Morreu Simon Ward, ator que se destacou no cinema britânico nos 1970 e que foi visto recentemente na série “The Tudors”. Ele tinha 70 anos de idade e faleceu na sexta (20/7) em sua casa, de causa não revelada, cercado pela família.
Simon Ward nasceu em de outubro de 1941, em Kent, na Inglaterra. Filho de um vendedor de carros, decidiu seguir carreira teatral aos 13 anos de idade, quando uniu-se ao National Youth Theatre. Mais tarde, estudou na Royal Academy of Dramatic Art, passando a atuar profissionalmente no teatro britânico. Em 1967, sua interpretação como protagonista na peça satírica “Loot”, de Joe Orton, chamou atenção da crítica, o que lhe rendeu convites para trabalhar no cinema e na televisão.
Frankenstein Tem que Ser Destruído, com Peter Cushing
Entre 1967 e 1968, ele foi o apresentador da série “Jackanory”, na qual atores conhecidos da Inglaterra se sentavam numa cadeira para ler histórias infantis, que eram ilustradas com desenhos não animados – era tão precário quanto soa.
Ele estreou no cinema como figurante do drama clássico “Se…” (1968), que lançou ao estrelato o então jovem Malcolm McDowell (“Laranja Mecânica”). Os dois atores voltariam a se encontrar anos mais tarde, no filme de guerra “Ases do Espaço” (Aces High, 1976), quanto dividiam o mesmo status de astros. Mas Simon só foi receber créditos de interpretação um ano depois do primeiro encontro.
Nas Garras do Leão
A primeira vez que seu nome apareceu nos créditos de um filme foi em “Frankenstein Tem que Ser Destruído” (Frankenstein Must Be Destroyed, 1969), um clássico da Hammer Films, que continuava a franquia do diabólico Barão Frankenstein, interpretado por Peter Cushing. Na trama, Simon era chantageado para auxiliar o cientista louco a salvar seu famoso monstro. Ele também esteve às voltas com um cientista em sua parição seguinte, a ficção científica “Busca Desesperada” (Quest for Love, 1971), que se passava numa dimensão paralela e era estrelada por Joan Collin.
Loiro e bem apessoado, Simon não demorou a se destacar no cinema britânico. Sua aparência aristocrática era exatamente o que o cineasta Richard Attenborough (“Gandhi”) buscava para dar vida ao protagonista de um dos grandes épicos da década, “Nas Garras do Leão” (Young Winston, 1972). Foi o primeiro grande papel da carreira do ator, que viveu o futuro Primeiro Ministro e lenda da política britânica Winston Churchill em sua juventude.
Nas Garras do Leão
Ele era praticamente um desconhecido antes de viver Churchill, mas a aposta de Attenborough colheu dividendos. Num elenco que ainda incluía Anthony Hopkins e Anne Bancroft, Simon Ward comandou a atenção do público e da crítica, demonstrando que ali nascia um grande astro do cinema.
No ano seguinte, interpretou o Duque de Buckingham na bem sucedida versão de “Os Três Mosqueteiros” (The Three Musketeers, 1973), de Richard Lester. O filme rendeu uma sequência, “A Vingança de Milady” (The Four Musketeers, 1974), que voltou a destacar o seu papel.
Os Três Mosqueteiros
O sucesso o tornou requisitado em outros países do continente, em especial pela prolífica indústria italiana de cinema. Ele estrelou “Hitler: The Last Ten Days” (1973), que tinha Alec Guinness no papel de Adolf Hitler, e a ficção apocalíptica “Holocaust 2000″ (1977), com Kirk Douglas (“Spartacus”). Trabalhou também na Espanha, estrelando “La Sabina” (1979). E ainda teve tempo para participar de telefilmes de grande orçamento e importância, adaptando clássicos literários como “Drácula” (1974), estrelado por Jack Palance (“Os Brutos Também Amam”), “Criaturas Grandes e Pequenas” (All Creatures Great and Small, 1975), baseado na obra de James Herriot, e a “As Quatro Penas Brancas” (The Four Fethers, 1978), versão televisiva do romance épico de A.E.W. Mason.
Em 1979, voltou às guerras coloniais britânicas vistas em “As Quatro Penas Brancas” e “Nas Garras do Leão”, para viver o Tenente William Vereker em “Os Grandes Aventureiros” (Zulu Dawn), prólogo do clássico “Zulu” (1964), que estrelou ao lado de Peter O’Toole (“Lawrence da Arábia”). O épico marcou também o último instante de glória de sua carreira. Escolhas equivocadas nos anos 1980 fizeram com que ele interrompesse bruscamente sua presença nas telas.
Drácula
O primeiro tropeço foi “O Clube dos Monstros” (The Monster Club, 1981), uma produção infantilizada que reunia grandes astros do terror antigo, como Vincent Price (“O Abominável Dr. Phibes”), John Carradine (“A Casa do Drácula”) e Donald Pleasence (“Halloween”). Sem assustar nem fazer rir, foi um fracasso nas bilheterias.
O grande tombo, porém, veio num projeto que ele acreditava poder lhe abrir as portas em Hollywood. Ward foi contratado para viver Zor-El, o pai da “Supergirl” no cinema. Considerando que o pai de “Superman” tinha sido Marlon Brando (“O Poderoso Chefão”), o ator já sonhava com novos contratos com estúdios americanos. O elenco ainda incluía seu amigo Peter O’Toole, com quem contracenou no bem-sucedido “Os Grandes Aventureiros”, além das célebres atrizes americanas Faye Dunaway (“Inferno na Torre”) e Mia Farrow (“O Bebê de Rosemary”) e a então iniciante, mas promissora Helen Slater (“A Lenda de Billie Jean”) no papel principal. Mas a trama escrita por David Odell (“O Cristal Encantado”) era infantilizada ao extremo e o diretor de “Tubarão 2″ (1978) Jeannot Szwarc não tinha talento. “Supergirl” (1984) foi a adaptação de super-herói de pior bilheteria em todos os tempos.
Criaturas Grandes e Pequenas, com James Herriot e Anthony Hopkins
Simon Ward nunca conquistou Hollywood. Em 1987, foi encontrado caído na sarjeta, perto do rio Camden, com um ferimento profundo no crânio. Vítima de um assalto, Simon precisou passar por uma cirurgia no cérebro. Os cabelos loiros se tornaram brancos. A aparência de galã deu lugar a rugas e um andar trôpego. Mas ele continuou realizando filmes esporádicos, trabalhando no teatro e participando de produções televisivas na Inglaterra, como as minisséries “A Taste for Death” (1988) e “A Volta ao Mundo em 80 Dias” (Around the World in 80 Days, 1989).
Teve ainda um último destaque cinematográfico na versão de 1992 de “O Morro dos Ventos Uivantes” (The Wuthering Heights), em que contracenou com sua filha, Sophie Ward (“O Enigma da Pirâmide”), em papel secundário. Eles viviam, respectivamente, pai e irmã da protagonista Cathy, vivida pela francesa Juliette Binoche (“Cópia Fiel”). Em 1996, Sophie virou manchete dos tablóides britânicos ao assumir sua homossexualidade. Ela era casada há oito anos e tinha dois filhos, e trocou tudo para viver com a escritora Rena Brannan.
Supergirl, com Helen Slater e Mia Farrow
Recentemente, o ator vivia um renascimento na carreira ao estrelar duas séries de grande sucesso: a longeva produção jurídica “Judge John Deed”, entre 2003 e 2007, e a multinacional “The Tudors”, entre 2009 e 2010. No papel do Bispo Stephen Gardiner, Simon Ward finalmente teve reconhecimento do público americano, que pouco teve acesso a sua brilhante carreira na Europa.
Segundo a imprensa britânica, a saúde do ator vinha declinando há algum tempo. Em maio, uma virose o forçou a deixar o elenco da peça “Pigmaleão”. Ele também sofria de policitemia, uma doença crônica no sangue.
The Tudors



































