O melhor e o pior do Oscar em 20 vídeos

No dia da 84º cerimônia de premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, relembre 20 momentos inesquecíveis – alguns até inacreditáveis – do Oscar, que entraram para a história pela emoção e pela falta de noção dos envolvidos. Quando a câmera focaliza o vencedor, tudo pode acontecer. E acontece. Confira nos vídeos abaixo:

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Melhor discurso

Adrien Brody ao ser eleito Melhor Ator por “O Pianista”

http://www.dailymotion.com/video/xh8n2j

Ao receber o prêmio, Adrien Brody “causou” não só por lascar um “beijo de cinema” em Halle Berry, mas também por fazer um discurso elegante, sóbrio e educado, onde mencionava a situação crítica na Guerra do Iraque sem tomar partidos. O momento se torna ainda mais bonito quando contrastado com o discurso inflamado do documentarista Michael Moore – na mesma noite, ele tinha sido vaiado por abordar o mesmo tópico sem um pingo de tato.

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Pior agradecimento

Cher lembra o cabeleireiro e esquece o diretor

http://www.dailymotion.com/video/xcfq0v

Além de seu senso de moda peculiar, que não ajuda o público a levá-la a sério, Cher venceu um Oscar de Melhor Atriz por “Feitiço da Lua” acima de atuações exponencialmente melhores (Glenn Close, que concorria por “Atração Fatal”, foi a mais prejudicada). Para comprovar que não cabia ali, Cher fez um discurso enrolado onde agradecia o cabeleireiro e o maquiador, mas se “esquecia” de agradecer o diretor do filme Norman Jewison! Para corrigir a falha, teve que pagar um anúncio na Variety com um pedido de desculpas na manhã seguinte.

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Piores lágrimas

Gwyneth Paltrow vencendo Melhor Atriz por “Shakespeare Apaixonado”

http://www.dailymotion.com/video/xh8qzt

Além da vitória constituir uma assumida injustiça contra as outras indicadas (entre elas, a brasileira Fernanda Montenegro por “Central do Brasil”), Gwyneth Paltrow deixou o mundo todo constrangido com o choro frenético, que ia e vinha sem mais nem menos.

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Discurso mais controverso

Vanessa Redgrave e o anti-semitismo

Ao ser eleita a Melhor Atriz Coadjuvante por “Julia”, em 1976, Vanessa Redgrave comentou infortúnios recentes envolvendo os judeus, e prometeu lutar contra o anti-semistismo pelo resto de sua vida. Paddy Chayefsky, que entrou no palco logo em seguida, rebateu: “Estou cansado das pessoas usarem a entrega do Oscar para fazer a sua propaganda política. Sugiro a Miss Redgrave, já que este não é um momento histórico, que um simples Obrigado já seria suficiente.” Tudo isso está registrado no vídeo acima.

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Maior saia justa

Marlon Brando vence por “O Poderoso Chefão”

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Marlon Brando recusou o Oscar que recebeu por “O Poderoso Chefão” e enviou para receber a estatueta em seu lugar uma índia! Segundo a moça, Brando queria aproveitar o espaço para protestar contra a falta de espaço para os nativo-americanos no cinema! A plateia se dividiu entre o silêncio atônito, os aplausos e as vaias. Para completar, descobriu-se depois que a moça era, na verdade, uma atriz iniciante.

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Meninas prodígio

Anna Paquin foi a última menor a vencer um Oscar

http://www.dailymotion.com/video/x44nqz

Pelo menos duas dezenas de crianças já foram indicadas ao Oscar nas categorias de atuação, mas apenas três receberam a estatueta quando ainda eram menores de idade. Patty Duke tinha 16 anos quando foi premiada por interpretar a cega, surda e muda Helen Keller em “O Milagre de Annie Sullivan”; Tatum O’Neal tinha apenas 10 quando ganhou por “Lua de Papel”, onde contracena com o pai Ryan O’Neal; e na década de 90, Anna Paquin, hoje conhecida como a Sookie do seriado “True Blood”, atingiu o feito por “O Piano”, aos 11 anos (o vídeo, com uma Anna ansiosa e sem palavras, pode ser conferido acima). Todas foram premiadas como Coadjuvantes e, até hoje, não foram indicadas novamente. Das meninas prodígio, Jodie Foster, que concorreu por “Taxi Driver” quando tinha 14 anos, é a única a conseguir outras indicações – e até mesmo prêmios – depois de adulta.

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Oscar transgênero

Linda Hunt, Melhor Coadjuvante por “O Ano Em Que Vivemos Em Perigo”

Imagem de Amostra do You Tube

Em 1984, uma atriz venceu o Oscar por interpretar um membro do sexo oposto. A baixinha Linda Hunt vive um homem em “O Ano Em Que Vivemos Em Perigo”! Feito inédito e, até então, único (Cate Blanchett chegou perto de repetí-lo por sua versão de Bob Dylan em “Não Estou Lá”).

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Pior perdedor

Samuel L. Jackson em 1995

Imagem de Amostra do You Tube

Quando Martin Landau venceu o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por “Ed Wood”, Samuel L. Jackson, que competia por “Pulp Fiction”, soltou um palavrão bem perceptível pelas câmeras (e nem precisa ser leitor labial para entender)!

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A mais convencida

Sally Field em 1985

Ao vencer seu segundo Oscar, Sally Field deixou o prêmio lhe subir à cabeça enquanto ainda estava no palco. No discurso da vitória de “Um Lugar no Coração”, que seria muito parodiado e tripudiado nos meses e anos seguintes, ela grita: “Não posso negar o fato de que vocês gostam de mim! Vocês gostam de mim!”.

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Pior número de abertura

Branca de Neve no Oscar 1989

No número inicial, uma atriz fantasiada de Branca de Neve (sem que a Academia tivesse pedido autorização à Disney pelo uso da imagem da personagem) adentrava o Teatro cantando e saltitando. A sucessão de esquetes incluía um dueto desafinado com Rob Lowe na música “Proud Mary”. Uma carta aberta assinada pelos mais prestigiados membros da indústria foi liberada na manhã seguinte: todos tinham sentido vergonha alheia por presenciar esse verdadeiro show de horrores.

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Apresentação mais irreverente

Robin Williams com a canção de “South Park”

Imagem de Amostra do You Tube

Em 2000, Robin Williams desempenhou a divertidíssima “Blame Canada”, canção do filme “South Park: Maior, Melhor e Sem Cortes”. A letra, assim como o próprio desenho, é politicamente incorreta, e todos os palavrões e termos chulos (com exceção do mais forte, “fuck”) foram mantidos na apresentação.

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A vitória mais importante

Hattie McDaniel por “…E o Vento Levou”

Imagem de Amostra do You Tube

Hattie McDaniel foi a primeira negra a vencer um Oscar! Conseguiu o feito por “…E o Vento Levou”, onde interpreta a inesquecível criada Mammy. Na época, a segregação racial quase a impediu de comparecer à cerimônia (ela foi, de fato, a primeira negra a comparecer numa festa do Oscar como convidada e não como serviçal). No discurso emocionado e sincero, ela diz: “Esse é um dos momentos mais felizes da minha vida. A gentileza de vocês me faz sentir muito humilde. Eu espero poder ser um crédito para minha raça e para a indústria do cinema. Meu coração está cheio demais para que eu possa dizer tudo o que sinto.”

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Momento mais emocionante

O Oscar Honorário de Charlie Chaplin

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Ainda que nunca tenha vencido um Oscar de Direção, Charlie Chaplin foi agraciado pela Academia com uma estatueta Honorária. Afastado de Hollywood há muitos anos, ele retornou especialmente para a cerimônia. Foi ovacionado por mais de cinco minutos, os aplausos mais prolongados que a festa do Oscar já viu (e que a edição do vídeo não deixa perceber). E nem ele mesmo conseguiu conter a emoção – as lágrimas são visíveis!

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Maior palhaçada

Roberto Benigni vencendo por “A Vida É Bela”

http://www.dailymotion.com/video/x7wd93

Pelo filme italiano, do qual foi diretor e protagonista, Benigni recebeu as estatuetas de Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Ator. Além das vitórias serem discutíveis, ele subiu ao palco fazendo micagens, subindo na poltrona, dando pulinhos, correndo e quase caindo no caminho. As palhaçadas de um palhaço.

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Recorde de arrogância

James Cameron recebe prêmio por “Titanic”

http://www.dailymotion.com/video/xh8mqt

Ao ser premiado pela Direção de “Titanic”, coroando uma vitória histórica com recorde de estatuetas para o filme, James Cameron encerrou seu discurso berrando com os braços abertos: “Eu sou o rei do mundo!”. A fala em questão era uma das mais memoráveis do filme, então proferida por Leonardo DiCaprio. Seja qual tenha sido sua intenção, soou arrogante ou no mínimo auto-indulgente para a maioria do público.

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O Oscar empatado

Katharine Hepburn (“O Leão no Inverno”) e Barbra Streisand (“Funny Girl”)

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A categoria de Melhor Atriz de 1968 foi atípica por vários motivos. Em primeiro lugar, houve um empate exato entre as concorrentes Katharine Hepburn e Barbra Streisand (em 1932, Frederich Marck, de “O Médico e o Monstro”, e Wallace Berry, de “O Campeão”, haviam empatado como Melhor Ator, mas na época uma pequena margem de votos de diferença já constituía empate). Em segundo lugar, este seria o terceiro Oscar de Hepburn, tornando-a a primeira (e até hoje única) atriz a vencer três Oscars como protagonista (ela estenderia seu recorde ao receber o quarto décadas mais tarde). Em terceiro lugar, Streisand foi premiada por seu filme de estreia, uma das únicas vezes em que alguém levou um Oscar pelo primeiro trabalho.

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Vitória mais controversa

Grace Kelly em 1955

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Grace Kelly, a futura Princesa de Mônaco, foi a Melhor Atriz por “Amar É Sofrer”. A favorita, porém, era Judy Garland por “Nasce uma Estrela”. Grávida, Garland não pode comparecer à cerimônia, e certos de que ela seria a vencedora, os produtores da festa colocaram uma equipe de televisão em seu quarto de hospital para registrar o momento. O desapontamento nunca foi ao ar, mas no livro “Grace”, Robert Lacey fala a respeito da reação de Judy: “No alto do terceiro andar do hospital, Sid Luft, o marido de Judy Garland, foi franco em seu desgosto. ‘Foda-se o prêmio da Academia’, disse, colocando os braços em volta de sua mulher, enquanto o cinegrafista desligava seu equipamento e preparava-se para ir embora. A própria Judy Garland nunca se preocupou em esconder sua opinião de que fora trapaceada, soluçando ao pensar em Grace Kelly ‘tirando sua maquilagem de merda e agarrando o MEU Oscar’”. A comoção foi tamanha que Garland recebeu mais de mil telegramas de apoio depois daquela noite, incluindo um de Groucho Marx. A categoria também foi importante naquele ano pela indicação de Dorothy Dandridge por “Carmen Jones”, a primeira negra a concorrer como protagonista.

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Discurso mais confuso

Angelina Jolie vencendo por “Garota, Interrompida”

http://www.dailymotion.com/video/x8qoi8

Ao vencer o Oscar de Atriz Coadjuvante, Angelina Jolie – antes da fase “ativista da ONU e mãe de família” – fez um discurso que se tornaria mais comentado do que o próprio prêmio. Antes de subir ao palco, ela deu um beijo no irmão Jamie e, durante o discurso, disse que estava apaixonada por ele! Para completar, o figurino inspirado em Mortícia Addams contribuía para criar uma imagem sinistra e esquisita. Anos mais tarde, quando foi entrevistada por James Lipton no programa “Inside the Actor’s Studio”, Angelina disse que sua colocação não tinha sido maliciosa, e que ela só queria compartilhar o momento com a pessoa que mais a apoiara durante a carreira. Quando Lipton perguntou se ela tinha tido relações sexuais com o irmão, ela foi categórica: “Não!”.

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Pior Vestido

Björk no Oscar 2001

http://www.dailymotion.com/video/x3yse7

A cantora islandesa Björk surpreendeu como atriz em “Dançando no Escuro” e recebeu uma indicação ao Oscar pela canção “I’ve Seen It All”, que compôs especialmente para o filme. A letra tem conteúdo, mas ficou difícil prestar atenção em qualquer coisa que não fosse seu traje: um pavoroso vestido em forma de cisne! De fato, a roupa tirou o foco de tudo mais – e não é à toa que o modelito é apontado até hoje como o maior desastre fashion da História da premiação.

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Momento mais bizarro

Aquilo foi um homem nu?

http://www.dailymotion.com/video/x4irn4

Nos anos 70, era moda alguém tirar a roupa e sair correndo em locais públicos; essas pessoas eram chamadas de “streakers”. O Oscar não ficou de fora dessa moda: Robert Opal, um total desconhecido, resolveu tirar a roupa e simplesmente cruzar o palco em 1974, quando David Niven apresentava um prêmio.

+ Louis Vidovix

Louis Vidovix é publicitário, leitor voraz, cinéfilo incorrigível e fã das séries de TV. Expõe suas opiniões no blog Acho Melhor Não Ler

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