Schlafkrankheit aborda situação dos médicos missionários

BERLIM A coprodução europeia “Schlafkrankheit” (algo como “Doença do Sono”, em tradução livre) conta a história de um médico alemão que trabalha há anos numa comunidade no meio de uma floresta no Camarões. A trama foi baseado nas experiências pessoais do diretor. Ulrich Köhler nasceu na Alemanha, mas viveu quase toda a infância no Zaire, a tira-colo do pai, médico que cumpria missão por lá.

Respaldado pela experiência própria, Ulrich registrou em seu filme de estreia a sensação que teve ao voltar a seu país de origem: a de estar deslocado, perdido entre dois mundos.

O médico do filme, Ebbo (Pierre Bokma), encontra-se em estágio de dormência, assim como a doença – cujos sintomas não são exteriores e o desenvolvimento é silencioso – que assola a região. Ele já não reconhece mais a filha, que não vê há anos, pois estuda numa escola alemã. A mulher, depois de algum tempo a seu lado, também o largou no Camarões para voltar à Alemanha, com a desculpa de cuidar da filha.

Desenvolvida esta parte, outro médico chega para ajudar Ebbo. É Alex Nzila (Jean-Christophe Folly), o caso inverso do doutor europeu. Alex nasceu na África, mas há muitos anos morava na França, onde se formou. Ambos encontram-se neste estágio de alma “apatriado”.

A construção da rotina dos médicos missionários, as dificuldades de seu trabalho e de como lidam com suas vidas pessoais, é o ponto forte do filme, que retrata um mundo pouco conhecido e muito rico em dramaticidade.

Elementos folclóricos ou da realidade da região, como a elevada mortandade de hipopótamos e as crenças do povo em relação àquele animal, também permeiam o filme, com um simbolismo que só se entende no final.

Para passar aquele sentimento de vida inerte, a montagem optou por puxar o freio de mão e desenvolver o filme em marcha lenta.

Talvez entediados por não gostarem do estilo ou por não terem entendido o recado, parte dos críticos presentes à sessão em Berlim vaiou o longa ao final da sessão. Foi o primeiro sinal de repúdio da mostra competitiva neste ano, ainda que contra um filme que cumpriu corretamente o seu dever de casa.

+ Fred Burle

Fred Burle é mineiro-brasiliense e atualmente reside em Berlim. É produtor audiovisual, tem no currículo 5 curtas-metragens concluídos, além de um documentário em longa-metragem - ainda em fase de finalização. Viciado na sétima arte, publica suas críticas e outros artigos, notícias e curtas-metragens no blog Fred Burle no Cinema

1 Comentário

  • chiara Identicon Icon chiara
    31 de maio de 2012 | Permalink | Responder

    Oi Fred! Aqui no Brasil não consegui ver esse filme, acho que nem chegou aos cinemas de BH. Vc saberia dizer se há algum site em que eu possa baixá-lo e com legenda? Obrigada!

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