Depois de Danny Boyle, o britânico Neil Marshall, de “Abismo do Medo” (2005) e “Juizo Final” (2008), provavelmente é o cineasta mais hypado do seu país na atualidade. E se ainda não se tornou tão influente, não é dificil identificar em seus filmes referências às obras cinematográficas que mais cultua. Neste “Centurião”, Marshall criou um amálgama dos épicos medievais, ora lembrando o cult sanguinário “Conquista Sangrenta” (1985), de Paul Verhoeven, ora a estilização modernosa de “300″ (2006), dirigido por Zack Snyder.
A trama se passa em 117 A.C. durante o império de Adriano, quando Roma conseguiu inúmeros domínios que se estenderam do Oriente Médio, Norte da África, toda a Europa até Inglaterra e países vizinhos. No entanto, ao avançar pela região norte das Ilhas Britânicas (onde é a atual Escócia), as tropas encontram uma certa resistência (não, não são Asterix e os irredutíveis gauleses) dos pictos, feroz povo tribal conhecido como “Bárbaros do Norte”.
Ao adentrar nos domínios bárbaros, a lendária Nona Legião é surpreendida e praticamente exterminada. Apenas sete soldados sobrevivem e sob o comando do centurião Quintus Dias (Michael Fassbender, de “Bastardos Inglórios”), precisam resgatar o seu general capturado, escapar da brutal perseguição dos pictos e atravessar densas florestas até alcançar a fronteira.
A história sobre bravos soldados que sobrevivem ao massacre do seu pelotão e são obsessivamente perseguidos por inimigos sedentos de sangue não é exatamente original, mas nas mãos de Marshall esse enredo manjado e sem novidades (também escrito por ele) rende um bom caldo. O cineasta sabe conduzir muito bem a narrativa, deixando pouco tempo para o espectador respirar.
A fotografia de Sam McCurdy também é outro ponto alto, tornando o filme esteticamente belo e saturado, acentuado por planos e panorâmicas de montanhas geladas, planícies e campos alagadiços, geografia padrão da Escócia. Bem diferente do império romano que estamos acostumados a ver neste tipo de produção, com legiões marchando aos portões de Roma.
Apesar destes trunfos, “Centurião” não tem o mesmo impacto épico de um “Coração Valente” (1995) ou de “Gladiador” (2000), preocupando-se basicamente com a ação. Nesse aspecto, o filme cumpre o que promete, com sequências de batalha extremamente bem coreografadas, intensas e explícitas – decaptações, gargantas cortadas e sangue espirrando para todo o lado – , sempre embaladas por uma montagem frenética – fonte de desorientação para muitos. Não espante se respingar alguma gota para fora da tela.
Centurião
(Centurion, Reino Unido, 2010)

































