
Morreu Roy E. Disney, aos 79 anos de idade, o último integrante da família Disney no controle da Walt Disney Company e seu terceiro maior acionista. Sobrinho de Walt Disney e filho de Roy O. Disney, os dois criadores da empresa, ele morreu da mesma doença de custou a vida do tio, câncer de estômago, 43 anos e um dia após a morte de Walt Disney.
Roy era muito parecido com tio, tanto fisicamente quanto na paixão pelos desenhos animados. Sua dedicação à visão de Walt Disney era tamanha que ele se empenhou pessoalmente em campanhas que levaram à queda de dois grandes executivos no comando da companhia. O resultado dessas batalhas pessoais foram bastante benéficos para a empresa.
Ele teve que batalhar muito para provar seu ponto de vista, que hoje parece tão claro, que a Disney não poderia jamais negligenciar sua divisão de animação.
Após a morte do tio (em 1966) e do pai (em 1971), Roy tentou assumir seu lugar de direito na direção da companhia. Mas foi posto de lado, esquecido numa cadeira do conselho. Ele passou anos subestimado. Diziam que sua visão era antiquada, que o negócio da Disney eram filmes e aquisições de novos negócios, não desenhos e parques temáticos. Ao todo, nas décadas de 70 e 80, a Disney lançou apenas 8 longas animados de qualidade controversa.
Em 1984, numa manobra histórica, Roy demitiu-se do conselho da Disney, sinalizando para o mercado que algo estava errado. Deu certo. O valor das ações caíram e o resultado foi a demissão coletiva de todo o conselho executivo da época.
Readmitido, Roy tratou de implementar sua visão junto ao novo conselho, comandado por Michael Eisner, Frank Wells e Jeffrey Katzenberg. Com investimentos na casa dos US$ 10 milhões para a compra de equipamentos e computadores, a divisão de animação renasceu.
Este período, que rendeu os hoje clássicos “A Pequena Sereia”, “Alladin”, “A Bela e a Fera” e “O Rei Leão”, sucessos absolutos nas bilheterias e merchandising, é conhecido como Renascimento da Disney.
De antiquado, Roy Disney não tinha nada. Ele adorava a parceria da Disney com a Pixar. Mas Michael Eisner estava a ponto de romper a colaboração bem-sucedida, reclamando o tempo todo de Steve Jobs. Qualquer um via que só os desenhos estavam dando lucro, mas a empresa insistia em sua estratégia de priorizar filmes e televisão.
Então, Roy Disney fez seu bis. Afastou-se do conselho e lançou um site chamado savedisney.com. Suas atitudes influenciaram os acionistas, que votaram em peso contra a renovação de contrato de Eisner. E a primeira providência do novo diretor executivo, Bob Iger, foi comprar a Pixar para a companhia.
Os fãs de desenhos animados devem muito a Roy Disney.


























