VENEZA Havia uma certa expectativa em torno de “Poulex aux Prunes” (Chicken with Plums, no título internacional), de Vicent Paronnaud e Marjane Satrapi, a dupla da espetacular animação “Persépolis” (2007), premiada em Cannes. É um filme bem realizado, com uma estrutura até interessante, apesar de cansativa, mas se resume a uma série de episódios engraçados ou sentimentais e nada a mais.
Como “Persépolis”, trata-se de uma adaptação dos quadrinhos autobiográficos de Marjane, iraniana radicada em Paris, que publica suas memórias na forma de graphic novels. Mas, no trajeto entre o papel e a tela, o espírito da obra original se perdeu. Ficou faltando alguma coisa. Os efeitos visuais e narrativos, que funcionam muito bem no papel, não se traduzem tão bem num filme com atores de carne e osso.
A graphic novel narra os últimos oito dias da vida de Nasser Ali Khan, um parente de Marjane, em novembro de 1958 em Tehran. No filme, ele é interpretado por Mathieu Almaric (“O Escafandro e a Borboleta”). Um violinista que, depois de ter seu violino quebrado, não encontra mais prazer para tocar nenhum outro instrumento e, por conseguinte, para viver.
Há uma metáfora embutida no fato de ele também não se conformar com uma desilusão amorosa da juventude, a ponto de desvalorizar o amor de sua mulher (interpretada pela portuguesa Maria de Medeiros). Decide morrer então, deitando-se sem levantar durante oito dias.
Além de acompanhar como Nasser passa esses dias finais, a trama remete a seu passado, buscando materializar um Irã perdido, de uma classe-média persa que há muito desapareceu. Contudo, não repete a mesma conexão com o espectador obtida na obra anterior.
Como curiosidade, Chiara Mastroianni (filha dos mitos Marcelo Mastroianni e Catherine Deneuve), que dublou a personagem de Marjani em “Persépolis”, retorna à equipe, desta vez com sua própria fisionomia, no papel de Lili, a filha do protagonista já adulta, décadas após sua morte.






























