Robert Pattinson não vê a hora de deixar para trás o papel do vampiro Edward Cullen, da saga cinematográfica “Crepúsculo”, que o transformou em ídolo adolescente. “Faz parte do curso natural da vida, atravessar fases, seguir a vida adiante”, ele disse para a imprensa internacional, reunida para a entrevista coletiva de seu novo filme, “Bel Ami”, durante première em fevereiro, no Festival de Berlim. Mal sabia ele que teria um motivo a mais para querer se distanciar da saga vampírica, com o rompimento causado pela traição de sua namorada Kristen Stewart, que também interpreta seu par romântico na franquia.
“Mesmo enquanto ainda participava da franquia ‘Crepúsculo’ procurava alternativas de trabalho”, ele explicou, lembrando que o protagonismo em “Bel Ami” foi filmado há dois anos. “Recentemente, fiz um filme com David Cronenberg (‘Cosmopolis’), em um papel totalmente diferente de Edward. Assim como é também o Georges Duroy de ‘Bel Ami’”, completou.
No filme dirigido em dupla por Declan Donnellan e Nick Ormerod, que debutam no cinema vindos do teatro britânico, Pattison encarna o famoso personagem do romance de Guy de Maupassant (1850-1893), um pobretão que escala a alta sociedade parisiense do final do século 19, manipulando as mulheres de homens influentes. No elenco, estão as atrizes Christina Ricci (“A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça”), Uma Thurman (“Kill Bill”), Kristin Scott Thomas (“A Chave de Sarah”) e Holliday Grainger (“Jane Eyre”).
Após interpretar Bel Ami, Pattinson formou o seu próprio entendimento sobre o gigolô literário. “Na verdade, acho que Georges não está fugindo da pobreza, que herdou do pai. Ele acredita realmente que tem o direito a uma posição superior na sociedade da época, ele merece esta posição. Mesmo que para isso minta, magoe e manipule as pessoas a sua volta. Acho que esse jeito de pensar o torna uma pessoa moralmente questionável”, descreveu o ator.
Ele lembrou que leu o livro de Maupassant anos atrás, quando era muito jovem. “Acho que eu tinha uns 14 anos quando o li pela primeira vez. Gostei muito da estrutura da história, e do personagem, claro, porque ainda não havia lido um romance em que o personagem central tinha atitudes de vilão e não era punido no final. Normalmente, os livros sobre esse tipo de pessoas querem passar mensagens moralistas sobre o comportamento dos personagens. Isso não acontece em ‘Bel Ami’”, analisou Pattinson.
Como a sedução é um forte elemento da trama, não faltam cenas de sexo na produção. Christina Ricci, que interpreta Clotilde, uma das amantes de Georges Duroy, aproveitou para diminuir o interesse em fofocas sobre os bastidores, avisando que os atores nunca ficaram realmente à vontade nas cenas em que envolviam nudez. “Dezenas de técnicos olhando e um cenário sem teto foram perfeitos para nós”, ironizou a atriz. E o ator completou: “Definitivamente, não foi um clima muito romântico”. E isto passa nas imagens, que não mostram erotismo nem sensualidade.
Os dois ainda mencionaram detalhes… digamos, broxantes… sobre suas cenas de nudez. “O pior conselho que recebi do Declan foi: ‘Não faça exercícios, ninguém tinha barriga tanquinho naquela época’. Aí você tira a camisa e ai meu Deus”, contou Pattinson bem-humorado. Ao que Ricci acrescentou: “E eu não depilei as axilas, para ser fiel ao período histórico. É, realmente estávamos muito atraentes!”.
O diretor Declan Donnellan disse que, apesar de ser mais conhecido por papéis de bons moços e heróis sobrenaturais, o ator assimilou rapidamente as nuances do personagem. “Ele se conectou imediatamente com Georges. Desde o nosso primeiro encontro, Robert demonstrou entender a natureza do personagem, a vaidade que ele demonstra. Fiquei impressionado com ele”. Ao que seu parceiro atrás das câmeras, Nick Ormerod, fez eco. “Também fiquei impressionado com a dedicação de Robert, porque eu queria ensaiar por um mês antes das filmagens e ele arrumou tempo em sua agenda lotada para fazer isso”.
As críticas, porém, não foram muito positivas, apontando que o clássico literário foi reduzido a um melodrama vápido, voltado para as fãs histéricas do vampiro Edward. A seu modo, o ator comentou sobre a intersecção demográfica. “Eu acho que minha responsabilidade para as fãs é tentar apenas fazer o melhor que eu posso. Você ganha um certo público ao realizar determinados trabalhos, então acho que o maior desserviço que poderia prestar a este público é repetir o mesmo papel sempre, apenas para fazer um monte de dinheiro por conta disso”, ele observou. “Se os fãs de ‘Crepúsculo’ forem ver ‘Bel Ami’, acho que prestei um serviço, porque o filme não atrairia esse tipo de público pela história”, concluiu.
Robert acredita que tem feito as escolhas corretas em sua carreira, ao equilibrar filmes menores com sucessos de bilheteria, como os filmes da saga “Crepúsculo”. “Ter blockbusters em sua vida nunca é uma coisa ruim”, ele pondera. “Mas, quando você está filmando e sabe que todo mundo espera que seja um sucesso, então se torna um pouco chato”, reclama.
Questionado sobre o desejo confesso da produtora Lionsgate de continuar a saga dos vampiros, Robert desconversa, dizendo-se muito velho para voltar ao papel do eternamente jovem Edward Cullen, criado pela escritora Stephenie Meyer. “Eu ficaria curioso pelo que Stephenie escreveria, mas acho que já seria muito velho até começarem as filmagens. Na verdade, eu já sou muito velho”, disse o ator de 25 anos, que aparecerá pela última vez como Edward Cullen no lançamento de “A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 2″, com estreia marcado para 16 de novembro.
Cumprir seus últimos compromissos com “Crepúsculo” será especialmente doloroso, pois significará se reencontrar com Kristen Stewart, após sua namorada na vida real o trair com o diretor Rubert Sanders (“Branca de Neve e o Caçador”). A franquia marcou o começo do casal e chega ao fim junto com seu rompimento. Mais do que nunca, para Robert Pattinson chegou a hora de seguir adiante.

































