Sarah Michelle Gellar retorna à TV

Dizem que o principal motivo para “Buffy – A Caça-Vampiros”, uma das séries mais cultuadas de todos os tempos, não ter sido renovada para sua 8ª temporada foi a indisposição da protagonista Sarah Michelle Gellar em continuar no programa, quando poderia estar desenvolvendo a carreira nos cinemas. À época, o futuro parecia promissor para Sarah: sob o legado de “Buffy”, a atriz emplacara sucessos de bilheteria (mas não de crítica) como “Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado” (1997), “Segundas Intencões” (1999) e “Scooby Doo” (2002), e formava um dos casais 20 da América com Freddie Prinze Jr (seu colega em “Eu Sei o Que Vocês Fizeram…” e “Scooby”).

Mas “Buffy” acabou, Sarah fez “O Grito” (2003) e viu seus papéis no cinema minguarem. Não deu outra: nesta terça (13/9), ela retorna à telinha em nova série.

Em “Ringer”, uma das apostas do canal americano CW, Sarah interpretará duas irmãs gêmeas que trocam de identidade, uma premissa de filmes da Sessão da Tarde. As expectativas, porém, podem se provar enganosas – como também aconteceu com “Buffy”, que estreou com descrença e venceu o ceticismo para se tornar uma das melhores séries da TV.

Na série criada por Eric C. Charmelo e Nicole Snyder (ambos roteiristas de “Supernatural”), da qual Sarah também é produtora executiva, ela interpreta Bridget, uma ex-stripper que precisa sumir da face da Terra depois de presenciar um assassinato, mas também a irmã gêmea Siobahn, uma socialite que se vê envolta em tantos problemas que decide fingir a própria morte e deixar Bridget assumir o seu lugar.

O detalhe é que Sarah não terá que se virar apenas em duas para cumprir sua função. “O engraçado é que eu interpreto cinco personagens”, explicou a atriz. “Interpreto Siobahn e Bridget no presente, Siobahn e Bridget no passado, e ‘Shivette’, que é como chamamos quando Bridget tenta se passar por Siobahn”, completou.

As transições de tempo, aliás, serão um recurso narrativo usual da série. Segundo Sarah, “Ringer” será tal e qual similar à complicada “Damages”, estrelada por Glenn Close. A atriz garante que o público pode esperar por flashbacks complexos movendo uma narrativa repleta de assassinatos e desaparecimentos.

Tal como “True Blood” e “Lost”, “Ringer” será pontuada por reviravoltas e “ganchos” que ligam um episódio a outro – e, sem se preocupar em elevar as comparações, Sarah garantiu que a série acertará onde as outras falharam.

“Amava ‘Lost’, mas as coisas foram se aprofundando cada vez mais e no final não abstraíamos nada”, disparou. “Já os criadores de ‘Ringer’ me revelaram um plano para três temporadas iniciais. E as grandes questões a serem respondidas serão reveladas pouco a pouco em cada episódio”, adiantou Sarah, antecipando as suas esperanças de renovação do programa.

Os executivos do canal CW, onde o programa será veiculado, também têm se mostrado otimistas. Uma junção do UPN e do WB (onde “Buffy” era exibida), o CW não se encaixa entre as grandes emissoras americanas. É um canal menor, de perfil mais juvenil e lar de séries como “Gossip Girl”, “Supernatural” e “The Vampire Diaries”. “Ringer” indica as pretensões da emissora em expandir o seu repertório.

O presidente do CW, Mark Pedowitz, demonstra-se encantado com a motivação da estrela e está confiante de que “Ringer” elevará, sozinha, o nível da programação do canal. “Será incrível se todos tiverem uma amostra do que o CW pode oferecer através de ‘Ringer’”, declarou o executivo.

Além de Sarah, os nomes de Ion Gruffudd (“Quarteto Fantástico”), Nestor Carbonell (série “Lost”), Nicole Anderson (série “Jonas”), Kristoffer Polaha (série “Life Unexpected”) e Jason Dohring (“Veronica Mars”) também devem atrair uma outra parcela demográfica (os próprios fãs originais de “Buffy” já não se encaixam mais entre os jovens de hoje).

Algumas coisas, porém, permanecem as mesmas: mesmo que já não seja mais uma adolescente e que tenha aposentado as estacas, Sarah continua rodeada da equipe de “Buffy” (do bufê aos responsáveis por figurino e maquiagem, todos vêm da série clássica). E os novos nomes parecem compreender as exigências da atriz. “Nós estamos no mesmo ritmo e nos entendemos bem ao resolver os problemas”, disse a showrunner de “Ringer” Pam Veasey, também produtora de “CSI: NY”. Segundo Veasey, ela e Sarah têm filhos da mesma idade e compreendem os desafios de conciliar o lar e a carreira.

Sarah, inclusive, foi muito clara sobre esse ponto. “Minha família vem em primeiro lugar e preciso ser capaz de protegê-la”, afirmou a atriz, que se casou e teve uma filha com Freddy Prinze Jr. Por demanda dela, foi construído no set um berçário para acomodar a sua filha e todos os “bebês” da equipe.

Ela confessou que experimentou dificuldades em sua volta à rotina televisiva depois da maternidade. “Me juntei a um grupo de novas mamães e fui a última a voltar a trabalhar. Apoiava muito a todas elas, mas só quando retornei é que percebi o quão difícil isso era! Então lhes escrevi inúmeras desculpas, dizendo ‘Meu Deus, não percebia que seria tão duro!’”, contou Sarah.

O trabalho, contudo, não é novidade para Sarah, que faz parte do showbusiness desde muito nova. Começou aos 4 anos, fazendo comerciais, e já era popular pela novela “All My Children” antes de passar no teste para “Buffy” (inclusive, ganhou um prêmio Emmy pelo papel na atração diurna).

Segundo Joss Whedon, o criador de “Buffy”, Sarah era, aos 19 anos, “a profissional mais antiga que já conheci”. “Ela exercia um controle incrível em cada sílaba. Sabia sofrer como ninguém – era só ligar a câmera e a audiência seguia no embalo”, elogiou Whedon (ele, ao contrário dos fãs, não parece culpar a agenda da pupila pelo término de “Buffy”).

A própria Sarah Michelle Gellar não conhece outra vida além desta. Na entrevista coletiva para divulgar “Ringer”, foi indagada sobre o que uma suposta irmã gêmea faria se não se dedicasse a artes dramáticas. “Eu sentiria muita pena dela”, disse Sarah, sem pestanejar. “Sem isso, eu não teria recebido minha educação em uma escola particular, eu não teria viajado tanto e eu não teria passado tanto tempo com a minha mãe, porque ela teria que trabalhar”, justificou.

Agora é ela, na função de mãe trabalhadora, que moverá céu e mar para garantir que a filha também não cresça sem sua presença. Mesmo que tenha de se alternar em seis – as “cinco” personagens de “Ringer”, mais ela mesma – para que isso se concretize.

+ Louis Vidovix

Louis Vidovix é publicitário, leitor voraz, cinéfilo incorrigível e fã das séries de TV. Expõe suas opiniões no blog Acho Melhor Não Ler

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