O diretor Ridley Scott procura atribuir a “Prometheus” estatura equivalente aos grandes espetáculos de ficção científica do cinema, como “2001: Uma Odisséia no Espaço” (1968), de Stanley Kubrick, e de seu próprio “Blade Runner – O Caçador de Andróides” (1982). Tanto é assim que ele retoma alguns dos principais temas com os quais aquelas obras trabalharam.
Assim como em “2001”, que em seu início mostrava a descoberta de um misterioso monólito enterrado na lua, o filme começa com uma descoberta arqueológica que remete a uma civilização interestelar. Ou seja, a idéia de que os contatos imediatos com gente de outros planetas não é matéria do futuro e sim do passado. E lá se vão os terrestres em busca dessa conexão quase mística com aqueles que teriam sido os nossos criadores.
Se, no filme de Kubrick, os humanos enfrentavam um super computador rebelde que não obedecia às leis da robótica imaginadas por Isaac Asimov, aqui o antagonista mais perigoso pode ser um andróide (Michael Fassbender, de “Shame”), tão cheio de manias e vontades quanto os de “Blade Runner”. Noomi Rapace (“Os Homens que Não Amavam as Mulheres”), no papel da cientista da expedição, e Charlize Theron (“Branca de Neve e o Caçador”), como a comandante da nave, mostram competência, mas a atuação mais complexa do elenco cabe mesmo a Fassbender. Novamente o conflito entre criador e criatura, que já vimos em Pinóquio e Frankenstein.
A novidade é que em “Prometheus” nada é colocado de modo inteiramente explícito e muitas dúvidas ficam para serem resolvidas nos próximos exemplares da série que, certamente, serão produzidos. Quais as intenções desse robô repleto de ambigüidades? Porque os mesmos monstros terríveis vistos em “Alien” são criados nesse planeta que parece ter sido a terra natal do DNA humano?
Mesmo com toda carga de questões metafísicas que permeiam o roteiro, “Prometheus” acerta na elaboração de um universo aterrador e formalmente original, que começa a ser construído logo nas primeiras tomadas. São imagens aéreas de paisagens fantasmagóricas filmadas, no entanto, em algum lugar do hemisfério norte. Trata-se de um estratagema para sugerir um mundo estranho, feito com matéria prima visual colhida aqui mesmo.
Curiosamente, no final de “Blade Runner”, vemos uma série de sequencias aéreas que foram colhidas no arquivo de imagens que sobraram de “2001: uma odisséia no espaço” – justamente as duas principais fontes inspiradoras de “Prometheus”.
Prometheus
(EUA, 2012)


































3 Comentários
Apesar do apuro visual, dos efeitos que são ótimos e da atuação de Michael Fassbender (sim, copiei e colei), em que só pensava durante quase todo o filme que ele daria um perfeito “R. Daneel Olivaw” para uma adaptação de Isaac Azimov (não, não copiei e colei), o filme não me empolgou. Para mim não foi uma revolução ou inovou. Foi bom. Foi mais do mesmo. E isso é tudo que posso dizer. Além disso, depois de ter assistido “Alien”, Blade Runner e 2001 esperava algo que chegasse minimamente perto desses clássicos. Me decepcionei.
Assisti ontem e gostei bastante do filme. Achei a história muito competente.
Muito interessante a maneira que ele incluiu fé no roteiro, e também a ganância humana. Nunca assisti Alien, então não sabia o que esperar, mas saí muito satisfeita do cinema, e aguardo as continuações.
Prometheus está dividindo a crítica.
Ridley Scott andou tropeçando no cinema durante os últimos anos. Ainda não tive a chance de assistir Prometheus, mas o elenco e a promessa de um novo clássico para o gênero me deixam curiosa.
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