“Prometheus” não marca apenas o retorno de Ridley Scott ao universo de “Alien, o Oitavo Passageiro” (1979), mas à ficção-científica em geral: seu último trabalho no gênero havia sido o cultuado “Blade Runner – O Caçador de Andróides” (1982), há exatos 30 anos.
Esse é apenas um dos motivos para tanto alvoroço em torno do longa-metragem, que estreia no Brasil nesta sexta-feira (15/6). Porém, há outra razão. Depois de três continuações diretas (que trocaram o horror por ação) e duas produções relacionadas à outra franquia (“Predador”) – sem contar as histórias em quadrinhos – , “Prometheus” era a chance de Scott resgatar a honra de “Alien” e mostrar realmente como é que se faz.
“Eu realmente fiquei um pouco chateado com a forma como o meu bebê estava sendo mal utilizado”, contou o diretor na maratona de divulgações que antecedeu o lançamento nos cinemas. Scott começou a fazer investidas para retornar à franquia, mas os roteiros que chegavam às suas mãos nunca o agradavam e, enquanto ele não encontrava a verdadeira história, mantinha a parceria com Russell Crowe (“Um Bom Ano”, “O Gângster”, “Rede de Mentiras”, “Robin Hood”).
Mas então veio a ideia: e se ele retornasse àquele universo, mas não necessariamente à franquia “Alien”? “Para todos os efeitos, isso é muito, muito vagamente um prólogo”, o diretor tentou explicar durante uma entrevista coletiva em Londres. Seu ponto de partida surgiu quando ele começou a fazer perguntas sobre o Space Jockey, o alienígena gigante que aparentemente carregava os ovos dos monstros na lua LV-223, no filme de 1979.
“Quem era ele? Porque ele pousou lá? Por que aquela carga? Para onde ele estava indo? Ninguém se preocupou em responder a essas questões nas sequências, o que é bizarro”, ironizou Scott.
No entanto, o cineasta estava decidido a criar uma nova mitologia e não retornar diretamente a “Alien”. “Não gosto da palavra ‘prólogo’, porque ela sugere ao público que ele já conhece o final”, Scott escreveu num e-mail a Damon Lindelof, durante o convite para lapidar o secretíssimo roteiro de Jon Spaihts (“A Hora da Escuridão”) – o produtor da série “Lost” recebeu o roteiro em sua casa e precisou lê-lo em duas horas, enquanto um segurança da Fox o aguardava.
Scott não queria com “Prometheus” fazer apenas um filme sobre alienígenas maus, mas questionar a origem da vida humana. Inspirado na ideia do livro “Eram os Deuses Astronautas”, de Erich von Daniken, o longa sugere que a Terra já foi visitada há milhares de anos por seres extraterrestres – que poderiam ter feito experiências genéticas e criado os seres humanos. “O fato de que eles estariam há, pelo menos, um bilhão de anos à nossa frente em tecnologia, é assustador”, contou o diretor. “Poderíamos usar a palavra ‘deus’, ‘deuses’ ou ‘engenheiros de vida no espaço’”, teorizou.
Na história, a arqueóloga Elizabeth Shaw (Noomi Rapace) e a executiva Meredith Vickers (Charlize Theron) lideram uma expedição espacial em 2089 (anos antes do nascimento de Ellen Ripley do filme original) para buscar os alienígenas e, como sugere o título, o resultado não será positivo. Na mitologia grega, Prometeu foi quem roubou o fogo de Zeus e deu aos mortais, para que evoluíssem. Como punição, Zeus amarrou o titã a uma rocha, onde ficaria eternamente sendo torturado por uma águia, que retornaria todos os dias para comer seu fígado.
Inicialmente, o filme se chamaria “Paradise” (paraíso, na tradução literal), mas foi o produtor Tom Rothman quem fez o paralelo com o mito. “Quanto mais eu pensava nisso (no novo título), mais eu vi que era uma boa ideia. Tratava-se de alguém que se atreve e é terrivelmente castigado. Além disso, quer saber? Um pouco de educação no cinema não é de todo ruim”, o cineasta brincou, mostrando justamente porque ele fazia falta na ficção-científica.
Afinal, sua última investida foi “Blade Runner”, que tratava justamente sobre a ideia da existência. No filme de 1982, os replicantes (androides perfeitamente iguais às pessoas), assim como os humanos, também queriam entender o sentido de sua vida e – por que não? – viver um pouquinho a mais do que o tempo que eles foram programados. Em “Prometheus”, assim como nos filmes da franquia “Alien”, também há um androide, David (Michael Fassbender), e as questões filosóficas sobre criador e criatura ganham novo contexto.
“Um bando de seres humanos estão procurando o seu criador”, Lindelof diz, “e David sabe exatamente quem o criou, mas ele não está impressionado com o seu criador”.
Ridley Scott complementa o raciocínio ao lembrar que os humanos usaram a tecnologia ao longo dos séculos para melhorar as condições de vida ao mesmo tempo em que as ameaças e armas também acompanharam o ritmo – se guerreávamos com paus e pedras, agora diversos países têm ogivas nucleares capazes de por um fim a tudo o que respira. “Vivemos melhor agora do que em 1850? Com certeza. Mas estamos caminhando para um problema muito maior? Definitivamente”.
Com tanta filosofia e questões existenciais, “Prometheus” está muito mais para “2001 – Uma Odisseia no Espaço” (1968) do que para “Alien vs. Predador” (2004), ainda que o filme seja, essencialmente, entretenimento hollywoodiano. “Nossa proposta era fazer algo divertido e emocionante para assistir, e não filmar um bando de pessoas discutindo o significado da vida”, avisou Scott. Ou como o próprio diretor definiu, “’Prometheus’ é ’2001′ com esteroides”.
Até porque se trata de uma produção filmada em três continentes ao custo de aproximadamente US$ 130 milhões. E, dependendo do resultado, Scott retornará para uma sequência, cuja história já estaria pré-alinhada, visando responder as perguntas que o novo filme provoca.
Até lá, o diretor já terá filmado “The Counselor”, mais uma vez com Fassbender, além de Brad Pitt (“O Homem Que Mudou o Jogo”), Javier Bardem (“007 – Operação Skyfall”) e Penélope Cruz (“Vicky Cristina Barcelona”). Além disso, ele está envolvido com a adaptação de “Monopoly”, jogo de tabuleiro similar ao “Banco Imobiliário”, tem interesse em adaptar o livro “Admirável Mundo Novo”, clássico da ficção-científica de Aldous Huxley, e a história bíblica de “Moises”.
Paralelamente, ele já está desenvolvendo um western baseado no livro “The Color of Lightning”, além de dar andamento à sequência “Blade Runner”. Aos 74 anos, Ridley Scott está a todo vapor, como se fosse um androide do futuro.




































1 Comentário
Assisti esse filme hoje e achei muito empolgante!
Totalmente Incrivel os efeitos especiais, adoro espaçonaves inundadas de tecnologia high-end! Tomara que Ridley Scott continue a franquia em poucos anos, estou ancioso para ver a sequencia desse filme. Os alienigenas ou engenheiros do espaço estao a bilhoes de anos afrente de nós humanos em tecnologia e conhecimento, porém a musica deles é um som de uma flauta ridicula e não o Trance dos humanos futuristas! 4 Estrelas