Morreu Phyllis Thaxter, atriz de diversos clássicos do cinema noir e que viveu a mãe de Clark Kent (Christopher Reeve) em “Superman – O Filme” (1978). Ela morreu na terça, 14 de agosto, vítima de Alzheimer em sua casa, em Orlando.
Nascida em 20 de novembro de 1921, em Portland, Phyllis encontrou suas primeiras influências artísticas em casa. Apesar de seu pai ser um juiz importante, sua mãe havia sido atriz em sua juventude. Ainda criança, Phyllis iniciou sua carreira na Broadway na década de 1930, conseguindo um contrato com a MGM em 1944.
Trinta Segundos Sobre Tóquio, com Spencer Tracy e Van Johnson
Seu primeiro filme foi o drama de guerra “Trinta Segundos Sobre Tóquio” (Thirty Seconds Over Tokyo), ao lado do ator Van Johnson. No ano seguinte, ela estrelou “Bewitched”, thriller psicológico em que interpretava uma mulher com dupla personalidade, que variava entre o amor por seus namorados e a vontade incontrolável de matá-los. O filme abordou várias temáticas incomuns e até ultrajantes para sua época e colocou Phyllis sob a luz dos holofotes.
Paradoxalmente, em quase todos os outros filmes que estrelou na MGM, ela interpretou esposas obedientes, sempre à sombra de algum astro. Mas também teve a oportunidade de trabalhar com grandes cineastas como Elia Kazan, Robert Wise, John Sturges e Fred Zinneman, respectivamente em “Mar Verde” (The Sea of Grass, 1947), “Blood on the Moon” (1948), “O Signo de Áries” (The Sign of Ram, 1948) e “Ato de Violência” (Act of Violence, 1948).
Bewitched
Assim como “Bewitched” e “Ato de Violência”, seus melhores filmes exploraram o lado sombrio da humanidade, um filão que encontraria na jovem de rosto inocente uma vítima perfeita.
Ela estrelou o noir “Casei-Me com um Morto” (No Man of Her Own) na Paramount Pictures em 1950. No filme dirigido por Mitchell Leisen, ela vivia uma grávida rica que, ao morrer com o marido num acidente de trem, tinha sua identidade roubada por Barbara Stanwyck. No mesmo ano, integrou o elenco de um clássico do gênero na Warner. Ao lado dos astros John Garfield e Patricia Neal, estrelou “Redenção Sangrenta” (The Breaking Point, 1950) de Michael Curtiz. Na trama, Phyllis voltava ao papel da esposa dedicada, desta vez de um barqueiro (Garfield) que aceitava negócios suspeitos para pagar suas dívidas e proporcionar uma vida melhor para sua família.
Ato de Vingança, com Robert Ryan
Ela voltou a viver uma mulher malvada em seu último grande papel de destaque, mais uma vez num clássico noir. Em 1955, ela participou de “Women’s Prison”, ambientado em uma prisão feminina, ao lado das musas Ida Lupino, Jan Sterling e Cleo Moore. A trama pioneira, dirigida por Lewis Seiler, acompanhava o cotidiano das prisioneiras. Phyllis interpretava a presidiária que começa o filme como protagonista, mas que logo se vê trancafiada numa cela solitária e tem sua participação reduzida.
A partir da metade da década, ela passou a se dedicar quase que inteiramente a séries de TV, aparecendo em diveras produções, como “Letter to Loretta” (1955), “Climax!” (1955-57), “Alfred Hitchcock Presents” (1960), “The Alfred Hitchcock Hour” (1963), “The Defenders” (1964), “O Fugitivo” (1964), “Os Invasores” (1968), “Bonanza” (1969), “Cannon” (1971) e “Barnaby Jones” (1975).
Redenção Sangrenta, com John Garfield
Em plena fase televisiva, ela ainda participou, num papel secundário, do filme “O Mundo de Henry Orient” (The World of Henry Orient, 1964), um clássico juvenil dirigido por George Roy Hill e estrelado por Peter Sellers. Ela interpretava a mãe de uma menina de 14 anos obcecada pelo pianista do título, interpretado por Sellers.
Phyllis ainda faria mais um filme. E seria uma despedida em alto estilo, vivendo uma personagem querida por gerações de leitores de quadrinhos. Em 1978, Phyllis foi escalada para viver Martha Kent, a mãe adotiva de Clark Kent no primeiro filme da franquia “Superman”, estrelada pelo ator Christopher Reeve. O papel era pequeno, mas essencial para a apresentação do super-herói para o grande público. Foi um dos últimos papéis de Phyllis antes de sua aposentadoria.
Woman’s Prison, com Jan Sterling
Ela encerrou a carreira fazendo apenas mais duas participações em séries de TV: em “American Playhouse”, em 1985, e na série “Assassinato por Escrito” (Murder, She Wrote), em 1992.
Phyllis Thaxter deixou três filhos, frutos de seu casamento com o produtor James T. Aubrey, de quem se divorciou em 1962. Ela ainda foi casada por 46 anos com o jogador de futebol americano Gilbert Lea até a morte dele, em 2008.
Superman – O Filme, com Glenn Ford e Aaron Smolinski

































