Tim Burton é um cineasta criativo, original e capaz como poucos de deixar uma assinatura pessoal em um filme. Johnny Depp é seu ator preferencial e não é exagero nenhum dizer que os dois, juntos, criaram os melhores momentos da carreira de cada um, sendo o genial Ed Wood o ponto alto dessa parceria de sucesso. “Sombras da Noite” marca a oitava colaboração da dupla.
O longa é uma adaptação da novela “Dark Shadows”, exibida pela TV americana entre 1966 e 1971. Através de um prólogo demasiadamente demorado, conhecemos a história da família Collins, que migra para o novo mundo no século 18 e faz fortuna no ramo da pesca, fundando uma pequena cidade que leva o nome da dinastia: Collinsport.
Barnabas Collins (o papel de Depp), filho único e herdeiro do império, atrai para si a desgraça ao desprezar o amor de uma bruxa, que o amaldiçoa a ser um vampiro e depois o enterra vivo. 200 anos depois, Barnabas se liberta de seu tormento e descobre que sua família vive dias de decadência e infelicidade, mas está determinado a devolver aos Collins sua antiga glória.
Pelos trailers, o espectador tem a impressão de que “Sombras da Noite” é muito mais irreverente do que ele é na verdade. Digamos que o filme, em termos de tom, está mais próximo de “A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça” (1999) do que de “Os Fantasmas se Divertem” (1988). Nenhum problema quanto a isso e sim com o fato de o filme flertar com diversas abordagens sem se decidir por nenhuma.
Embora apresente uma penca de situações impagáveis – a maioria delas envolvendo as perplexidades de Barnabas diante das novidades do século 20 – , Burton acaba perdendo o fio da meada e entregando um filme simpático e esteticamente deslumbrante, porém meio vazio de ideias. O problema se agrava na meia hora final, quando o roteiro se vale de algumas soluções preguiçosas para o desenlace da trama, deixando ainda mais evidente a sua fragilidade.
Mas nada disso impede que “Sombras da Noite” seja, no conjunto, um filme agradável de ser assistido. O longa sabe ser bastante sedutor, com sua direção de arte que beira a perfeição e sua galeria de personagens bizarros e adoráveis, além do bom resultado obtido com o casamento entre a habitual trilha de Danny Elfman e vários hits dos anos 1970.
Outro ponto alto é o excelente elenco, que dá banho de carisma e não deixa o interesse do espectador cair. Dos habitualmente competentes Johnny Depp e Helena Bonham Carter à surpreendente atuação cheia de graça e malícia de Eva Green, passando pelo talento emergente de Chloë Grace Moretz, é um prazer ver cada um dos atores em cena. Destaque para a participação de Alice Cooper e a incapacidade de Barnabas em ver que não se trata de uma mulher.
De qualquer modo, desde o subestimado “Sweeney Todd” (2007) Burton continua devendo aos fãs um filme que marque seu reconhecido talento. “Alice no País das Maravilhas” (2010) não tinha muito o seu toque pessoal, assim como “Sombras da Noite” tampouco tem. Aguardemos “Frankenweenie”, versão longa-metragem para seu curta homônimo de 1984 com previsão de estreia para novembro deste ano, esperando que esse remake de si mesmo faça emergir o Tim Burton genial de antigamente.
Sombras da Noite
(Dark Shadows, EUA, 2012)



































1 Comentário
to loquinha pra assistir mas so e de nt e eu tenho 12 anos bua bua bua”"”"”"”"”"‘