“Os Nomes do Amor” é uma comédia francesa que, sem nenhuma grande pretensão além do mero entretenimento, consegue encontrar uma forma inovadora de contar sua história. Em tempos em que o sexo está desvencilhado dos problemas morais, ele naturalmente pode assumir um caráter pragmático, ou experimental, com facilidade.
Que tal uma militante de esquerda que esteja convencida de que a melhor maneira de convencer direitistas a mudarem de visão, ou de lado, é tê-los na cama? E que não tenha escrúpulos em usar seu corpo para tais experiências políticas? Todos que não pensam como ela tendem a ser vistos como fascistas a serem regenerados pela via do prazer sexual.
Ela assume o lema “faça o amor, não faça a guerra”, que notabilizou os hippies nos anos 1960. Não importa muito que sua história de vida, sua infância, possa ser invocada para explicar um comportamento ousado desse tipo, por parte dessa mulher. O mais interessante é o uso que ela fará disso.
Bem, e quando ela encontra homens mais transigentes, mais abertos, ou mais simpáticos às causas de esquerda ou de centro-esquerda? Fica só na amizade ou pode evoluir para o amor verdadeiro? Mas como conciliar isso com os experimentos político-ideológicos?
Os dilemas do roteiro são divertidos e dão margens a algumas brincadeiras com as figuras políticas francesas e suas representações ideológicas, com direito até a participação no filme do ex-Primeiro Ministro Leonel Jospin como ele mesmo. Desse modo, se permite gozar das verdades engessadas que estão em conceitos tão esquemáticos quanto excludentes – é evidente, porém, que o mundo político é mais complexo do que o maniqueísmo direita versus esquerda, ou a turma do mal contra a turma do bem.
Sara Forestier vive Bahia, a que não tem pudores, mulher cujo nome argelino é frequentemente confundido com o estado brasileiro. Ela é uma atriz capaz de levar esse comportamento improvável à credibilidade do espectador. E Jacques Gamblin, no papel de Arthur, encarna a leveza de espírito do filme à perfeição. Arthur é um judeu nada religioso, com pais moralistas, que fizeram do holocausto judaico um tabu tão grande que qualquer coisa que se diga à mesa do jantar remeterá àquela experiência que se quer apagar. O tabu gera um constrangimento tal que vira piada, como todos os tabus, aliás.
O mérito do filme, escrito e dirigido por Michel Leclerc (“La Tête de Maman”), é mesclar amor e política de um jeito leve e simpático, sem se levar muito a sério, nem pregar verdades em nenhuma dessas duas direções. Amor e preferências políticas não comportam certezas, moral da história, destino inevitável, essas coisas. Tudo pode acontecer e nada será assim tão grave ou importante. As circunstâncias e o acaso acabam tendo um papel maior do que normalmente se avaliam que eles têm.
“Os Nomes do Amor” produz sorrisos, tem leveza, diverte e brinca com as verdades da vida no amor e na política. Ainda que as referências à política francesa e a relação colonial com a Argélia acentuem o sabor local da película, trata-se de um passatempo de boa qualidade.
Os Nomes do Amor
(Le Nom des Gens, França, 2010)


































