crews, aludindo à célebre frase do filme “Jerry Maguire” (1996). Austin brincou dizendo que teve a oportunidade, como o vilão, de bater nos caras mais famosos de Hollywood. Já Ludgren disse que depois do primeiro encontro dele com Stallone em “Rocky 4″ (1985), adorou a chance de provar que ainda era mais forte. “Ele me colocou no hospital por quatro dias”, contou Stallone, sobre a filmagem de 25 anos atrás. Durante o painel, os dois atores foram homenageados pelo Guiness com uma placa comemorativa, por “Rocky” ser a franquia esportiva mais bem-sucedida de todos os tempos.
Stallone aproveitou para dizer que o elenco também bateu muito no novo filme e realizou cenas ousadas de muito perigo. “Não havia nada que esses caras não topassem”, elogiou. E ele tem as cicatrizes para provar, além de um pino no pescoço.
O campeão de vale tudo Randy Couture quase quebrou seu pescoço nas filmagens. “Mas foi minha culpa”, Stallone assumiu. “Quando o diretor, roteirista e estrela do filme diz para você parar de frescura e descer o pau, você desce o pau”, confirmou Couture. Um documentário foi feito em paralelo ao longa de ficção para demonstrar como foi feita a produção, e um dos destaques será imagens das seguidas idas ao hospital de gente do elenco. “Os dublês começaram a morrer de medo de contracenar com Randy”, brincou Stallone mais uma vez.
Stallone fez questão de ressaltar que o filme não teve nenhum retoque digital ou efeito computadorizado. “É tudo 100% hardcore”, disse. “É o filme mais macho já feito”, completou Crews.
O diretor, astro e roteirista confirmou que queria ter contado também com Jean-Claude Van Damme, Steven Seagal e Chuck Norris no filme. Ele chegou a convidá-los, mas por vários motivos eles acabaram ficando de fora. “Conflitos de agenda e outras circunstâncias, como INSANIDADE”, ele brincou, arrancando risos do público.
Lembrando do elenco que conseguiu reunir e o tamanho que a produção tomou, ele ainda comparou “Os Mercenários” com seu melhor filme, o clássico “Rocky” (1976), porque ambos começaram pequenos e foram crescendo. Stallone também reafirmou que atualmente prefere mais dirigir do que atuar e que pode realmente abandonar a carreira de ator.
Animado com as piadas, Stallone acabou cometendo uma gafe trágica. Já começou mal quando o mediador do painel (Harry Knowles, dono do blog Ain’t It Cool News) perguntou se eles viveram algum fato curioso “na floresta brasileira”. O ator disse que o Brasil é “um país fascinante, cheio de perigos reais” e que a cena deles no país foi feita em um lugar “muito perigoso, com muitos policiais”. Ele gravou no Rio de Janeiro em meados de 2009.
Disse que foi necessário contratar um grupo de 70 seguranças para garantir o bem estar de sua equipe. “Os policiais de lá usam camisetas com uma caveira, duas armas e uma adaga no centro”, falou, aludindo ao logo do BOPE carioca. “Já imaginou se os policias de Los Angeles usassem isso? Já mostra o quão problematico é aquele lugar”, concluiu.
Entre os motivos que teriam motivado Stallone a filmar no Brasil foi citada a possibilidade de filmar cenas mais viris. A violência foi garantida com um elenco de figurantes locais, escolhidos entre lutadores de vale-tudo. Ele já tinha liberado um vídeo dos bastidores sobre a seleção dos lutadores, salientando que isso daria mais realismo às lutas do filme. E concluiu a explicação no melhor estilo Rambo: “Lá, você pode atirar nas pessoas, matar, explodir coisas e eles dizem: ‘Obrigado! E aqui está um macaco para você levar para casa’. Não poderíamos ter feito o que fizemos (em outro lugar). Explodimos muita terra. Parecia assim: ‘Todo mundo traz cachorro quente. Vamos fazer um churrasco. Vamos explodir essa cidade’”.
Nenhuma cidade foi explodida no Brasil nem Stallone ganhou macaco. Mas imediatamente após os comentários chegaram na internet, os usuários brasileiros do Twitter iniciaram uma campanha “Cala Boca Stallone”, nos moldes do “Cala a Boca Galvão”, hit da Copa do Mundo. Na sexta, 23, o tópico ocupou o 1º lugar entre os mais comentados do Twitter, superando até mesmo a discussão sobre o convite e a esnobada de Muricy Ramalho à seleção brasileira de futebol. Foram cerca de 250 mil menções no Twitter.
A reação chegou até o ator de “Rocky”, que sentiu a pancada, ajoelhou e pediu perdão. Ele enviou um email de desculpas, que foi divulgado pela assessoria de imprensa do filme “Os Mercenários”.
A assessoria chamou de “mal entendido” a piada do ator. Leia o conteúdo da mensagem dele abaixo.
“Eu me desculpo sinceramente com o povo brasileiro e com a equipe de filmagem. Todas as minhas experiências no Brasil foram fantásticas e eu disse a meus amigos para filmarem lá. Ontem, eu estava tentando fazer uma graça e ela não saiu à altura. Não tenho nada mais do que respeito pelo grande país que é o Brasil. De novo, me desculpo. Amor, Sly”.
A brincadeira pode ferir o filme no Brasil, mas os americanos na Comic-Con adoraram a história, como mais uma lenda de seus heróis machões, que enfrentaram até os perigos da “floresta brasileira” para salvar o dia, mais uma vez, em Hollywood.



































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[...] Para piorar ainda mais, durante o painel do filme da Comic-Con, Stallone fez piada com a boa vontade dos brasileiros em deixá-lo filmar, bater e explodir o país, o que gerou polêmica. O ator já pediu desculpas pela brincadeira, que foi feita num momento de descontração e num contexto em que ele também elogiou o Brasil. Leia o que rolou no painel aqui. [...]
[...] This post was mentioned on Twitter by Portal MTV, Roberto Miasack. Roberto Miasack said: RT @PortalMTV: Stallone detona tudo na Comic-Con http://bit.ly/dkDYKy (by @pipoca_moderna) [...]