Par Perfeito recicla a fórmula dos encontros explosivos

Não fosse a comédia romântica uma desculpa usual para casais em inicio de namoro se encontrarem, “Par Perfeito” não teria nada que justificasse sua existência. A fita dirigida por Robert Luketic (de “Legalmente Loira” e “A Sogra”) não se decide entre a comédia romântica ou filme de ação. Por não saber dosar os elementos necessários para cada um destes gêneros, o diretor criou uma obra que corre o risco de desagradar tanto quem busca cenas de amor quanto quem espera cenas de luta.

A trama banal diz respeito a Jen, uma mulher recém abandonada pelo namorado que, durante uma temporada de férias com seus pais, conhece o charmoso Spencer. Eles se apaixonam, se casam e vivem o felizes-para-sempre até que um segredo vem à tona: Spencer é um matador profissional e sua cabeça está a prêmio.

De todos os lugares possíveis, começam a surgir pessoas interessadas em matá-lo para receber a recompensa oferecida. Sem saída, Jen embarca com o marido numa corrida contra o tempo para tentar salvar a vida de ambos. A idéia do roteiro é mais que manjada – há pitadas aqui que vão de “Sr. & Sra. Smith” (2005) ao recente “Encontro Explosivo” (2010). Sobrecarregado de clichês, restaria ao casal protagonista uma química que funcionasse bem para manter a atenção da platéia diante de uma história fraca – porém, ela não existe.

Katherine Heigl, que chegou aos holofotes de Hollywood graças à série “Grey’s Anatomy”, possui todas as características necessárias para uma heroína romântica. Perfeita para interpretar mocinhas doces, ingênuas, atrapalhadas e apaixonadas, Katherine é séria candidata a ocupar o posto que foi de Meg Ryan durante anos.

O problema é que a atriz tem se repetido neste papel e sua imagem já corre o risco de desgaste. Quase nada difere Jen de suas personagens anteriores em “Ligeiramente Grávidos” (2007), “Vestida para Casar” (2008) ou “A Verdade Nua e Crua” (2009) – este último, também dirigido por Luketic.

Ashton Kutcher, seu companheiro de cena, que também se projetou com uma série de TV (“That 70′s Show”), esforça-se mas não consegue dar credibilidade ao seu personagem. O atual Sr. Demi Moore parece estar mais preocupado em aproveitar as oportunidades de cena para aparecer de sunga ou enrolado em toalhas do que convencer o público que é uma espécie de 007.

Sem dar explicações convincentes que justifiquem a origem e o desenrolar da trama, a equipe de roteiristas se rende a saídas fáceis no desfecho da história, que perde credibilidade a cada cena de ação que apresenta. Automóveis em fuga atravessam quintais e tomam as ruas, carros explodem e casas são destruídas sem que haja sequer um passante nas ruas para presenciar tais ações. Esta quase total ausência de figurantes deixa a impressão de que a cidade está deserta só para que o casal fuja, atire ou distribua alguns socos livremente e sem riscos. De tão simples, as sequências se tornam inverossímeis.

A produção custou cerca de US$72 milhões, cara para uma comédia romântica. Mas ainda não rendeu nem US$50 milhões. Resposta mais que compreensível do público diante de algo inquestionável: “Par Perfeito” é um filme absolutamente desnecessário.

Imagem de Amostra do You Tube

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Par Perfeito

(The Killers EUA, 2010)

Lançamento em DVD e Blu-ray

 ★½☆☆☆ 

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+ Fabricio Ataide

Fabricio Ataide come, bebe e respira cinema. Fisioterapeuta por formação, bancário por necessidade, escritor por hobby e cinéfilo por vocação, assiste praticamente a todos os filmes que estreiam em circuito (inclusive os assumidamente ruins), vai estudar cinema (um dia) e dirigir um curta (outro dia). Mora em São Paulo e passa mais tempo nos cinemas da região da Paulista que na sua própria casa.

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