O livro “Eu Te Amo, Phillip Morris”, do jornalista Steve McVicker, investiga a vida de um dos maiores mitos da história carcerária americana. O livro narra as peripécias de Steven Russell, policial e pai de família, que abandona os princípios convencionais impostos pela sociedade para viver luxuosamente sua homossexualidade. Mas como todos sabem – ou deveriam saber – ser gay não é fácil.
Se para uma parcela de homossexuais a dificuldade está na aceitação por parte de familiares, amigos, colegas de trabalho e muitas vezes por si próprio, outra parcela se preocupa com a manutenção do estilo de vida – roupas de grife, viagens, restaurantes sofisticados… Dar pinta sai muito caro. E é por conta da necessidade de ostentar aparências que Steven se tornou uma verdadeira lenda. Preso por fraudes inacreditáveis, ele arquitetou entre 1993 e 1998 uma série de fugas dignas de cinema. Engenhosos e mirabolantes, seus planos tinham um propósito peculiar: ficar ao lado de outro preso, Phillip, o grande amor da sua vida.
Glenn Ficarra e John Requa perceberam o apelo cinematográfico desta história verídica e rica em detalhes e estrearam na direção com um filme controverso. Exibido em Cannes, Sundance e na Mostra de São Paulo, o longa correu o risco de não ser comercializado devido a recusa das distribuidoras – ainda que dois grandes nomes do cinema encabecem o elenco: Jim Carrey e Ewan McGregor.
O estilo narrativo do livro – jornalismo investigativo, como fez Truman Capote em “A Sangue Frio” – não empolga tanto quanto promete, e seria fácil imaginar que, ao adotar um tom diferente em sua versão para as telas, os diretores – também roteiristas – pudessem revelar alguma criatividade. O problema é que o longa ganhou ares de comédia e foi ainda mais prejudicado pela péssima escolha do título em português “O Golpista Do Ano”, que ajuda a obra a perder o pouco da seriedade que possui.
Jim Carrey, quando bem dirigido, revela-se um excelente ator. Papéis memoráveis como “O Show De Truman”, “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças” e “O Mundo de Andy” comprovam esta afirmação. Quando se trata de comédia, infelizmente suas caretas e afetações típicas banalizam sua interpretação, e este é o ponto principal da perda de credibilidade de seu personagem. Caricato e exagerado, o Steven encarnado por Carrey não convence.
Ewan McGregor, no papel de Phillip, aproveita-se do abuso interpretativo do protagonista para se destacar na trama. Sensível, sua atuação revela a fragilidade e o romantismo necessários para equilibrar a química do casal, mesmo que em determinadas cenas beire a canastrice.
Chamariz para as platéias brasileiras, Rodrigo Santoro completa o elenco no papel do primeiro namorado de Steven. Quem espera cenas quentes sairá desapontado. Muito se falou de um beijo que não existe entre eles – ou pelo menos não sobreviveu ao corte comportado da edição final. O astro nacional embeleza a trama, mas continua cumprindo aqui o seu papel usual em Hollywood, entrando (quase) mudo e saindo (praticamente) calado.
As artimanhas de Steven, que conseguia se passar por alto executivo ou doente terminal para dar cabo de seus planos, são realmente dignas de riso. Burlar a lei e o rígido sistema carcerário americano, e conseguir enganar empresários mantendo-se em cargos importantes sem nem sequer ter estudado, são feitos absurdos – e por isso hilários. Pilantras deste nível tornam-se simpáticos ao público como o personagem de Leonardo DiCaprio em “Prenda-me se For Capaz”.

O erro da direção foi extrapolar o viés cômico para toda a composição do filme, perdendo assim a chance de dar um tratamento mais sutil ao roteiro, onde o sarcasmo e a ironia seriam melhores aceitos que as gags típicas de Jim Carrey.
A comunidade gay talvez se divirta com o longa, mas pode pesar o fato de a produção visar um público mais genérico que os filmes tradicionais de temática GLTB. Qualquer um que olhar com mais cuidado verá que Jim Carrey erra feio quando o assunto é “dar pinta”, que não há muita química entre ele e Ewan McGregor e, principalmente, não é tão simples assim ser um golpista bem sucedido como o filme mostra – ao menos no livro, são melhor embasadas e detalhadas as técnicas adotadas por Steven para concluir seus planos.
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O Golpista do Ano
(I Love You Phillip Morris, EUA, 2009)
Lançamento em DVD e Blu-ray




































5 Comentários
Naun gostei,acho q. o ator Jim Carey decepcionou,saiu da comedia q. estavamos acostumados a ver,do tipo Top gang ou debi loide, e ate msm. o maskara sentimos falta. Poxa! naun da de jeito nenhum pra assistir esse filme com crianças por perto. Confesso q. decepcionou! Cresci vendo o Maskara naun precisava apelar ele e um otimo comediante fazendo o q. ele sabe fazer de melhor, agente rir que saudades dos velhos filmes dele!
Eu assisti o filme achando que o Rodrigo Santoro tivesse um papel melhor porque aqui no Brasil sempre fizeram propaganda como se ele fosse quase o principal do filme, e outra coisa que não entendo é se o nome em ingles estava legal porque mudar? Por favor se eu não soubesse do que se tratava o filme eu não teria assistido pelo nome aqui no Brasil O Golpista do Ano. Mais tirando isso adorei, eu sou suspeita pra falar pq sou fã do Jim mais ele foi ótimo ao contrario do que estão falando!!!!
É eu pensava que o filme era mau, quando li as interpretações gostei muito, um bom roteiro, muitos pontos de virada.
Boa critica a politica do bush que na epoca era governador, muito bom.
Concordo em gênero, número e grau com o comentário. Assisti o filme sem ler a sinopse (digamos que assisti desavisada do que ia encontrar) e não gostei. O filme tenta ser uma comédia e não é, tenta ser drama e não é. Definitivamente as afetações de Jim Carey ficaram exageradas elas serviriam para o Máscara e não para esse filme.
A tradução do título do filme ficou de péssima qualidade, porém, lembra algo humorístico e a capa também expressa o conteúdo. Já havia assistido ao trailer do filme, mas não me interessei em assisti-lo. Após a crítica do filme irei assisti-lo, e fiquei curioso em ler o livro.