O sangue novo de A Hora do Espanto

COMIC-CON As expectativas para o remake de “A Hora do Espanto” já eram grandes antes do painel na 42ª edição da Comic-Con. E a antecipação e a ansiedade em torno do projeto quadriplicaram após a convenção. O motivo é simples: a equipe, precedida por credenciais impecáveis, é finíssima.

O diretor Craig Gillespie vem do cultuado filme independente “A Garota Ideal” (2007), sobre um sujeito deprimido que se apaixona por um manequim. Seu timbre empático ao flertar com o bizarro é, portanto, elemento muito útil ao gênero. A roteirista Marti Noxon era uma das produtoras da excepcional série “Buffy – A Caça Vampiros”. E o elenco é o que há de mais descolado nesse cenário: Colin Farrell (“Alexandre”), Anton Yelchin (“Star Trek”), Imogen Poots (“V de Vingança”), Christopher Mintz-Plasse (“Kick-Ass”), Toni Collette (série “United States of Tara”) e David Tennant (série “Doctor Who”).

A história é praticamente a mesma do terrir original dos anos 1980: o jovem Charley (Yelchin) descobre que o estranho Jerry Dandrige (Farrell), que se mudou para a casa ao lado, é, na realidade, um vampiro. O problema é que ninguém acredita nele, já que o charmoso morto-vivo seduziu a todos no bairro – inclusive sua mãe. Cabe ao rapaz e a sua namorada cética (Poots) pedirem a ajuda de um ilusionista de Las Vegas (Tennant) para combater essa ameaça. E devem agir rápido, porque a fúria de Jerry já está fazendo vítimas por aí – como o amigo de Charley (Mintz-Plasse), que se converte no “Malvado” Ed Thompson.

Farrell, Yelchin, Poots e Mintz-Plasse juntaram-se a diretor e roteirista em um animado bate-papo sobre o filme. Para começar, a pergunta inevitável a tudo o que trata de vampiros atualmente: quem levaria a melhor em um combate, se Jerry Dandrige ou Edward Cullen, o vampirinho camarada interpretado por Robert Pattinson na “Saga Crepúsculo”.

“Depende do porquê eles estão lutando”, respondeu Farrell, tranqüilo. “Se fosse por um pedaço de carne, Jerry venceria, mas se fosse pelo amor de uma mulher, temo que Cullen levaria a melhor”, disse, politicamente.

O ator também apontou as semelhanças e diferenças entre o Jerry original, interpretado por Chris Sarandon (que também se juntou ao painel, de muito bom grado), e o Jerry de agora. “Ambos precisam de sangue para sobreviver”, resumiu Farrell. “Mas o Jerry antigo, pelo que eu me lembro, era um sujeito um tanto digno, meio intelectual, culto e suave. O meu não é nada disso. Ele é mais como um parasita social que aprecia a ameaça que representa para as pessoas”, explicou.

Sarandon, que deu sua aprovação ao filme, endossou as mudanças. “É mais reimaginar a história do que refazê-la”, opinou sobre a nova versão.

Repensar essa trama foi tarefa sagrada para Noxon. A roteirista confirmou que conhecia o filme, mas não tinha noção de seu status de “clássico” para uma parcela significativa dos espectadores. “Foi uma sorte eu estar alheia. Fiquei afastada da internet e pude trabalhar com essa grande premissa e esses grandes personagens”, recordou Noxon.

Ela comentou, também, que o mundo mudou nos 25 anos que separam o original de seu remake – e, com ele, mudaram as convenções do gênero. “É um universo pós-‘Crepúsculo’, onde podemos explorar os personagens de maneira diferente. Foi um desafio optar pelo quê conservar e o quê reinventar”, afirmou.

As mudanças no vampiro, por exemplo, partiram dela. “Não queria escrever um vampiro sofisticado que toca piano”, justificou Noxon. “Sentia falta do tipo vicioso e sexy que o Colin possui”, completou.

Antes de Jerry Dandrige, ela compartilhou que seu vampiro favorito era o sardônico Spike, interpretado por James Marsters em “Buffy”. “Em especial no começo, quando ele era mau e não tinha se regenerado pela Buffy”, disse Noxon. O vampiro ao estilo de Spike agradou o estúdio, o diretor e o elenco.

Farrell, por exemplo, confessou que temia que “A Hora do Espanto” fosse outra prova da falta de criatividade de Hollywood, que recicla sucessos ao invés de fabricá-los – mas uma olhada no roteiro o fez mudar de opinião. “E também pensei que seria divertido botar as presas de fora”, contou o ator, descontraído.

Ele também garantiu que só se envolve hoje em dia com projetos que realmente lhe interessam. “Fiz sucesso rápido demais, e pode-se dizer que fiz muitos filmes de merda”, disse, sem qualquer sombra de diplomacia. “Mas acho que nos últimos seis anos eu voltei a me divertir com o trabalho”, emendou, sobre os filmes em que tem atuado recentemente.

“Hoje, se leio um roteiro e começo a mover os lábios junto com os diálogos, sei que me conectei com aquilo”, explicou o ator. Para o deleite do público, seus lábios “se mexeram” durante a leitura de “A Hora do Espanto”.

O tipo fanfarrão e gozador de Farrell cai como uma luva ao pano de fundo cômico da trama – mas o pano fundo de “A Hora do Espanto” não deixa de ser o horror. Mesclar os dois gêneros de modo a potencializar a ambos foi o que mais preocupou o diretor, que admitiu que se envolveu com o projeto antes mesmo de assistir ao filme original.

“O ponto de partida para mim foi o fato do roteiro conter horror, thriller e suspense genuínos”, disse Gillespie. “Há sempre alguém para inundar a tela de tensão, mas também temos Christopher e David, que são engraçadíssimos, e seus personagens, que não deixam de ser verossímeis. Estavam todos no clima ideal, então atingimos o equilíbrio”, articulou-se.

“Ao invés de um susto engraçado, fizemos pessoas engraçadas tomando susto”, refletiu Noxon.

Ao menos uma dessas situações deu muito o que falar: um embate físico entre Yelchin e Mintz-Plasse, que deve entrar nas antologias do cinema como uma das sequências de luta mais divertidas e descoladas. “Ensaiamos muito, porque era tudo muito coreografado. Provavelmente dois ou três dias de ensaio só para isso”, relembrou Yelchin. O ator garante, porém, que a cena estará inserida organicamente na narrativa. “A maior parte da preparação foi pela jornada emocional do personagem”, comentou.

Essas sequências serão conferidas na telona em 3D, e para Chris Sarandon, que viu a refilmagem pela primeira vez na semana passada, o resultado foi espetacular. “Quando eu era criança, víamos filmes em 3D pelos truques dos objetos que saltam. Mas o Craig fez um 3D de sensações e textura, que não distrai, mas contribui para a experiência do filme”, defendeu o ator. E, sobre o filme em si, definiu em uma palavra: “brilhante”.

Vindo do Jerry Dandridge original, esse é um grande elogio a se pesar. O público não vai demorar muito para conferir se é fato ou propaganda com os próprios olhos: “A Hora do Espanto” estreia em 19 de agosto nos EUA e em 7 de outubro no Brasil.

+ Louis Vidovix

Louis Vidovix é publicitário, leitor voraz, cinéfilo incorrigível e fã das séries de TV. Expõe suas opiniões no blog Acho Melhor Não Ler

1 Comentário

  • julianoNo Gravatar
    2 de novembro de 2011 | Permalink | Responder

    fracasso filme horrivelllllllllllllllllllllllllllllllllllll

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