Pedro Armendáriz Jr. (1940 – 2011)

Morreu em Nova York, o ator mexicano Pedro Armendáriz Jr, conhecido por interpretar padres, cowboys e vilões, e por ter participado das franquias “007″ e “Zorro”.

Filho do lendário Pedro Armendáriz, astro da era de ouro do cinema mexicano, que trabalhou com Luis Buñuel, Howard Hawks e John Ford, e da também atriz Carmelita Bohr, Armendáriz Jr. formou-se arquiteto antes de seguir os passos dos pais. Seu primeiro papel no cinema foi em 1965, no filme “El Cachorro”, de Arturo Martinez. A partir daí, não parou mais. O ator sempre manteve uma média de dois ou mais filmes por ano, e não demorou muito para começar a trabalhar em produções americanas.

Com o pai Pedro Armendáriz e irmãos

Com dezenas de westerns mexicanos no currículo, foi duelar com John Wayne no clássico “Chisum” (1970). O célebre cowboy americano era, por sinal, amigo de seu pai, com quem trabalhou em “Sangue de Bárbaros” (1956) nas piores condições possíveis – as filmagens em deserto contaminado causaram a morte por câncer de todo o elenco, menos de Armendáriz, que ao saber seu destino preferiu se suicidar.

Após participar do western “A Fúria dos Sete Homens” (1972), da sci-fi apocalíptica “Chosen Survivors” (1974) e do famoso filme catástrofe “Terremoto” (1974), Armendáriz Jr. tentou manter uma carreira paralela nos EUA, trabalhando principalmente na televisão. Fez diversos telefilmes e participou de séries clássicas, como “Columbo”, “Julia”, “O Barco do Amor” e “Águia de Fogo”. Mas não abandonou as produções mexicanas. Em 1976, ele viveu o vilão de “La Gran Aventura del Zorro”, único filme em que herói Zorro foi interpretado por uma ator mexicano (Rodolfo de Anda).

El Cachorro

Armendáriz Jr. não herdou o porte elegante do pai. A careca precoce também ajudou a torná-lo marcado por um tipo específico de papel. Assim como no México, em Hollywood ele se acostumou a interpretar vilões e sujeitos cínicos, mas mesmo nestes papéis conseguia conquistar a empatia do público, graças a seu carisma.

Ele chegou a compartilhar com seu pai a distinção de interpretar um antagonista do agente secreto James Bond. O último filme de seu pai, falecido em 1963, foi “Moscou contra 007″ (1963). Armendáriz Jr., por sua vez, enfrentou James Bond em “007 Permissão Para Matar” (1989).

A Fúria dos Sete Homens

Apesar da longa carreira, o ator só foi se firmar nos EUA no final dos anos 1990. Sempre lembrado para trabalhar em filmes passados no século 19, como “Gringo Velho” (1989), em que viveu o bandido Pancho Villa (papel eternizado por seu pai), e “Amistad” (1997), de Steven Spielberg, ele foi escalado pelo diretor Martin Campbell para viver Don Pedro, um dos fidalgos enfrentados por Zorro nos filmes estrelados por Antonio Banderas, “A Máscara do Zorro” (1998) e “A Lenda do Zorro” (2005).

O sucesso de “A Máscara do Zorro” aconteceu no momento em que uma nova geração de cineastas trazia para Hollywood a sua fascinação por elementos da cultura mexicana, em especial o clima de velho western que ainda permeia o crime no país. Nesta fase, Armendáriz Jr. atuou em “A Mexicana” (2000), de Gore Verbinski, estrelado por Brad Pitt e Julia Roberts, e “Era uma Vez no México” (2003), de Robert Rodriguez, com Antonio Banderas, Salma Hayek e Johnny Depp. Também viveu o inimigo de Pancho Villa, o governador Luis Terrazas, no telefilme “And Starring Pancho Villa as Himself” (2003), novamente enfrentando Antonio Banderas (no papel de Pancho Villa).

Era uma Vez no México

Paralelamente, atuou num dos maiores sucessos comerciais do cinema mexicano, o drama “O Crime do Padre Amaro” (2002), baseado no romance de Eça de Queirós e indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. E incluiu na sua lista de personagens famosos ninguém menos que o Papai Noel, no bem-sucedido “Navidad S.A.” (2008).

Além do cinema, Armendáriz Jr. também se especializou em uma mídia muito popular no México: as telenovelas. Conciliando seu trabalho em ambos os veículos, o ator se tornou uma figura popular e reconhecida em seu país de origem, ao participar das novelas “La Última Esperanza” (1995), “La Sombra del Outro” (1996), “La Culpa” (1996) e “Três Mujeres” (1999).

Com Will Ferrell, no inédito La Casa de Mi Padre

Em 2010, ele foi homenageado com na Espanha, no Festival de Cinema Ibero-Americano de Huelva, por seus mais de 40 anos de carreira. O ator ganhou dois prêmios Ariel, importante premiação mexicana. Ao todo, ele somou mais de 140 filmes e telenovelas.

Armendáriz Jr morreu na segunda-feira (26/12) aos 71 anos, vítima de câncer, mas poderá ainda ser visto no cinema no inédito “Casa de Mi Padre”, com Will Ferrell, que estreia em março nos EUA.

+ Lucas Procópio

Lucas Procópio, estudante e amante do cinema, espectador descontrolado e aspirante a cineasta.

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