Pandorum enfrenta os clichês das criaturas canibais do espaço

Não há muita novidade em filmes sobre explorações de outras galáxias em busca de novos planetas depois de a Terra ter se tornado um local inóspito. E “Pandorum”, do alemão Christian Alvart (“Anticorpos”), é mais uma a despencar nos clichês das criaturas canibais do espaço.

A ação se passa em uma nave espacial aparentemente abandonada. O público é convidado a explorar os corredores e descobrir o que há nas sombras, meio como num videogame, pelos olhos de um homem que acaba de despertar (o ótimo Ben Foster, de “O Mensageiro”) de sua câmera de hibernação. Por conta do tempo em que viajou num coma espacial induzido, ele não consegue se lembrar onde está, quem é e nem qual é sua missão.

Logo ele descobre que não está sozinho. Sua companhia, a princípio, é um também recém-despertado e atordoado oficial (o veterano Dennis Quaid, de “Os Eleitos”). Tentando descobrir o que está acontecendo, eles decidem que a melhor opção é uma busca pelo interior da nave. O problema é que as portas não abrem, o computador não funciona e eles estão presos na sala em que despertaram.

Esse começo é a melhor parte do filme, com direito a uma sufocante cena de fuga pela tubulação, em busca de uma saída da hermética sala de controle. Lembra um pouco outra sci-fi européia, a francesa “Eden Log” (2008), causa angústia e consegue atrair toda a atenção de quem assiste, que mergulha facilmente na história e precisa saber o que vai acontecer em seguida.

Mantendo a tradição de que o melhor monstro é sempre aquele criado em nossa cabeça, a sensação de imersão dura apenas até o encontro com os primeiros habitantes da nave e vai perdendo a força a cada novo personagem e detalhe acrescentado à trama.

Depois de esqueletos, monstros e outros humanos, o roteiro desanda, fracassa em suas tentativas de explicações e termina sem a menor coerência. É difícil, por exemplo, assistir sem constrangimento a cena em que o cozinheiro explica, com direito a ilustrações, o que aconteceu dentro da nave.

No mais são cenas de tiros, lutas e correrias em fuga dos monstros pelos corredores escuros e salões destruídos da nave (como no game “Dead Space”), misturadas a flashbacks desnecessários, personagens óbvios, diálogos rasos e, claro, uma câmara biológica que abriga todas as espécies animais e vegetais do planeta Terra.

Ben Foster e Dennis Quaid não estão em suas melhores performances, mas não são, nem de longe, um problema para o filme. O mesmo não pode ser dito da atuação exagerada de Cam Gigandet (o vampiro malvado James de “Crepúsculo”), mas com o papel que ele tinha era difícil para qualquer um.

Nem mesmo os efeitos visuais conseguem salvar o conjunto da obra, assim como os sonoros, que abusam de elementos dissonantes para criar suspense. Quando os créditos começam a subir, o sentimento é de frustração, incômodo e perda de tempo.

Imagem de Amostra do You Tube
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Pandorum

(Alemanha/EUA, 2009)

Lançamento em DVD

 ★★½☆☆ 

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+ Cecília Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural, cinéfila e escreve no Cenas de Cinema.

1 Comentário

  • Guilherme Identicon Icon Guilherme
    25 de maio de 2010 | Permalink | Responder

    Sinceramente, como eu assisti Pandorum muito antes de sair aqui nos cinemas — há aproximadamente uns 3 meses –, antes mesmo de saber que o filme sairia aqui nos cinemas… Foi uma surpresa agradável. O filme de fato consegue ter algumas nuances alienescas. Se você gostou de Alien, o filme com certeza vai te agradar. Vale a pena assistir, se vc gosta de Sci-fi. Se você é um cinéfilo exigente, que prefere o trigo sem o joio, talvez este filme não seja para você. Eu dou nota 7, mas tem gente que pode dar menos…

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