Os zumbis invadem a Comic-Con

A série “The Walking Dead” teve dois painéis na Comic-Con 2012. Um foi aberto ao público, na sala H do Centro de Convenção de San Diego. Outro aconteceu num terraço de hotel e reuniu apenas a imprensa. Além disso, o elenco prestigiou, no salão principal do evento, o lançamento da edição 100 da revista em quadrinhos em que a série é baseada – que, por sinal, se tornou a publicação de quadrinhos mais vendida do século nos EUA, com 350 mil exemplares encomendados antecipadamente.

Os zumbis também estiveram presentes numa invasão à cidade de San Diego, desfilando com maquiagem de decomposição, numa passeata patrocinada pela série. De fato, os zumbis estão em toda a parte agora, em diversos projetos em desenvolvimento, inclusive um longa de animação, “ParaNorman”. Até Brad Pitt está enfrentando uma infestação pós-apocalíptica de comedores de cérebro em seu próximo filme. E tudo aponta para “The Walking Dead”, como catalizador da nova volta dos mortos-vivos.

Para a produtora Gale Anne Hurd, o sucesso de “The Walking Dead” se deve a um instinto básico. “O medo da morte é o que move o show – e isso é internacional, de quase todas as culturas, o que explica o sucesso do nosso programa ao redor do globo”, avalia.

Robert Kirkman, criador dos quadrinhos, é um dos fãs mais eloquentes. Ele diz que “adora a série”. E tem mesmo que gostar, pois ela está ajudando seu trabalho a vender como nunca. Mas o que ele considera o ponto forte da produção televisiva é justamente o que poderia incomodar aos fãs de seus livros: o fato de ser um produto diferenciado, que ganhou vida própria ao se distanciar da obra original.

“O que eu mais gosto no universo de ‘The Walking Dead’ é que a série existe à parte dos quadrinhos”, declarou ele. “Sou um dos escritores que está contando esta história há dez anos, então sou o primeiro a trazer as reivindicações dos fãs, mas não posso reclamar do bom trabalho que estão fazendo. Na verdade, fico entusiasmado com todas as novidades e diferenças na maneira de ver os personagens e eventos”, disse. “E também é legal para os fãs, já que assim são introduzidos elementos inesperados, que surpreendem e mantêm interessados até quem conhece muito os quadrinhos”.

Os produtores, por sinal, vão atender uma antiga reivindicação dos fãs ao introduzir dois importantes personagens dos quadrinhos na nova temporada da atração. São eles o Governador (interpretado por David Morrissey) e Michonne (Danai Gurira).

Considerado um dos melhores vilões da série, o Governador já mereceu inclusive um livro individual (“A Ascensão do Governador”), que conta suas origens. Trata-se do líder da cidade de Woodbury, uma pequena comunidade de sobreviventes que irá aparecer na 3ª temporada. Não levará muito tempo na trama para ele e o xerife Rick Grimes (Andrew Lincoln) baterem de frente.

O ator Steven Yeun, intérprete do personagem Glenn, foi só elogios à introdução da nova ameaça. “David [Morrissey] é brilhante, vê-lo em ação é fantástico. Os fãs não vão ter do que reclamar”, adiantou. Andrew Lincoln, protagonista da série, acrescentou que os telespectadores podem esperar algo “muito mais sombrio e violento” nos próximos capítulos.

O começo da temporada terá ainda mais zumbis que o final da temporada anterior. “O que a gente matou de zumbi naquele episódio final é equivalente ao total da 1ª temporada inteira”, comparou Lincoln. Mesmo assim, terão que enfrentar ainda mais criaturas antes de chegar no verdadeiro vilão da temporada. “Só no primeiro episódio desta temporada teremos ainda mais zumbis do que em todo o ataque à fazenda”, garante o produtor e especialista em efeitos Greg Nicotero.

A atriz Lauren Cohan, intérprete da personagem Maggie Green, contou que o episódio de abertura da nova temporada será uma sequência imediata dos eventos anteriores, mostrando o grupo de sobreviventes perto de uma prisão. O local servirá de cenário para os primeiros episódios do novo ano. “É um cenário impressionante, tem uma riqueza de detalhes que é assustadora”, descreveu Lauren. E Steven Yeun complementou: “A prisão é um personagem à parte”.

Só que a prisão, que os personagens pensam ser segura, estará cheia de zumbis. “Tentei fazê-los mais decompostos, já que estão apodrecendo lá no escuro da prisão há algum tempo, desde o início da infecção zumbi”, explicou Nicotero.

Para o encontro com os fãs na Comic-Con, os produtores preparam um trailer com cenas do tal presídio, que os personagens vão ocupar, além da cidade aparentemente livre de zumbis chamada Woodbury, que deve introduzir uma nova leva de personagens, entre eles, claro, o Governador. O vídeo também trouxe cenas de helicópteros militares sobrevoando a área, indicando que algo pode estar sendo feito para conter o apocalipse zumbi. Veja na íntegra aqui.

Com promessas de mais sangue, miolos e vísceras, Nicotero salientou que os zumbis aparecerão cada vez mais nojentos na série, pois continuam a se decompor com o passar do tempo. “O visual tem que servir à história e isso é algo que aprendi trabalhando com George Romero”, explicou, referindo-se ao criador dos zumbis modernos, diretor do clássico “A Noite dos Mortos-Vivos” (1968).

Assim como Romero, Nicotero também prefere os zumbis lentos, de andar enrijecido, aos enxames velozes vistos em “Extermínio” (2002) e em “Madrugada dos Mortos” (2004, que por sinal é remake de um clássico de Romero, de 1978). “Eles ficam um pouquinho mais rápidos quando há comida por perto, mas eu amo eles lentos”, opinou Nicotero. “Estou sempre de olho nos figurantes pra ver se tem alguém rápido demais ali…”, completou.

Curiosamente, Norman Reedus, intérprete de Daryl Dixon, disse apreciar mais os conflitos humanos da trama ao ataque das hordas canibais. “A complexidade dos humanos – e tudo o que nos transforma em pessoas tão difíceis às vezes – é o que mais me interessa na série. E nesta temporada, em que o roteiro está melhor do que nunca, esses elementos ficarão ainda mais evidentes. E pode ser que meu irmão apareça por aí…”, comentou, aludindo ao desaparecido Merle Dixon (Michael Rooker), já visto em fotos e vídeos dos próximos episódios.

Da última vez em que apareceu na série, Merle não estava nada feliz com Lincoln, tendo sido algemado e abandonado no terraço de um prédio cercado por zumbis. Ele retorna com o punho cortado e ao lado do temível Governador.

O intérprete do novo personagem, por sinal, diz que o Governador não é tão mau quanto dizem. “Ele é só incompreendido”, brinca o ator David Morrissey. Já Danai Gurira, que dará vida a Michonne, sabe exatamente o que o público espera de sua interpretação. “Eu só quero matar alguém nas telas!”, diz, assumindo-se “empolgadíssima” e já hábil no manejo de suas espadas.

“A temporada em que o grupo passou na fazenda vai ficar parecendo um passeio no parque perto do que vai acontecer agora”, prometeu Laura Cohan. O difícil, depois de tantas revelações, será conter a ansiedade. “The Walking Dead” só volta ao ar em 14 de outrubro nos EUA, e dois dias depois no Brasil.

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