“Quero Matar Meu Chefe” é uma comédia americana bastante satisfatória, dotada até de conteúdo social, porque tem como pano de fundo algo que os americanos talvez nunca suspeitassem que fossem sentir um dia, que é o medo do desemprego.
Três amigos sofrem os abusos, assédios, injustiças, perseguições e demais efeitos colaterais e desumanos de uma relação de trabalho. Mas têm que engolir o sapo, porque nenhum deles é bom profissional e todos precisam muito do emprego.
A saída então seria parodiar, ou melhor, copiar pra valer o esquema proposto por Alfred Hitchcock em “Pacto Sinistro” (1951), arquitetando um esquema no qual cada um se propõe a matar o chefe do outro, para não levantar suspeitas.
Mas, paródia mesmo é o que o filme faz com os três amigos, colocando-os como adaptações para o mundo atual dos “Três Patetas”, aquela trinca de palhaços que fez comédias de pastelão, desde a década de 1930 até os anos de 1960. Neste filme, apesar de simpáticos, os protagonistas se mostram tão idiotas e incompetentes que parecem merecer os patrões que têm.
Por sinal, o melhor do filme é a atuação dos chefes-vilões: Colin Farrel, Kevin Spacey e Jennifer Aniston, detestáveis em seus papéis de demônios em forma de gente. Cada um deles é desenhado com precisão e, assim, ganham os melhores diálogos do roteiro, que se esmera em ironia, com a inclusão de um “deus ex-machina” assumido para consertar a bagunça armada pelo três patetas. Esse gracejo requintado, porém, destoa do restante do filme.
No teatro da Grécia antiga, chamava-se de “deus ex-machina” a voz de uma divindade que interferia na trama, quando não havia mais saída para os personagens. Neste filme, temos a voz de um aparelho de GPS, que acaba exercendo a mesma função, fornecendo o desfecho feliz da trama.
Quero Matar meu Chefe
(Horrible Bosses, EUA, 2011)
Lançamento em DVD e Blu-ray


































