O Preço do Amanhã não desenvolve sua boa premissa

Num futuro não tão distante, todos os seres humanos terão um relógio biológico implantando no pulso assim que nascerem. Ao completar 25 anos, o relógio começa a zerar e, para viver além das horas contatadas, é necessário comprar mais tempo. Quando o tempo se torna o bem mais valioso da humanidade, virando também a moeda oficial do planeta – serve para pagar desde uma passagem de ônibus até uma estadia num hotel de luxo – , obviamente as classes menos favorecidas encontram mais dificuldades para sobreviver.

A ideia parece ter sido retirada de um livro de Philip K. Dick (“Blade Runner”, “Minority Report”), mas o roteiro de “O Preço do Amanhã” veio da mente criativa do diretor Andrew Niccol. O desenvolvimento, porém, não ficou tão interessante quanto sua premissa.

Responsável por filmes interessantes como “Gattacca” (1997), “O Senhor das Armas” (2005) e ainda pelo roteiro do clássico “O Show de Truman” (1998), Niccol implode seu novo projeto logo nos segundos iniciais. A partir do instante em que o personagem de Justin Timberlake (“A Rede Social”) declama toda a complexa estrutura dessa sociedade moderna, e duvida da inteligência do espectador, torna-se muito menos interessante ver o desdobramento da vida de seu personagem.

Uma mistura de James Bond e Robin Hood, o Will Salas de Timberlake sofre mais pela falta de profundidade do texto do que por limitações do ator, que realmente tem se esforçado em seus papéis no cinema.

Com a entrada em cena de Amanda Seyfried (“A Garota da Capa Vermelha”), o enredo desanda de vez, com o casal protagonista correndo de um lado para o outro, roubando dinheiro dos ricos para dar aos pobres, enquanto um caricato Cillian Murphy (“A Origem”) personifica o policial durão e incorruptível em seu encalço.

Não fosse pela premissa inventinva, ainda que mal utilizada, “O Preço do Amanhã” se confundiria com os muitos lançamentos medianos de ficção científica que chegam no Brasil direto em DVD.

Imagem de Amostra do You Tube


O Preço do Amanhã

(In Time, EUA, 2011)

Lançamento em DVD e Blu-ray

 ★★½☆☆ 

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+ Felipe André

Felipe André é cinéfilo profissional. Usa boa parte do seu tempo em salas de cinema e gasta a outra parte escrevendo sobre o que acabou de ver. Também é cineclubista e adora exibir filmes que ninguém viu, por isso tem uma quedinha pelo cinema independente de todas as partes do mundo. Atualmente reside em Recife, mais precisamente no cinema mais próximo. Leia também no Kinemail.

2 Comentários

  • Carlos Rocha Identicon Icon Carlos Rocha
    9 de novembro de 2012 | Permalink | Responder

    Concordo com vc sobre a falta de profundidade do filme; poderia ter sido melhor explorado mas ele se presta ao seu principal objetivo que é fazer o espectador refletir sobre a utilização do tempo. O filme trás ao extremo a máxima americana de que “tempo é dinheiro”, sendo assim não haveria o por quê de não trazer no início do longa a explicação de como tal sociedade funciona. A sequência da narrativa não se torna massante claro que não é uma obra cinematográfica que ira para o hall dos grandes clássicos, mas recomendo o filme como um bom entretenimento nas tardes de domingo.

  • Zero Onze Identicon Icon Zero Onze
    17 de novembro de 2011 | Permalink | Responder

    A idéia NÃO veio exatamente da mente criativa do diretor Andrew Niccol. A cerca de 40 anos uma revista masculina (Playboy? Status?, não lembro) publicava o resumo de um livro. Em uma delas li o resumo de um intitulado Tempo é Dinheiro. Não lembro o autor pois afinal passarem-se pelo menos 40 anos. Mas a estória é exatamente igual.

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