Sete Dias com Marilyn traz Michelle Williams “perfeita”

Vale a pena rever essa gracinha de filme, que rendeu indicação ao Oscar para a atriz Michelle Williams, em Blu-ray. “Sete Dias com Marilyn” é baseado no diário escrito por Colin Clark durante as filmagens de “O Príncipe Encantado”, filme rodado em 1956 na Inglaterra e protagonizado por Marilyn Monroe e Laurence Olivier, sob a direção deste último.

Na ocasião, Clark era terceiro assistente de direção e, por uma série de acasos fortuitos, acabou sendo testemunha direta da crise que se desenrolava nos bastidores daquela simpática comédia romântica.

Marilyn, recém-casada com o dramaturgo Arthur Miller, queria provar ao mundo que era mais do que um rostinho bonito. Mas o assédio incansável, a pressão de se mostrar uma atriz “de verdade” e, convenhamos, uma certa hostilidade no ambiente a tornavam cada vez mais frágil e insegura, ao passo que Laurence Olivier, a despeito do genial ator que era, se mostrava inábil em contornar as crises de sua estrela, deixando um set inteiro com os nervos à flor da pele.

O roteiro de Adrian Hodges, cuja carreira vem essencialmente da TV, se mostra muito eficiente no sentido de dar uma pegada mais cinematográfica a uma história que foi escrita em tom mais confidente, de diário mesmo. Apesar de se manter bastante fiel ao livro de Clark, Hodges sabe quando enfeitar ou distorcer certos fatos relatados pelo autor para torná-los mais atraentes e dar ao filme a aura de conto de fadas que o torna tão charmoso.

Também o diretor Simon Curtis é egresso da TV e tem no currículo uma série de telefilmes e minisséries, fazendo deste filme uma excelente estreia na sétima arte.

É claro que o resultado saboroso se deve muito ao elenco bem escalado. Que ator mais adequado para o papel de Sir Laurence Olivier (“Hamlet”, em 1948) do que Kenneth Branagh (“Hamlet”, em 1996), ator e diretor shakesperiano e considerado por muitos o sucessor de Olivier na vida real? E que outro adjetivo se pode usar para classificar a atuação de Michelle Williams como Marilyn Monroe senão “perfeita”? Não se trata exatamente de semelhança física, embora a caracterização tenha deixado as duas de fato parecidas, mas de uma incorporação – na falta de palavra melhor – que faz emergir em Michelle a aura de encanto, malícia e inocência que tornavam Marilyn única.

É simplesmente comovente ver Michelle Williams na tela, tanto nas cenas em que ela recria passagens do clássico “O Príncipe Encantado” quanto nos momentos em que ela tenta ser mais Norma Jean do que Marilyn Monroe. Destaque para a passagem em que, cercada por fãs, pergunta ao jovem Colin (vivido por Eddie Redmayne): “devo ser ela?”.

“Sete Dias com Marilyn” (na verdade, de acordo com o livro, foram nove dias) é um filme de atores, mas também uma nostálgica viagem através da história do cinema, ao desnudar na tela o ator respeitado e tradicional que sonhava em ser uma estrela popular e a estrela mais desejada do mundo, que almejava ser reconhecida também pelo seu talento. O filme pode não ser perfeito e pecar em alguns aspectos, como, por exemplo, “inventar” uma personagem para Emma Watson, mas é uma delícia que vem para eternizar esse célebre encontro entre dois mitos da interpretação que, no fundo, desejavam ser o outro.

Imagem de Amostra do You Tube

Sete Dias com Marilyn

(My Week with Marilyn, EUA, 2011)

Lançamento em DVD e Blu-ray

 ★★★★☆ 

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Leia também a entrevista:

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+ Erika Liporaci

Erika Liporaci é jornalista, atriz e cinéfila desde criancinha. Formada em Comunicação Social e pós-graduada em Artes Cênicas, vem escrevendo sobre cinema e cultura em geral para diversos veículos online nos últimos dez anos. Também é autora do livro A Tela de Narciso, sobre o uso da metalinguagem na sétima arte, e do texto teatral Will by Will - O Julgamento do Bardo. Atualmente, administra o site Artes & Subversão e segue acreditando que a cultura e a informação ainda fazem toda a diferença, mesmo diante do atual momento de desvalorização da formação jornalística.

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