Rachel Weisz vai atrás do segundo Oscar

O ano está sendo produtivo para Rachel Weisz: a atriz se casou recentemente com o colega britânico Daniel Craig (“007 – Cassino Royale”) após um breve e discreto namoro, e está para estrear o drama “A Informante” (The Whistleblower), projeto gestado há anos que a coloca novamente em visibilidade para uma indicação o Oscar. Rachel já venceu o careca em 2006, por “O Jardineiro Fiel”, dirigido pelo brasileiro Fernando Meirelles (“Cidade de Deus”).

Antes disso, ela era vista como uma atriz simpática, conhecida do público pelas aventuras da franquia “A Múmia”. Sob o comando do diretor brasileiro, porém, arrebatou no papel de uma missionária obstinada a derrubar as práticas ilegais da indústria farmacêutica no território africano. A personagem, aliás, é bem similar a de “A Informante” – com a diferença de que, no novo filme, trata-se de uma figura real, mais interessante ainda para os membros da Academia, que veneram papeis biográficos.

Ela interpreta Kathryn Bolkovac, representante das Nações Unidas na Bósnia, que desmascarou uma cadeia de prostituição e tráfico sexual envolvendo funcionários da empresa DynCorp, que a havia contratado. O processo movido por Bolkovac foi finalizado em 2002, e desde então fala-se em levar essa história para o cinema.

“Soube do filme por Amy Kaufman, produtora de ‘O Jardineiro Fiel’, e deve fazer um tempinho, porque eu estava grávida na época e meu filho já está com 5 anos”, recordou-se Weisz (o filho a que ela se refere é fruto da relação com o diretor Darren Aronofsky, de “Cisne Negro”).

A princípio, a atriz pensou que seria inviável ao papel. “Li o roteiro e achei que era um material brilhante, mas imaginei que, por estar grávida, não poderia me comprometer”, confessou. Para a sorte de Weisz, o projeto acabou engavetado – e ainda estaria, se ela mesma não tivesse tomado a iniciativa de correr atrás dele. “Dois anos depois, ainda não tinha esquecido do roteiro. Liguei para a Amy e perguntei o que estava sendo feito dele. E ela o trouxe de volta para mim”, contou Rachel. Com o nome de uma vencedora do Oscar no topo dos créditos, o filme voltou a ser viável.

Parte do fascínio, Rachel admite, deve-se ao fato de a trama ser mais “pesada” do que se imaginaria. “Não sei definir propriamente, mas, na época, era intenso demais para eu lidar”, disse a atriz.

As provações que Bolkovac enfrenta para iluminar a situação que encontrou na Bósnia são em parte indescritíveis. “Eu não sou tão corajosa assim e teria feito vista grossa”, admitiu Weisz, ao refletir sobre as ações da personagem – e sua conquista é tão hercúlea que, a princípio, muitos espectadores podem se perguntar se a história é mesmo real, e não uma obra de ficção.

“Queria tanto assim fazer esse filme porque ela é extraordinária, mas se considera comum”, prosseguiu a atriz. Bolkovac, de fato, leva uma vida discreta e foi preciso vasculhar material para Rachel basear a composição.

“Larysa Kondracki, a roteirista e diretora, reuniu um bom arquivo dela enquanto lhe entrevistava sobre a história. Por ele, eu pude captar o sotaque de Kathy. Somos diferentes. Ela é loira e grandalhona, mas, para mim, o essencial era capturar o seu espírito”, refletiu Weiz. E ela não precisou se basear o tempo todo em gravações: as duas puderam se encontrar logo após o início das filmagens, na Romênia.

“Passei cada segundo que eu podia com ela”, comentou Rachel. A partir daí, a admiração pela pessoa, que fermentava desde que o roteiro lhe chegou às mãos à época de “O Jardineiro Fiel”, quadriplicou. “A postura dela é: ‘Eu estava fazendo meu trabalho. Vi injustiça e fiz meu trabalho’. É isso mesmo que há de tão incrível na Kathy: ela não estava tentando fazer algo bom ou algo importante. Isso simplesmente está na natureza dela”, explicou Weisz. “Para mim, esse filme é um estudo de personagem, pois foi o caráter dela que a motivou a fazer o que fez”, completou.

A atriz, porém, parece muito consciente do papel que o cinema – e esse filme específico – pode exercer sobre o público. “Acho excelente que a arte possa inspirar as pessoas, mas não a encaro como um recrutamento. Vejo mais como a celebração desse ser humano, que é mais nobre do que a maioria de nós. Há algo nessas histórias inspiradoras que me dão esperanças de que existem indivíduos maravilhosos nesse planeta”, declarou Weisz.

Uma reflexão, aliás, que marcou seu discurso ao aceitar o Oscar por “O Jardineiro Fiel”: ela dedicou a estatueta aos que se empenhavam em combater as injustiças. “São homens e mulheres melhores do que eu”, concluiu Rachel na ocasião.

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Veja também o trailer:

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+ Louis Vidovix

Louis Vidovix é publicitário, leitor voraz, cinéfilo incorrigível e fã das séries de TV. Expõe suas opiniões no blog Acho Melhor Não Ler

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