A mania de querer se “hollywoodizar” é um mal que afeta as cinegrafias de diversos países, como a Austrália, que levou para as telas esta autobiografia do bailarino chinês Li Cunxin, com tudo que um filme sessão da tarde hollywoodiano tem direito.
“O Último Dançarino de Mao” é um melodrama convencional, dirigido por Bruce Beresford, que já foi até indicado ao Oscar (por “A Força do Carinho”) em 1983 e é especialista em arrancar lágrimas do público – veja-se “Conduzindo Miss Daisy” (1989). O roteiro, adaptado por Jan Sardi (“Diário de uma Paixão”), traz uma penca de diálogos baratos e situações que abusam dos estereótipos, para contar a história do menino que foi escolhido, aos 11 anos, dentre alunos do interior chinês, para integrar a escola de dança Madame Mao, em 1973.
Seis anos mais tarde, o jovem Li foi convidado a fazer parte da Companhia de Balé de Houston, nos EUA, onde faria um intercâmbio de três meses. O choque de culturas e a perspectiva de uma nova vida mudaria para sempre a vida do bailarino.
A constante comparação que a roteirista faz entre EUA e China, sempre apontando que os EUA é mais e melhor que a China em tudo, é algo de inacreditável arrogância e mau gosto. A limitação já se inicia com o exagero na caracterização do “caipira” chinês, que se deslumbra com a cidade grande – sendo que o cara viveu anos numa cidade do tamanho de Pequim.
Por outro lado e por ironia, o elenco norte-americano – sem exceção – encena seus papéis de forma péssima, com um agente de balé (Bruce Greenwood, de “Star Trek”) de dar vergonha em qualquer intérprete de gays dos anos 1980, e um elenco de apoio que justifica não ter feito mais nada de importante na carreira.
Em contrapartida, tem-se o retorno de Joan Chen ao cinema ocidental (“O Último Imperador”), brilhando como a mãe de Li, e a revelação do bailarino profissional Chi Cao, encarnando com visível dedicação o protagonista – não só na atuação, mas também na dosagem do aprendizado do inglês e, principalmente, nas inúmeras cenas de dança, todas brilhantemente executadas, algumas até emocionantes.
As peças de balé escolhidas para compor o filme, por sinal, são um raro motivo de brilho da produção, uma mais bonita que a outra. Elas fizeram realmente parte da carreira do verdadeiro Li Cunxin. Entende-se, então, o porquê de ele ter tido reconhecimento internacional.
Bruce Beresford prova que para derrubar uma bela história de vida não é preciso muito. Mas o público não terá dificuldades em se emocionar – ao contrário, será praticamente forçado – com esta biografia “água com açúcar”.
O Último Dançarino de Mao
(Mao’s Last Dancer, Austrália, 2010)





































3 Comentários
Apesar da critica muito construtiva,a curiosidade de uma amante da dança fala mais alto.vou assistir com pesar,mas realmente já me encantei só com o trailer.
Você falou uma besteira na sua crítica: Li Cunxin não morava em uma cidade do tamanho de Pequim, e sim no interiorzão da China. Li o livro, autobiográfico, e o filme descreve exatamente o que foi escrito pelo autor. Ele de fato ficou deslumbrado com a grandiosidade dos Estados Unidos, principalmente porque na China comunista Mao pintava para o povo que TODOS os cidadãos norte-americanos viviam abaixo no nível de miséria, sendo que quem vivia na miséria eram os camponeses chineses, como a família de Li Cunxin. E quem vai duvidar do poder da lavagem cerebral feita por governos totalitários?
Você fala de esteriótipos como se comparasse a China de hoje aos Estados Unidos de hoje, não considera que durante o governo de Mao as coisas eram muito diferentes.
O último dançarino de Mao é um filme sobre superação, sobre choques culturais, e sobre fatos que realmente existiram. Você pode achar que é ‘esteriótipo’ bobo, mas aconselho que abra um pouco a cabeça antes de chamar de melodrama de sessão da tarde.
E ah!! Traz, do verbo trazer, é com Z no final, não com S.
Puxa, professora Alessandra, o texto diz que ele era do interior e o chama de “caipira”. Ninguém falou que ele era de Pequim, apenas que ele morou em Pequim – quando foi estudar na, repare no nome, Academia de Dança de Pequim. Mas vc leu o livro e sabe disso, né? E ah!! Esteriótipo é com E no meio, não com o I. Estereótipo. Vc adora esta palavra, então aprenda a escrevê-la.