“Os Mercenários” voltaram com mais munição, mais amigos e mais humor. Se no primeiro filme eles ainda tentavam disfarçar o riso, agora o clima de comédia é assumido. As auto-referências são explícitas e até meme da internet entrou no roteiro do Stallone.
Encarando o filme desta forma – mais uma comédia escrachada do que um filme de ação – fica difícil não se divertir. Basta lembrar que o diretor agora é Simon West, que há pouco tempo refilmou o pequeno clássico de Charles Bronson “Assassino a Preço Fixo” e já deu ao mundo “Con Air”, uma das mais subestimadas e maravilhosas bobagens que o cinema de ação nos proporcionou nos anos 1990.
O roteiro que cabe em um tweet é o de menos. A gangue de Mercenários de Stallone, formada por Jason Statham, Jet Li, Dolph Lundgren, Terry Crews, Randy Couture e o novato Liam Hemsworth (quem se importa com os nomes dos personagens?), recebe a missão teoricamente fácil de recuperar uma caixa de um desastre aéreo. Algo dá errado, alguém morre e a missão dá lugar à vingança contra o vilão Jean-Claude Van Damme (mais canastrão do que nunca), que está de olho em um carregamento de plutônio.
É tudo uma boa desculpa para metralhadoras descarregadas, explosões de pólvora e de sangue, socos, pontapés e faca no bucho, além das tradicionais frases de efeito e das referências às carreiras e personalidades de cada um. Às vezes dá certo (Dolph Lundgren realmente tem um QI acima da média), às vezes parece forçado demais (Arnold Schwarzenegger e seus inúmeros “I’ll be back” causam um certo constrangimento).
A idade, outro motivo de piada, pesa para todos. A clássica giratória de Van Damme não parece muito natural. Schwarzenegger está cada vez mais parecido com uma vovozinha de cabelo pintado. Entre o pessoal da velha guarda, Bruce Willis continua em forma. Entre os mais jovens, Jason Statham continua se destacando, alternando bom humor com lutas de tirar o fôlego. O cara leva o negócio a sério. Parece que ninguém avisou pra ele que era tudo uma brincadeira, o que é ótimo.
Se Jet Li de novo é o astro mais subestimado do filme, outro mestre das artes marciais aparece com todas as glórias que merece: a participação de Chuck Norris, com direito a uma assinatura sonora de Ennio Morricone, vale por um Oscar honorário ao mito maior da pancadaria B no cinema. Além de brincar com sua própria lenda de lobo solitário indestrutível, o homem conhece seus limites: no auge de seus 72 anos, permanece atrás de uma metralhadora sem arriscar golpes mais ousados.
Entre tantas referências à vida real, uma infeliz coincidência foi a morte recente do filho de Sly, Sage Stallone, de certa forma antecipada pelo filme em seu único momento sério. A vida não só imitou a arte neste caso, como deu um roundhouse kick nela.
No mais, “Os Mercenários 2″ é tão divertido e irresponsável quanto “Os Vingadores”, obviamente sem as fantasias coloridas e os seres de outro planeta. Para o encerramento da “trilogia”, Nicolas Cage parece ter sido confirmado e nomes como Wesley Snipes, Harrison Ford e Clint Eastwood estão cotados. Parece ser muito chute para pouca bunda, mas Sylvester Stallone sempre dá um jeito.
Os Mercenários 2
(The Expendables 2, EUA, 2012)
Lançamento em DVD e Blu-ray



































